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Newsletter N.º 207

Pontapé de saída no Campeonato da I Liga que esta época terá mais um mês de competição fruto do alargamento que os doutorados da bola resolveram aprovar para salvaguardar alguns crónicos interesses.

Na 1ª jornada o Benfica e o FC Porto a actuarem em casa ganharam enquanto o candidato Sporting deixou 2 pontos em Coimbra. Lá se vai a previsão de Eduardo Barroso que apontava para o pleno de vitórias antes de visitar a Luz...

Problemas no Sporting com Rojo e Slimani. Se o caso Rojo foi decidido, para já, com a transferência para o M.U. (com o empréstimo de Nani por 1 época) ainda que muita água possa correr debaixo das pontes, no caso do argelino o assunto mantem-se sem resolução.

No Benfica e contrariamente ao que tudo parecia indicar, o guarda-redes contratado acabou por ser o internacional brasileiro Júlio César por 2 anos, acabando o grego Karnézis por ser descartado.

Nas provas europeias, o FC Porto demonstrou superioridade na 1.ª mão ante o Lille e, salvo qualquer surpresa, estará praticamente apurado para a Fase de Grupos da Champions.
Por sua vez os outros dois europeus (Nacional e Rio Ave) registaram duas derrotas nas deslocações a Bielorússia e à Suécia, pelo que se tornou mais difícil o seu apuramento para a fase de grupos da Liga Europa. No entanto, tudo é ainda possível.

Finalmente, a menos que aconteça algo de impensável, mais uma contratação pelo Benfica, desta vez o médio grego Samaris.


Dia 16

Fernando Guerra - Sub-Director de A Bola; «(...) Ponto relevante na jornada inaugural da Liga a titularidade do jovem Rúben Neves, de apenas 17 anos de idade, que lhe foi dada por um treinador espanhol (!), com outra preparação e outra mentalidade, a provar que deve valer a pena olhar com olhos de ver para a formação. Lance fortuito? Nascimento de uma estrela? Talvez sim e... não. Rúben inscreveu o seu nome na história, mas à parte esse registo importante é preciso esperar: de jogadores que passaram ao lado de grandes carreiras estão os adeptos cansados... É verdade, mas a pergunta impõe-se: quantos treinadores portugueses a trabalharem em clubes da Liga se atreveriam a tanto? Quantos? Hoje, destaca-se a visita do Sporting a Coimbra. Desde de 1977 que a Académica não consegue vencer o leão no seu espaço e, provavelmente, essa tendência será para manter. Marco Silva disse que Rojo e Slimani são fundamentais e que nada lhes aponta de negativo, mas, na opinião de Bruno de Carvalho, fundamental mesmo é a disciplina... »

Rui Santos - Jornalista no Record; «Mesmo no futebol-negócio, mesmo considerando e respeitando a vontade dos atletas em crescer profissionalmente, melhorando as condições financeiras, não se pode continuar a alimentar esta ideia de que os contratos, quando são assinados, não são para cumprir. Os casos de Rojo e Slimani, no Sporting, conhecem diversas "nuances", mas os clubes não podem continuar a ser tratados como se não tivessem quaisquer direitos senão pagar os ordenados e prémios aos futebolistas. Os agentes ou empresários são muito responsáveis por tudo o que está a acontecer no futebol, transformando-o numa selvajaria, sem ética nem pudor, e é tempo de começar a colocar um travão nisto, sob pena de os clubes estarem totalmente nas mãos de intermediários e de investidores - de quem nem sequer se conhece os rostos. (...) »

Vítor Serpa - Director de A Bola; «Vieira percebeu que tinha chegado o momento em que não era possível adiar por mais tempo a palavra e que o silêncio deixava de ser uma incomodidade para se tornar medo. Fez bem em falar, tal como a Benfica TV fez bem (através do profissionalismo de Hélder Conduto) em fazer uma entrevista rigorosa e digna. O resultado não foi mau para o Benfica. De uma maneira geral, o presidente saiu-se bem, muito em especial quando abordou o problema da relação com o BES. Pior esteve na justificação de contratações manifestamente falhadas, mas aí, nem que fosse um mestre mundial da oratória.»

