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Newsletter N.º 230

A 18ª jornada e 1.ª da 2.ª volta, registou desde logo um resultado algo inesperado com o FC Porto a deixar os 3 pontos nos Barreiros. Em Alvalade apesar das dificuldades o Sporting conseguiu vencer a Académica reduzindo para 1 ponto a distância que o separa dos portistas. Por sua vez o Benfica desbaratou a possibilidade de aumentar a diferença para o 2.º classificado ao baquear em Paços de Ferreira.

Mais um fim de semana positivo para as modalidades encarnadas, com excepção do inesperado colapso do voleibol frente à Fonte de Bastardo por números expressivos.

Nova jornada do campeonato com o Benfica a receber o Boavista, num jogo em que não se espera outra coisa senão a vitória.

Por último o acontecimento da semana foi a intenção de Luís Figo se candidatar à presidência da FIFA. Um facto relevante a seguir com atenção.


Dia 24

Octávio Ribeiro - Director do 'C.M.' no Record; «É óbvio que a larguíssima maioria dos leitores, que me dá a honra de parar nestas linhas, quer é que o seu clube ganhe, de preferência por muitos golos de diferença. Mas mesmo essa larguíssima maioria terá de convir que, quando começa a ver um jogo dos seus rivais, não tem, nesta fase do futebol português, muitas dúvidas sobre quem vai acabar por ganhar. E desliga.
A ausência de dúvida sobre quem sairá vencedor mata lentamente o futebol. O fosso que separa Benfica e Porto de todos os outros é cada vez mais abissal. Depois, o Sporting, quando engrena, também se aproxima dos seus históricos rivais. Tudo o resto à volta é um deserto competitivo, onde só Braga e Guimarães, em casa, podem gerar alguma dose de incerteza.
Ciente do papel social do futebol, que vai muito para lá da libertação de adrenalina durante hora e meia, sempre defendi que o campeonato nacional devia ter, no mínimo, 16 equipas. Alguns troféus houve muito bem disputados por 18 competidores, mas isso foi noutros tempos. Quando qualquer jogador de um clube pequeno ganhava o suficiente para aguentar o embate de dois ou três meses de atraso salarial, com parte do pecúlio pago sem controlo fiscal, e fortes comunidades locais a apoiar a capacidade competitiva da equipa que levava as cores e o nome da sua terra pelo país.
Agora há equipas sem um único jogador capaz de fazer a diferença. Estamos repletos de atletas honestos mas medíocres, sem o menor afeto com a bola. Os jogos entre grandes e pequenos escorregam para um entediante exercício contabilístico.
E preciso rever os quadros competitivos, restringindo o primeiro escalão a 10 ou 12 eleitos, num campeonato a quatro voltas ou com playoffs finais.
Como um todo, o futebol português está a derrapar para a cauda da Europa. É preciso travar a decadência.
»

Paulo Teixeira Pinto - Adepto portista em A Bola; «(...) 3. Aos 21 dias do mês de Janeiro, outro Cosme, que não Damião, entrou na galeria das memórias imorredouras. Não por prova de santidade, antes pelo contrário. Também não por exibir atributos de taumaturgo que trata quem de curas milagrosas carece para males sem remédio, como os gémeos Cosme e Damião. Antes sim por ter criado à sua volta inferno de castigos e torturas sem piedade. E em público. Quer 'in loco', quer através de meios que transmitiram toda uma parafernália de maldades raramente vistas. Sempre com ar de quem não ignora que assim como é possível não ver o que existe mesmo, também é de todo impossível ver o que não existe mesmo. (...)»

