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Newsletter N.º 225

14ª jornada e última de 2014. Voltaram a ganhar os três 'grandes' mas com diferentes graus de dificuldade. O FC Porto teve direito a goleada, e o Benfica e o Sporting venceram tangencialmente, ainda que os encarnados tenham jogado em casa.

Destaque para a equipa de Juvenis do Benfica que logrou pela primeira vez esta época atingir o 1.º lugar da primeira fase do respectivo campeonato.

As modalidades voltaram a 'respeitar' o que começa a ser 'vulgar': obter todas excelentes resultados no fim de semana.
Continua a turbulência no Sporting. Em mais um acesso de pouco senso, o presidente leonino tudo tem feito para que Marco Silva abandone Alvalade. Será que ele sabe o que está a fazer?


Dia 20

Luís Pedro Sousa - Editor do Record; «1. Há na vida, e no futebol em particular, o velho chavão de que as derrotas trazem mais ensinamentos do que as vitórias. O Benfica, depois da euforia vivida pelos adeptos com o histórico triunfo no Dragão, desceu à terra em poucas horas. A eliminação da Taça de Portugal, em casa, diante do Sp. Braga, colocou a nu, uma vez mais, as debilidades no plantel com que os encarnados se debatem desde o princípio da época e que a boa carreira na Liga tem feito invariavelmente esquecer. Sem Luisão, Salvio e Enzo Pérez na segunda parte, a equipa de Jorge Jesus mostrou uma vez mais que lhe faltam segundas linhas, os tais suplentes de qualidade que muito contribuiram, por exemplo, para os títulos conquistados na temporada transata. À falta do capitão, os homens da Luz apresentam uma dupla de centrais quase banal, a mesma que, no passado domingo, frente ao FC Porto, quase deitava por terra a vantagem no marcador que Lima materializara. (...)»

Miguel Cardoso Pereira - Jornalista de A Bola; «Talvez se tenha acabado a ideia fácil e mentirosa de que Maxi Pereira é apenas um caceteiro ímpar no futebol nacional e que deveria ser expulso nos jogos todos. Depois do lançamento de linha lateral que deu o primeiro golo de Lima no 2-0 no Dragão, na passada jornada, de repente foi um ver se te avias de medições à força do lançamento, um corre-corre de destaques aos golos que o Benfica de Jesus tem marcado à conta dessa habilidade. Talvez também estas importâncias sejam um exagero, uma moda. O que eu acho é que Maxi Pereira é o melhor jogador do Benfica. É o único que reúne anos de clube, importância no balneário, um capital acumulado de derrotas e tristezas e de vitórias e alegrias com a mesma camisola e um espírito competitivo que, ainda que aqui e ali o tenha feito passar limites, está longe de ser o de um agressor descontrolado. Essa avaliação genérica é um dos grandes erros de avaliação na liga portuguesa nos últimos anos. Não só é o melhor jogador do Benfica como é um dos melhores laterais da história do Benfica. (...)»

Rui Santos - Jornalista no Record; «(...) O confessado isolamento do Sporting em relação aos órgãos decisórios do futebol nacional não é uma novidade. Ter o cuidado e o desejo de não ver o (novo) Sporting confundido com a floresta até pode ser observado com uma virtude. Mas o isolamento a toda a escala que BdC acentuou com a sua chegada a Alvalade, seja porque os parceiros assim o determinaram, seja porque houve uma corrida voluntária e precipitada nesse sentido, não parece trazer nada de bom ao Sporting. Basta avaliar a decisão da CII da Liga, em relação ao caso Deyverson/Miguel Rosa. Mais do que a infeliz decisão do arquivamento (estavam à espera do quê?!...), fica a destreza com que a Comissão Executiva da Liga se apressou a emitir um comunicado. Toda a gente sabe que a CII é um órgão formalmente autónomo. Essa destreza-na-pressa seria a mesma se estivessem em causa protestos do Benfica e/ou FC Porto?... »

Dia 21

Bernardo Ribeiro - Director-Adjunto do Record; «É há muito conhecida a estranha capacidade autofágica do Sporting. Nos últimos 30 anos, provavelmente dos três grandes o que mais problemas procurou mesmo quando eles pareciam não existir. Pinto da Costa resolveu isso há muito no FC Porto. Vieira ainda enfrentou alguns célebres "papagaios" e problemas internos, entretanto resolvidos pela cada vez maior experiência de liderança e pelo profissionalismo da estrutura que hoje o acompanha no dia a dia do clube. Sem ondas. (...)»