Dia 17

José Manuel Meirim - Especialista em Direito Desportivo, em A Bola; «(...) 3. Onde está a verdade, é algo que só se pode alcançar a partir dos contratos e da prática das partes, mas fica evidente o tipo de relações que se estabelecem entre fundos e clubes. Parece-nos ainda que a FIFA não pode deixar de conhecer os contornos destes contratos e relações. Se o não fizer é porque não quer fazer, o que já em si, uma tomada de posição sobre a matéria.
4. A norma FIFA de que tão violada já nem sequer é eficaz. De todo o modo, o Sporting pode não ficar isento de sanção, caso a entidade máxima do futebol decida agir. É que para além do litígio entre as partes, sempre os contratos podem exemplificar a influência (consentida pelo clube) da Doyen na sua liberdade de contratação.
»

Luís Avelãs - Editor do Record; «(...) Mas, antes das grandes decisões, o treinador benfiquista tem de se preocupar logo com o encontro inaugural na Liga. É que o técnico nunca venceu o primeiro jogo do campeonato ao serviço do Benfica. Será desta? Condições objetivas para tal existem, mas nas épocas anteriores também estavam reunidos os ingredientes necessários e a coisa não funcionou. As águias, apesar de terem ganho os quatro últimos troféus internos que disputaram, não estão com muita margem para errar. E o discurso de Jesus, todo em alta, é uma pressão suplementar.»

Victor Bandarra - Jornalista, no Record; «Conta-se que certo cineasta português, figura de proa, recebeu certo dia um subsídio estatal para fazer um filme. Tinha apresentado um projecto de X milhares de escudos, mas foram-lhe concedidos muitos menos. Protestou mas aceitou. Viajou por Paris e, ao fim de muitos meses, apresentou a fita a quem de direito. O espanto de todos, pela fraca qualidade do produto, foi total. A resposta do malogrado cineasta fica para os anais: "Com este dinheirito queriam o quê?! Ópera?!" É por estas águas que começaram a navegar os meus amigos Zé dos Pneus, benfiquista acabrunhado, Carlitos do Talho, sportinguista confuso, e Chico da Farmácia, portista ufano, porém cuidadoso, dada a entrada vencedora do seu FC Porto. Na tasca do Marcão do Aterro, prontos para mais uma época futebolística de alegrias e sofrimentos, os três acabaram a concordar que acabou o tempo das "vacas gordas" ou, quanto muito, das "vacas vistosas". (...)»

Dia 18

João Querido Manha - Director do Record; «(...) No jogo de Coimbra, o árbitro ignorou uma estalada de Jefferson na bola, considerando que o jogador, ao saltar de braços abertos, fê-lo apenas para se equilibrar e não para impedir a bola de passar a caminho da baliza. E menos de 24 horas depois, outro árbitro, no Penafiel-Belenenses, julgou faltoso um movimento de reflexo do defesa lisboeta, perante um remate à queima-roupa. Quem vai perceber isto? O grande público não, de certeza.»

José Manuel Delgado - Sub-Director de A Bola; «É preciso recuar dez anos menos doze dias para encontrar uma vitória do Benfica na primeira jornada do Campeonato. Foi no ano do título português de Trapattoni, frente ao Beira-Mar, em Aveiro, e um norueguês de nome Azar Karadas (da escola de Martin Pringle, não se sabia muito bem se era ponta de lança ou defesa central...) assinou dois dos três golos do Benfica. Morto esse borrego, Jorge Jesus tem agora pela frente uma empresa ainda mais difícil, a de devolver os encarnados à condição de bicampeões nacionais, circunstância que não se verifica desde 1982/84, sob a batuta de Sven-Goran Eriksson, na sua primeira passagem pela Luz. (...)»

José Ribeiro - Sub-Chefe de Redacção do Record; «O Benfica que ontem acabou com a maldição de não vencer há nove anos na 1.ª jornada, apresentou a melhor equipa de entre o grupo disponível. Com Enzo Pérez no meio-campo, claro, mas apenas por 25 minutos. A meio da primeira parte já o argentino revelava problemas físicos que o impediam de dar ao jogo a intensidade que o mesmo pedia. Por isso, Jesus trocou-o de posição com Talisca (atuava junto de Lima). Também não resultou. Não era mesmo dia de Enzo. E de repente ficou à mostra o que pode ser o Benfica sem o médio finalista do último Mundial: com Talisca no miolo (onde ainda se sente perdido) e Ruben Amorim nas costas; ou com Ruben Amorim na "casa das máquinas" (onde faz quase tudo muito bem), coberto pela presença de André Almeida (ou um outro 6 que entretanto chegue, antes de Fejsa estar pronto a competir). (...)»

Dia 19

Manuel Martins de Sá - Jornalista de A Bola; «1. O presidente do Sporting quer ser o primeiro a resolver a quadratura do círculo: ter uma equipa de milhões (alheios) com salários de tostões (próprios). Os dissabores com que agora está confrontado (leia-se: as rupturas de Rojo e Slimani, a que reagiu de forma intempestiva, vão repetir-se a curto e médio prazo. A equipa tem consciência de que a sensacional campanha que realizou na época transada - graças à abnegação, esforço e empenho que sempre pôs em campo sem reservas - não serviu só para valorizar e enriquecer o clube com os milhões da Champions, mas também para elevar o estatuto dos jogadores, que agora se sentem merecedores de uma fatia do bolo. (...)»