Sérgio Krithinas - Jornalista do Record; «Mais coisa menos coisa, a maior parte dos treinadores de futebol da 1.a Liga é reconhecida pelos adeptos. Miguel Leal é, muito provavelmente, o último classificado nesta tabela de mediatismo, mas isso não invalida que muita gente comece agora a olhar para o Moreirense como a verdadeira equipa-sensação da primeira volta do campeonato. Promovida na última época; a equipa de Moreira de Cónegos é oitava classificada, com 24 pontos.
Estes números são suficientes para confirmarem a qualidade do trabalho de Miguel Leal, mas a forma de jogar do Moreirense mostra que nada é por acaso. Nesta temporada, só caiu no Dragão ao fim de 69 minutos; esteve em vantagem na Luz e só permitiu a reviravolta com 10 jogadores; e esteve a vencer em Alvalade até ao periodo de compensação. Mas o que mais impressionou nessas partidas foi ver uma equipa constituída por jogadores com tão pouca experiência de Liga a não recorrer sistematicamente ao pontapé para a frente, a querer ter a bola, a saber jogar. Na última quarta-feira, desta vez na Taça da Liga, foi novamente isso que se viu diante do Benfica. A equipa do concelho de Guimarães foi melhor na primeira parte e causaram problemas raros às águias. Aliás, foi apenas depois de Jorge Jesus ter reforçado o meio-campo com Samaris que o Benfica pegou nas amarras do encontro. (...)
»

Vítor Serpa - Director de A Bola; «O FC Porto teve de enfrentar uma arbitragem inexplicavelmente adversa no seu último jogo em Braga para a Taça da Liga. Por isso teve de jogar apenas com nove jogadores, contra onze, durante mais de meio jogo. Foi, de facto, uma resistência heroica e, no final, treinador e presidente preferiram sublinhar a grandeza de caracter e a alma dos seus jogadores. Foi um discurso inesperado, mas inteligente. O FC Porto que tem tido sérios problemas em transformar tantos e tão bons jogadores numa boa equipa e pode ter encontrado, agora, na adversidade, o espírito de conquista de que estava a precisar. »

Dia 25

Fernando Seara - Adepto Benfiquista em A Bola; «(...) 4. Nesta semana, Luisão completou 440 jogos pelo Benfica. Alcançou, assim, o nosso querido e saudoso Senhor Eusébio da Silva Ferreira. Mas o atual capitão do Benfica foi bem feliz ao dizer que - «Eusébio só há um»! Luisão estará a poucos jogos - agora seis após a vitória em Moreira de Cónegos e que permitiu que o Benfica marque presença na meia final da Taça da Liga - de alcançar António Simões que envergou 447 vezes a camisola do Benfica. Mas, de verdade, ainda distante da marca singular das 575 vezes que Nené vestiu a camisola do seu clube do coração. Luisão, que chegou ao Benfica em 2003, vai ficar, esperamos que a erguer com orgulho ainda mais troféus, na história do Benfica. Ele é «exemplo do presente». Mas também, e na linha de Miguel de Cervantes, «advertência do futuro».»

José Manuel Meirim - Especialista em Direito Desportivo, em A Bola; «1. Permita-me o leitor que ocupe este espaço com uma referência pessoal em memória do Dr. Miguel Galvão Teles, jurista reconhecido pelos seus pares - desde logo, pelos colegas do curso de licenciatura - e que projectou as suas valências no desporto. O que agora adianto serve só como registo - modesto - do seu interesse nas relações que se estabelecem entre o desporto e o direito.
2. Conheci o Dr. Miguel Galvão Teles em 1996, era então presidente da AG do Sporting. Era amável e modesto no contacto. E embora tendo tido poucos contactos ao longo de quase 20 anos, pairava entre nós - assim o senti sempre - mútuo respeito o que, vindo de onde vinha, sempre encarei como muito gratificante.
3. Relembro dois momentos de debate jurídico desportivo. O primeiro situa-se no início dos nossos contactos. O Sporting - e outros clubes - vivia a febre das sociedades desportivas: o denominado projecto Roquette, como que partindo do clube, construia um grupo empresarial. Alguns sócios colocavam isso em causa, tendo como inválida a construção Grupo Sporting à luz dos estatutos e da natureza jurídica do clube, uma associação sem fins lucrativos. O Dr. Miguel Galvão confidenciava-me as suas posições e argumentos jurídicos, convicta e calorosamente.
4. Já em 2012 tive a oportunidade de o chamar ao debate, aquando de uma aula aberta, realizada na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, tendo como tema as propostas de criação do Tribunal Arbitral do Desporto. Mais tarde, em finais de 2013, partilhámos uma discussão (esta mesmo aberta) sobre a viabilidade deste Tribunal, perante as duas decisões do Tribunal Constitucional.
5. Não tendo privado com o Dr. Miguel Galvão Telles como tantos outros, fica-me sentimento que define a amizade: ela vive e persiste sem cuidar do tempo do afastamento físico.
»