Fernando Seara - Adepto benfiquista em A Bola; «(...) 3. O Benfica, após a eliminação frente a um Sporting de Braga astuto e feliz - e com um guarda-redes com uma exibição para mais tarde recordar! -, tem de se concentrar na conquista do bicampeonato. Só desta forma será - seremos - felizes. Só desta forma terá - teremos - prazer. Só desta forma ficará - ficaremos - contentes. Face aos afastamentos prematuros das competições europeias e da Taça de Portugal a responsabilidade de todos é bem mais acrescida. E com a consciência que está com seis pontos de avanço que esta distância - que hoje teremos que obrigatoriamente manter no final do jogo face ao Gil Vicente! - é um estímulo e um conforto. Estímulo para não se olhar para trás e conforto para qualquer pequeno deslize que possa ocorrer. Na certeza que, também aqui, há urgências financeiras que não podemos nem ignorar nem, sequer, minimizar. E na certeza que há seis anos ou, mesmo, há um ano, o sol era bem diferente. Basta olhar para o que mudou em Portugal, nesta atlântica paisagem, nos últimos meses. E mudou, e muito, e com dor, para muitos. Para outros não. Como a vida nos ensina. (...) »

Paulo Montes - Jornalista de A Bola; «(...) Terminou no início da semana mais um período para os clubes e SAD provarem, junto da Liga, que nada devem a atletas, técnicos e ao Estado. Como sempre tem acontecido, ninguém será acusado de incumpridor e a todos os insolventes da praça não haverá tão pouco um PER que recuse fechar-lhes as portas e a atividade patrocinada. Continuaremos por isso a ouvir atletas, treinadores e outros credores falar em dívidas atrasadas, nalguns casos podendo atingir seis meses (!) mas a vida seguirá radiante o seu rumo de absoluta loucura e a Liga permitirá a sobre contratação e, no fundo, a mentira desportiva. Esta autêntica impunidade, que parece agradar ao circo, também conta, é claro, com os seus palhaços pobres e ricos. Mas já perdeu a piada. Haja então vergonha. E não é por ser Natal.»

Dia 22

Hermínio Loureiro - V.P. da F.P.F. em A Bola; «A prova rainha do futebol português voltou a surpreender com o afastamento de equipas favoritas. Foi o FC Porto e agora o Benfica que fica de fora após ter perdido na Luz frente a um atrevido e ambicioso Sporting de Braga. Até ao momento o tomba-gigantes é o Famalicão, que eliminou o Paços de Ferreira na Capital do Móvel. O Sporting venceu em Moreira de Cónegos um aguerrido Vizela, bem demonstrativo da qualidade do futebol que se joga no Campeonato Nacional de Seniores. Mesmo em casa emprestada, o Vizela fez tremer o Sporting que precisou de se aplicar a fundo para avançar até aos quartos de final.
Importa referir que dos três grandes do nosso futebol só o Sporting continua na prova rainha, Liga Europa, Taça da Liga e no campeonato, ou seja em todas as frentes. Uma palavra para o Braga de Sérgio Conceição que mostrou enorme qualidade na eliminação do favorito Benfica num jogo emocionante. (...)
»

José Manuel Delgado - Sub-Director de A Bola; «Bruno de Carvalho colocou-se numa posição difícil face à equipa de futebol profissional do Sporting. Ao que escreveu no facebook depois do jogo de Guimarães, criticando violentamente os jogadores, juntou-se agora o comunicado da última sexta-feira em que pôs diretamente em causa o treinador Marco Silva. A política de proximidade que pretendia manter com o grupo de trabalho, cuja manifestação pública mais evidente é a presença no banco, está, se não ferida de morte, pelo menos num estado comatoso e a utilidade do presidente como fenómeno agregador da equipa diluiu-se; hoje, Bruno de Carvalho pode ser, ainda, um fator de união de jogadores e técnicos: não por ele, mas contra ele.
E porquê? Porque cometeu um pecado capital: trouxe para a praça pública o que devia ficar dentro de casa, expôs aquilo que outros, com menos responsabilidades, se esforçaram por esconder; deu parte fraca ao não saber ser solidário em momento de crise. (...)
»

Santos Neves - Jornalista de A Bola; «(...) O outro destaque de ontem: enorme dificuldade do Benfica, líder, para, em sua casa, derrotar o Gil Vicente, último classificado - que, à 14.ª jornada, nem um jogo ganhou... Esta semana benfiquista tem imenso que se lhe diga: preciosíssimo triunfo no Dragão logo seguido pelo balde de água gelada na Taça de Portugal às mãos do SC Braga (na Luz!) e, ontem, péssima exibição, vitória graças a golo com mancha de claríssimo fora de jogo. Sim, este Benfica somou sete baixas, entre lesionados e castigados. Mas toda a 2.ª parte em aflição para suster ímpeto atacante do lanterna vermelha foi de menos, incrivelmente de menos! »