Nuno Santos - Jornalista no Record; «(...) 1. O Benfica foi quem mais mudanças fez no plantel, se considerarmos o plantel no seu todo, e o todo é aquilo a que, sem exagero, se pode chamar o entreposto da Luz. Há jogadores contratados que nem chegam a vestir a camisola, enganos incompreensíveis, negócios que nunca são explicados. Não é de hoje e os benfiquistas deviam saber (pelo menos deviam querer saber...) que tudo isto custa. Ou então os jornalistas. No essencial - afinal, o Benfica quer ganhar títulos -, a equipa perdeu jogadores nucleares, como Oblak, Garay ou Markovic, mas está forte porque Jesus fez avançar para já, a segunda linha, que tem Salvio e outros e que era quase tão forte como a primeira. Enquanto isso vai criando uma nova fornada de Manéis, embora não provenientes da formação. Esses foram nascer e crescer longe. »

Pedro Adão e Silva - Professor Universitário, no Record; «(...) Percebe-se, em muitos momentos do jogo e, essencialmente, na dinâmica entre alguns jogadores (por exemplo, na forma como Salvio e Maxi atacam), que há muito trabalho já feito que não começou ontem. Mais, quando é preciso promover ruturas, a classe da Gaitán, Salvio e Lima emerge; da mesma forma que quando é necessário equilibrar a equipa, Luisão, Rúben e Enzo surgem.
Mas, não nos iludamos, as razões para ceticismo mantêm-se. Continuamos com uma equipa curta. Há posições chave onde há um verdadeiro vazio - basta recordar que o ano passado tínhamos três avançados com características muito distintas, mas todos de muita qualidade (Cardozo, Rodrigo e Lima), sendo que este ano temos apenas um (Derley pode revelar-se uma aposta interessante, mas ainda não o é); até ver, os reforços não reforçaram, limitaram-se a compensar, com diminuição de qualidade, algumas das saídas; finalmente, há poucas alternativas para muitas posições. (...)
»

Dia 20

Jorge Barbosa - Editor do Record; «(...) Por todas estas razões, acredita-se que a equipa portuguesa poderá ter sucesso nesta difícil eliminatória com o Lille que, à boa maneira francesa, apresenta uma boa organização de jogo, sustentada numa defesa competente e segura, embora ainda com alguns problemas na forma como dirige o seu jogo ofensivo. Compete aos dragões encontrar as melhores soluções para começar já hoje a resolver esta eliminatória, numa época em que corre muitos riscos financeiros, que, no entanto, serão suavizados caso garanta a presença na fase de grupos da Liga dos Campeões. Caso contrário; a sua estratégia agressiva no mercado abanará e com um impacto que, por agora, é de difícil avaliação. »

José António Saraiva - Director do 'Sol' no Record; «Há uns dias, li num jornal desportivo um comentário que dizia mais ou menos o seguinte: "Com os plantéis que o Benfica tinha quando foi campeão em 2010 e 2014, qualquer treinador mediano o seria. No ano passado, o estranho não foi o Benfica ganhar 3 títulos - foi não ter chegado à final da Champions". Esta "reflexão" contém dois erros primários:
1. Os plantéis não ganham campeonatos. Isto foi evidente no Manchester United: com o mesmo plantel do ano anterior, em que tinha sido campeão, ficou em 7.º na época passada;
2. Em termos de individualidades, o plantel do Benfica é de terceira linha na Europa. Prova disso é que clubes médios como o Liverpool, o Zenit ou o Valencia, vêm com toda a facilidade buscar jogadores à Luz, pois são muito mais poderosos financeiramente. (...)
»

Nuno Perestrelo - Jornalista de A Bola; «Serve para quase tudo, a formação. Nos últimos tempos passou a servir, até, para se apontar o dedo a Jorge Jesus, treinador do Benfica, que vai sendo acusado de secar a fonte de talentos que brota do Seixal para regar um continente inteiro como o Europeu.
A mitificação da excelência da formação do Benfica tem destas coisas: os mesmos que no ano passado defenderam que o Sporting, clube que melhor forma em Portugal, abdicava de discutir o título por fazer tão forte aposta em jovens prata da casa, são os que agora zurzem em Jesus por não jogar com Ivan Cavaleiro, Bernardo Silva, João Cancelo e até, porque não (?), Nélson Oliveira (mas que o despediriam caso, jogando com eles, não fosse campeão). Poderia André Gomes ter jogado mais no Benfica? Talvez sim, mas dificilmente na equipa da época passada. Este ano, no novo cenário, talvez fosse titular. Não será, porque foi vendido por 15 milhões de euros - bom negócio, sem dúvida. (...)
»