Ricardo Costa - Professor de Direito da Universidade de Coimbra no Record; «A Comissão Executiva da Liga vai propor aos clubes a extinção da Comissão de Instrução e Inquéritos (CII), o órgão que funciona como uma espécie de Ministério Público na justiça 4esportiva do futebol profissional. É um erro feito de vários equívocos. (...) »

Dia 26

Alberto do Rosário - Gestor, no Record; «Pedro Proença merece o maior reconhecimento nacional, sobretudo do mundo do desporto. Pedro Proença faz parte do restrito grupo dos eleitos de sempre do desporto nacional. Ombreia com mérito com os monstros sagrados, como Travaços, Eusébio, Carlos Lopes, Rosa Mota, Figo, Paulo Futre, Paulo Sousa, Ronaldo, Manuel José, Mourinbo e mais uns tantos, poucos. (...)»

Bernardo Ribeiro - Director-Adjunto do Record; «(...) Obrigatório tocarem os sirenes de alarme no Dragão. Após os acontecimentos de Braga, um FC Porto digno desse nome venceria na Madeira fosse como fosse. Falta algo a este grupo. Investimento não é. Mística, suor ou treinador? É necessàrio diagnóstico e medidas urgentes. (...) »

José Manuel Delgado - Sub-Director de A Bola; «Não há competição mais democrática que a Taça de Inglaterra, prova que se disputa desde a época de 1871/72 (final disputada, perante dois mil espectadores, no estádio Kennington Oval, em Londres e vitória dos Wanderers sobre os Royal Engineers por 1-0).
Na edição de 2014/15 participam 736 clubes (de seis escalões diferentes), que precisam de 14 eliminatórias para definir os dois clubes que vão lutar pela Taça, no estádio de Wembley.
Na ronda deste fim de semana, os três clubes que lideram a Premier League - Chelsea, Manchester City e Southampton - jogaram em casa, com equipas acessíveis e foram eliminados. Se isto acontecesse em Portugal, imagine-se o escândalo: no mesmo fim-de-semana, o Benfica eliminado pelo Mafra na Luz, o FC Porto derrotado pelo Académico de Viseu no Dragão e o Sporting afastado pelo Boavista, em Alvalade!!! (...)
»

Dia 27

Fernando Guerra - Sub-Director de A Bola; «O presidente do FC Porto tem sido muito solicitado nos últimos dias. Na quarta-feira da semana passada, imediatamente após o empate em Braga, para a Taça da Liga, compareceu na zona de entrevistas rápidas para declarar que «quem tiver vergonha, que a tenha» e que «quem não tiver, que a não tenha», assim, sem pedir licença para entrar, em clara referência ao desempenho do árbitro Cosme Machado, o qual ousou expulsar dois futebolistas portistas, o defesa Reyes, por imprudência, e o médio Evandro, por ter cometido o mesmo desconchavo que tramou Jorge Andrade no lance com Deco, na meia-final da Champions de 2004, quando este representava o Deportivo da Coronha.
Podia criticar a ausência de um «critério disciplinar uniforme» como salientou o jornalista Pascoal Sousa na sua crónica. Podia cantar a coragem portista na enorme reação a uma quadro desfavorável. Podia fazer ou dizer o que lhe aprouvesse sem cair na banalidade de se agarrar a frases feitas e a ideias gastas.
Sentiu-se orgulhoso «dos jogadores, dos adeptos» e do 'seu' treinador e terá sido essa gigantesca vaga de orgulho que o reconduziu, ontem, ao centro do Olival para se mostrar no treino, o primeiro a seguir ao jogo no Funchal, com o Marítimo. Uma presença rotineira, julgo eu, na medida em que se trata de um espaço habitualmente fechado, mas que se abre quando convém: ou seja, de cada vez que a política de comunicação seguida pelo FC Porto pretende passar uma esponja sobre um caso (segunda derrota no Campeonato) através de encenação que terá produzido eficácia anteriormente, mas que nos dias de hoje se revela desajustada e de fracas consequências. (...)
»