Dia 23

Fernando Guerra - Sub-Director de A Bola; «Fez promessas que a sensatez não aconselhou, exagerou nas expectativas e descontrolou o entusiasmo da família sportinguista, fazendo-a acreditar que o impossível seria possível. Enfim, Bruno de Carvalho elevou demasiado o nível de exigência e acabou por tropeçar nele, sem se dar conta que em futebol não se conhecem projetos instantâneos, como os pudins. Há sempre uma fase de reflexão e outra de execução, ambas a precisarem do tempo necessário para se imporem. No que se refere a treinadores, Jesualdo foi excluído do processo, Leonardo Jardim resistiu uma época e Marco Silva, que assinou por quatro anos, ao fim de meia dúzia de meses começa a ter razões bastantes para ficar incomodado com tamanho destempero presidencial, que só enxerga desconfianças e inimigos, agora no interior do próprio clube. (...)»

Nuno Santos - Jornalista no Record; «(...) O que se tem passado este ano é uma vergonha. Dirão os sportinguistas: "O clube empata sucessivos jogos em casa e o presidente não está no seu direito de pedir contas?" Está. Está mais do que no seu direito, está no seu dever. Não em público, não da forma como o fez, não como se fosse um ditador que finge que "assume responsabilidades", marca assembleias gerais para sair em ombros e atira com os problemas para cima dos outros. Bruno de Carvalho fez, pomposamente, esta manobra nas vésperas de um jogo que era difícil, contra o Nacional e num momento em que dos três grandes o Sporting é o único que está nas quatro frentes. Não ganhou nada, mas não perdeu nada. Mais: depois de ter contratado, de forma duvidosa, uma legião de jogadores no verão, acha agora que a equipa não tem problemas - por exemplo no centro da defesa - e que todas as questões se resolvem na Academia, onde ele aliás tem espatifado uma boa parte do trabalho feito ao longo de muitos anos.
Marco Silva respondeu bem, serenamente. Sobre os jogadores, dada a sua dependência, estamos conversados. O que aí vem não vai ser bonito.
»

Pedro Adão e Silva - Professor Universitário, no Record; «(...) O que fazer agora? Se bem se percebe, o próprio Jesus parece hesitar. Ouando parecia que Pizzi seria a alternativa ao argentino, recuperou a solução Talisca. A questão é que nenhum dos dois é, nem poderá ser, um clone de Enzo, e todas as alternativas obrigarão o Benfica a mudar o seu sistema. É mesmo caso para afirmar, parafraseando Jesus sobre Matic, que "para render Enzo, só nascendo dez vezes".
Com uma agravante, Enzo é um jogador mais influente e determinante do que era Matic (o que não quer dizer que seja melhor jogador do que o sérvio).
Na impossibilidade de contratar um jogador de classe e maturidade, talvez seja preferível encontrar um modelo mais flexível, onde a equipa se adapte também ao perfil dos jogadores do plantel, em lugar de se forçar jogadores a serem o que não são. No fim, sobra uma certeza: uma vez mais, o caminho para o título dependerá da competência do treinador para ultrapassar dificuldades.
»

Dia 24

António Magalhães - Director do Record; «Dez anos depois, Record foi ao (re)encontro do menino milagre do tsunami que no dia 27 de dezembro de 2004 arrasou a cidade de Banda Aceh. Martunis sobreviveu, por entre os destroços, com uma camisola da seleção portuguesa vestida (tinha o nome de Rui Costa nas costas) e ao fim de 21 dias da onda gigante ter devastado a costa da ilha de Sumatra, regressou aos braços do pai: A mãe e os dois irmãos de Martunis desapareceram nas águas.
A tragédia que se abateu no sudoeste asiático (200 mil mortos) impressionou o Mundo inteiro e a imagem daquele menino, tão resistente como indefeso, ao colo de um jornalista, comoveu Portugal. Dois meses depois da catástrofe, o Record (representado pelo autor destas linhas e pelo repórter fotográfico Miguel Barreira) foi à Indonésia ter com Martunis. Levou-lhe o carinho e a solidariedade de um país e trouxe memórias que o tempo jamais apagará. (...)
»

Jorge Barbosa - Editor-Chefe do Record; «(...) Marco Silva, homem de bom caráter, aliás como a sua prática o tem evidenciado, tem sido o grande líder de um plantel que, apesar de alguns contratempos, criados por quem, por vezes, não sabe o que faz ou não sabe o que diz, ainda tem muito para ganhar. Basta para tal que o deixem trabalhar porque Marco Silva - já provou que sabe por onde deve ir, que o mesmo é dizer, sabe por onde deve guiar a sua equipa, e dispensa um GPS que tem, muitas das vezes, as coordenadas viciadas. Simples? Bastante. E tudo se torna ainda mais simples quando o blackout chega em boa hora e sobretudo para quem muito fala e pouco acerta...»