Dia 21

Carlos Barbosa da Cruz - Advogado no Record; «Não conheço o contrato de parceria que o Sporting celebrou com a empresa Doyen, relativamente ao passe do Marcos Rojo. Por essa razão, tenho alguma dificuldade em avaliar a justeza dos argumentos invocados pelo Sporting para rescindir unilateralmente esse contrato; se por um lado parece claro que a Doyen prevaricou, por outro é sabido que estas rescisões, à beira da concretização do negócio, tendem a ser vistas como oportunísticas, sobretudo quando não são acompanhadas da devolução imediata dos fundos investidos. (...) »

Leonor Pinhão - Jornalista em A Bola; «Aquela coisa de o Benfica não conseguir ganhar na primeira jornada do campeonato acabou. Já não era sem tempo. Foram dez anos de maldição do Guttmann, só pode ter sido o homenzinho outra vez.
Ou, com toda a franqueza, não é mais sobrenatural não conseguir ganhar durante uma década na primeira jornada a adversários nacionais de médio calibre (que me lembre, em casa ou fora tanto faz... Leixões, Rio Ave, Marítimo, Académica, Gil Vicente, Sporting de Braga e outra vez Marítimo) do que não conseguir ganhar oito finais europeias contra adversários de alto calibre (que me lembre... AC Milan, Inter de Milão, Manchester United, Anderlecht, PSV Eindhoven, outra vez AC Milan, Chelsea e Sevilha)? Posto isto, avancemos porque está morta e enterrada a maldição do Guttmann no que diz respeito ao longuíssimo ciclo de não-vitórias na primeira jornada do campeonato. Falta ao Benfica matar e enterrar as outras duas maldições vigentes do Guttmann, sempre do Guttmann. (...)
»

Vítor Serpa - Director de A Bola; «(...) Para o futebol português, é a cereja no topo do bolo. Benfica, Sporting e FC Porto na fase de grupos da Champions. Não é, obviamente, significativo do nível global do futebol português, mas, valha a verdade, é significativo da capacidade imaginativa e criadora dos três principais clubes nacionais.
Claro que há ainda uma segunda mão para jogar e que esta equipa do Lille pode valer mais no contra-ataque, mas o FC Porto é bem mais forte e só precisa de não se deslumbrar.
»

Dia 22

José Manuel Delgado - Sub-Director de A Bola; «(...) É curioso ver como por essa Europa fora - e nem a UEFA se deixou atrasar, como é costume - a entrada em cena do spray das barreiras foi acolhida com entusiasmo, eliminando-se como que por magia mais um foco de tensão durante os jogos.
Em toda a Europa? Não. Há um cantinho, na ponta mais ocidental do Velho Continente, onde o spray não conseguiu entrar. Por falta de verba? Por não haver, na Liga, quem mande? Por falta de vontade dos árbitros? Seja qual for a razão, a consequência é um desvalor para o espetáculo e uma menorização da própria competição nacional, incapaz de acompanhar, no básico (já nem falo da tecnologia da linha de golo, que exige meios avultados, havendo aí uma razão para que não seja implementada entre nós), a modernidade dos demais.
»

Luís Fialho - Colunista de 'O Benfica'; «(...) Adoro futebol. Ou adorava. Já nem sei. O que tenho certo é que estes meses deprimem-me enquanto adepto, e enojam-me enquanto cidadão. Depois de um Mundial fantástico, nada pior do que este rodopio de notícias de jogadores que partem daqui, de jogadores que chegam dali, de traições, de vendilhões de todos os templos, a mostrar, com indiferente soberba, que o futebol se transformou num esgoto. Por agora, está a acabar. Por agora... »

Nuno Miguel Ferreira - Jornalista do Record; «A aposta em Júlio César por parte do Benfica retoma uma linha que parecia esquecida pelos principais clubes portugueses: a contratação de guarda-redes veteranos de nomeada a nível internacional. Uma aposta que resultou em toda a linha na Luz, em 1994, com a chegada do belga Michel Preud'homme, então com 35 anos. Apesar de ter vencido apenas uma Taça de Portugal em cinco temporadas de águia ao peito, aquele que foi considerado o melhor guardião do Mundial dos EUA passeou a sua classe pelos relvados nacionais e ainda é recordado com saudade pelos adeptos benfiquistas. (...)»

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