Norberto Santos - Redator Principal do Record; «(...) A Federação Internacional e o Comité Olímpico Internacional lançaram uma grande ofensiva contra o doping, através de controlos-surpresa e agravamento de castigos. Durante algum tempo pairou a esperança que o sistema estava a mudar para melhor. Puro engano. Os últimos dados indiciam perigosas ligações entre dirigentes, atletas e o mundo empresarial com acusações, ainda não totalmente confirmadas de favores da Federaçao Internacional em troca de atribuição de locais de competição ou a negócios televisivos. Mas do que a Federação Internacional não estava à espera era que fosse descoberta uma série de casos na Rússia com vários marchadores, campeões olímpicos e mundiais, a serem banidos por uso de produtos ilegais. A entrada em vigor do passaporte biológico permitiu detetar que no universo de 37 atletas que acusaram positivo, 23 eram russos, tendo sido suspensos. O chefe do departamento técnico, Valentin Maslakov, pediu a demissão e a situação tornou-se tão grave que o ministro do Desporto, Vitaly Mutko, reagiu prontamente. "Já disse por mais que uma vez que a Federação de Atletismo tem de pôr ordem na casa", comentou o responsável, receando medidas mais severas.
Fala-se que os casos mais graves darão uma suspensão para toda a vida e até na possibilidade de os países - caso não controlem a situação - serem banidos das grandes competições. Assino por baixo.
»

Santos Neves - Jornalista de A Bola; «(...) Muito bem o Paços de Ferreira. Equilibrou a partir dos 20 minutos, teve audácia de forçar ofensiva depois do intervalo, exibiu a gana que faltava no Benfica e isso lhe permitiu vencer grande maioria dos lances de antecipação e de corpo a corpo. Ei-lo no 6.º lugar, a 1 ponto do SC Braga dito ambicioso...
Benfica sem raça e sem... talento. Enzo Pérez... enorme saudade no centro da linha média. Ausência de Gaitán, lesionado, deixou a equipa na vulgaridade quanto a classe para rasgar defesa. Apenas laivos de Salvio, pois Lima, Jonas, Talisca... sem fluxo de ímpeto físico/anímico e até desastrados. (...)
»

Dia 28

Bernardo Ribeiro - Director-Adjunto do Record; «Está lançada a discussão e as duas próximas jornadas da Liga vão aclarar a questão: pode o Sporting voltar a sonhar com o título nacional? Já dizia o poeta, o sonho comanda a vida, e não é legítimo cortar as pernas ao leão. Mas a verdade é que o clube de Alvalade tem um plantel muito inferior a Benfica e FC Porto e com poucas soluções credíveis como se vê na Taça da Liga, para cimentar a candidatura. O dinheiro por si só não ganha campeonatos, mas ajuda muito. Muito mesmo.
Marco Silva está a fazer um grande trabalho. Ter mais um ponto do que Leonardo Jardim e continuar envolvido em todas as frentes é obra. E não se pode dizer que tenha muita ajuda. O facto de ter o balneário com ele e unido em torno dos objetivos está a fazer milagres.
Mas será suficiente? Como pode lutar pelo título uma equipa cuja dupla de centrais soma 43 anos? Ou escapar a todas as adversidades sem um "10" digno desse nome? O Sporting fez um trabalho impressionante em termos financeiros mas isso teve custos na qualidade da equipa. O banco leonino é curto e as opções, por exemplo, para o meio-campo tão parcas que William, Adrien e João Mário quase não podem ter um dia não. Com dois jogos por semana novamente à porta, como vai ser? (...)
»

Jorge Barbosa - Editor-Chefe do Record; «Como sempre acontece, e pelos vistos há mal que sempre dura, o ruído de fundo na Liga portuguesa volta a atingir um volume alto, com a voz dos dirigentes dos principais clubes, mas não só, a fazer-se ouvir nas questões da arbitragem - o Benfica só no fim do jogo com o Paços de Ferreira é que falou, e vá lá perceber-se porquê -, trocando acusações, sendo que as palavras escolhidas têm sido quase sempre as menos convenientes. O que é no entanto verdade é que todas as jornadas têm sido produtivas em erros de arbitragem. Ninguém quer acreditar que os árbitros e seus assistentes errem de propósito, mas a questão estará antes em usar todos os meios possíveis para minorar os erros. (...) »