José Manuel Freitas - Jornalista de A Bola; «Num Mundo cada vez mais em ebulição, não em mutação, onde todos os dias surgem notícias de gente de cabeça perdida, sejam homens sem escrúpulos a matarem as mulheres ou outros que acreditam na imortalidade e levam consigo inocentes, tantas vezes crianças, também domina o dar a vida pelo Estado Islâmico, por ideologias satânicas, pela Al Qaeda ou pela bandeira do país, mesmo que essa guerra não lhes diga, ou traga, nada, mas foi a primeira vez que ouvi, juro, dar a vida por um presidente. Tenho para mim que só se deve dar a vida, e em situações excecionais, por três motivos: pela família, incondicionalmente pela família seja quais forem as circunstâncias; pelo País, desde que em defesa da sua Soberania, Independência ou Liberdade, e se for caso disso que seja através da lei da bala; e, vá lá, mesmo que em sentido figurado, pelo clube. E mesmo que Carlos Mané - esse miúdo com pinta, e jogo, de craque, que tem futuro muito risonho pela frente - tivesse querido ser assim tão magnânimo sou capaz de acreditar que não foi bem aquilo que quis dizer no final da decisiva vitória na Choupana. (...)»

Dia 25- N A T A L

Dia 26

Daniel Oliveira - Analista Político no Record; «Perante os maus resultados, e sem que eu tivesse ouvido nenhum clamor contra a direção do clube, Bruno de Carvalho decidiu marcar uma assembleia geral para que os sócios lhe reafirmem a sua confiança. Antes de tudo, devo dizer que sou, por princípio, contra plebiscitos. Mas neste caso ainda mais. Não percebo onde raio está a liderança do Sporting em causa. Para reafirmar a sua confiança no presidente os sócios não têm de participar como figurantes em golpes de teatro.
Penso que o seu apoio merece um pouco mais de respeito do que isto. Mais: os maus resultados resolvem-se em campo, nos treinos, nas contratações. Não se resolvem em assembleias gerais ou com blackouts, na busca permanente de inimigos externos e internos. É o reverso da boa gestão de Bruno de Carvalho: parece não perceber que nem sempre é ele o centro das coisas. Sejam elas boas ou más. (...)
»

Luis Fialho - Colunista de "O Benfica"; «(...) Quanto a treinadores, tive menos dúvidas. Optei por Béla Guttman, pelo impressionante palmarés, por Eriksson, por ter revolucionado o futebol do Benfica na minha adolescência (nunca esquecerei a equipa de 82-83...), e por Jorge Jesus, por tê-lo feito nos anos mais recentes. Foi, de resto, este trio que venceu a votação, se bem que Otto Gloria, Jimmy Hagan e Toni também merecessem uma menção honrosa. Nem percebo a relativa polémica que a escolha de Jesus causou nalguns meios (mais externos do que internos): quem fere uma hegemonia de décadas do FC Porto, quem alcança todos os títulos nacionais numa temporada, quem chega a duas finais europeias consecutivas e coloca o clube no top 5 do ranking europeu, tudo com um futebol bonito e empolgante, entra claramente para a eternidade. »

Sílvio Cervan - V.P. Suplente do SLB em A Bola; «(...) O último jogo contra o Gil Vicente foi dos menos conseguidos da época. Jorge Jesus, disse no fim do jogo que os adeptos deixaram a equipa nervosa. Houve então total sintonia, porque a equipa também deixou os adeptos muito nervosos. Há razões que explicam e outros argumentos que justificam. Muitas lesões, sobrecarga de jogos, jogadores importantes fora, alguns castigos a somar, ficamos com um caldo explosivo. Mas contra o Gil Vicente só a vitória foi boa e só os três pontos são recordação de Natal. Numa noite gelada em que tivemos SuperMaxi para nos adoçar a boca. Agora resta abordar a Taça da Liga com ambição. Estamos fora da Taça de Portugal e por isso a Taça da Liga é simplesmente para tentar vencer. Começa na terça-feira contra o Nacional.
Este 'blackout' do Sporting foi uma excelente ideia. Calando o seu presidente diminui em muito a instabilidade do grupo. Como é possível que um presidente que fez tanta coisa bem feita pelo Sporting, arrumou a casa, consolidou prioridades, manteve alguma competitividade e não perdeu ecletismo deite tudo a perder naquilo que é mais fácil? Ter juízo, moderação e algum bom senso.
»

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