Vítor Serpa - Director de A Bola ; «Faz hoje setenta anos, um grupo de homens vivia a ansiedade de um sonho prestes a cumprir-se. Cândido, Vicente e Ribeiro somavam o entusiasmo de começar a dar forma àquele que seria, no dia seguinte, o primeiro número de A BOLA. Cândido talvez estivesse a escrever a esta mesma hora o notável 'Pontapé de Saída' que abriria a primeira página. Tão diferente daquele editorial franquista da Marca. Tão marcado pela ânsia de liberdade que os sinais do final da guerra traziam ao povo português.
Não foi difícil a Cândido de Oliveira construir o argumento principal desse texto emblemático. Desporto como sinónimo de liberdade, de vida, de esperança e de futuro. Uma expressão visionária para a época, mas que teve o apoio dos seus outros dois companheiros de aventura. Vicente era médico informado, culto e politicamente consciente. Ribeiro era oficial do exército, um apaixonado pelo futebol e, especialmente, pela arbitragem. Por isso fez questão de publicar na primeira página da primeira BOLA um texto do árbitro internacional espanhol Pedro Escartin, que teve como companheiro de estreia no jornal um artigo do famoso Peyroteo, um dos 'violinos' do grande Sporting. (...)
»

Dia 29

António Magalhães - Director do Record; «A candidatura de Luís Figo à presidência da FIFA tem de ser vista sob diversas perspetivas, mas, logo à partida, é um motivo de orgulho nacional que merece o nosso apoio incondicional.
Trata-se de um ato de coragem. Não apenas da parte da FPF, que decidiu lançar o repto a Figo, mas também, e muito especialmente, do próprio candidato. Desafiar um imenso e tentacular poder, instalado há tantas décadas, é uma empreitada que não está ao alcance de qualquer um. O próprio Platini recuou na intenção de se candidatar à FIFA quando Blatter anunciou que ia a votos.
A candidatura de Figo representa também a vontade de projetar um novo ciclo. Por um lado, um ciclo de maior transparência, de maior solidariedade, de regeneração e de inovação. Por outro, um ciclo de renovação onde os homens do futebol assumem protagonismo e responsabilidades. Hoje, os antigos jogadores estão cada vez mais preparados para continuarem a servir o futebol em todas as áreas e a desempenhar funções e cargos de maior relevo. (...)
»

Leonor Pinhão - Jornalista em A Bola; «(...) Domingo, 25 de janeiro - Curiosamente, o árbitro que ontem não conseguiu jantar em paz no Funchal foi o mesmo árbitro que apitou hoje o Marítimo-Porto. Está assim explicada a sua presença na véspera do jogo. Para a próxima venha jantado de casa. Isto se não quiser ter problemas com os adeptos do Real Madrid. (...)
Segunda-feira, 26 de janeiro - Quando a equipa do Benfica chegou ao princípio da noite de hoje ao estádio da capital do móvel lá tinha à sua espera uma parede vandalizada tal como estava escrito no programa. E também tinha à sua espera muitos milhares de adeptos para o apoiarem. O que não foi suficiente.
O Júlio César sofreu um golo, o Jonas não marcou o seu golo do costume e o Benfica perdeu hoje em Paços de Ferreira por 1-0.
O golo da vitória dos donos da casa chegou bem no fim do jogo através de uma grande penalidade a castigar uma entrada irresponsável de Eliseu.(...)
»

Santos Neves - Jornalista de A Bola; «(...) Por outro lado, não menos importante, quiçá mais, esta jornada mostrou estarem errados os (muitos) que, baseados em enorme superioridade dos gigantes face às pequenas equipas, diziam que Benfica e FC Porto (provavelmente, também o Sporting a subir de rendimento) só nos jogos entre si poderiam perder pontos. Ora, por tal teoria, tivesse o Benfica 9 de avanço e não lhe faria mossa ser derrotado em Alvalade e até, na Luz, perante o FC Porto. Algures na semana passada, discordei dessa tese, escrevi não acreditar nela. Marítimo e P. Ferreira acabam de fazer prova. Portanto, Benfica e a dupla que o persegue rumo à meta do título e, na noite do último domingo, de súbito recobrou ânimo (vincadamente o Sporting) estão mesmo sujeitos a múltiplas contingências, sem lustrosa passadeira no muito caminho que falta. Ou como o líder ficou a saber bem melhor que avanço de 6 pontos, sendo substancial, nada lhe garante. Falta ver como reagirá aos imediatos testes, cruciais para definir se a grande confiança que vinha mostrando em si próprio foi ou não muito minada em P. Ferreira. (...)»

Dia 30

José Manuel Delgado - Sub-Director de A Bola; «Quando Michel Platini anunciou que era candidato à presidência da UEFA, a reação foi muito semelhante à que agora se verifica relativamente a Luís Figo. Hoje, diz-se que Blatter é praticamente imbatível, quase o mesmo que se dizia, então, de Lennart Johansson. Afinal, Platini ganhou as eleições. E Figo?
Em 2006, quando Michel Platini lançou a candidatura, A BOLA foi o jornal escolhido pelo ex-internacional gaulês para se dar a conhecer ao mundo enquanto pretendente à UEFA. Fui a Paris entrevistá-lo e parti convencido de que a aventura em que Platini estava a meter-se estava destinada ao fracasso. Regressei, porém, com uma ideia diferente, talvez houvesse uma luzinha ao fim do túnel para Michel Platini, que na altura se mostrava ansioso por saber se Portugal iria apoiá-lo. Dois anos depois do Euro 2004, credora de gratidão a Lennart Johansson, a Federação Portuguesa de Futebol alinhou pela candidatura do regime; mas Platini foi buscar os votos de que precisava para derrotar Johansson às novas Federações dos países de leste saídos da ex-URSS, e sentou-se na cadeira do poder. (...)
»

José Ribeiro - Editor-Chefe do Record; «E de repente o campeonato ganhou nova vida. Depois da derrota inesperada do FC Porto na Madeira, vaticinou-se o "fim" da prova porque no dia seguinte o Benfica ganharia em Paços de Ferreira (não ganhou!) e passaria a ter uma vantagem de 9 pontos (manteve os 6). De um passeio encarnado até maio virou-se rapidamente a análise para uma luta a três. Que promete animar os próximos quatro meses, em especial se dentro de duas semanas o Sporting fizer prova de vida enquanto candidato.
Há quem goste de explicar este tipo de fenómenos (a derrota de um grande ainda o é) com uma frase tão antiga quanto o jogo: o futebol é isto. Mas infelizmente não é. O próprio Jorge Jesus tentou colocar a derrota do Benfica nesta categoria. Quando ele sabe, melhor do que ninguém nos últimos anos, que o futebol não é aquilo. Paços de Ferreira foi exceção no panorama atual da 1.ª Liga, aquele em que Benfica e FC Porto conseguem longas séries de vitórias consecutivas. (...)
»

Luís Fialho - Colunista de 'O Benfica'; «(...) Em Paços de Ferreira, a nossa equipa desperdiçou uma oportunidade soberana para quase colocar uma pedra sobre este importantíssimo campeonato. Não o fez, e se as consequências na moral dos jogadores "encarnados" estão ainda por apurar, já quanto à moral dos principais adversários na luta pelo título restam poucas dúvidas: esta generosa oferta de três pontos recuperou o ânimo do FC Porto, e reforçou fortemente o do Sporting.
Dito isto, importa não chorar mais sobre o leite derramado. Importa, sobretudo, olhar para os próximos jogos com redobrada atenção e redobrada vontade de vencer. Continuamos na frente, com uma vantagem ainda considerável, e não deixámos de ser os principais candidatos a um título que não podemos perder.
Este sábado, diante do Boavista, temos nova "final". É imperioso vencer, para afastar fantasmas, e repor uma certa ordem na história deste campeonato. É importante que os adeptos esqueçam rapidamente a frustração da passada segunda-feira, e voltem a focar-se no apoio a uma equipa que, ainda assim, continua a realizar uma temporada bastante acima das expectativas iniciais. Perdemos uma batalha, mas estou seguro de que venceremos a guerra.
»

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