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Newsletter N.º 202

Concluiu-se o Mundial de Futebol. Felizmente, as ameaças que pairavam foram-se diluindo à medida que a bola ia rolando nos estádios.

Como sempre, ilusões que foram sendo desfeitas, com muitas das principais equipas europeias a serem dizimadas a começar pela campeã em título. Holanda e Alemanha resistiram até ao fim, e os vaticínios que apontavam os teutónicos como favoritos concretizaram-se pois acabaram por se sagrar campeões frente à Argentina com um golo na 2ª parte do prolongamento.
A maior desilusão terá sido porventura o Brasil que terminou a sua participação na prova com duas derrotas por números expressivos.

Messi foi eleito o melhor jogador o que não deixa de ser caricato. Foi tão flagrante que o próprio jogador deve ter sentido essa injustiça. Afinal, neste Mundial, quantos jogadores não atingiram um rendimento muito superior a Messi?

A recomposição dos plantéis continua a ser feita mas com demasiados avanços e recuos. O normal para quem está dependente de uma multiplicidade de factores próprios de clubes periféricos.

Este fim de semana iremos já 'matar saudades' com o pontapé de saída do futebol com a Taça de Honra. Muitas serão as curiosidades...


Dia 12

Alexandre Pais - Jornalista, no Record; «Partiu mais um, o segundo em seis meses, dos sete maiores futebolistas de sempre, quase no mesmo dia em que nasceu uma oitava maravilha dos estádios. Depois de Eusébio, desapareceu Di Stéfano, aquele que foi para mim o maior e o mais completo jogador de todos os tempos, à frente até de Pelé, Maradona, Cruijff e do nosso "King" - tive o privilégio de ver atuar os cinco. (...) »

Marcos Pinto - Jornalista da CM TV no Record; «Foi também por isso que achei brilhante a primeira entrevista de Fernando Santos, dada à RTP, depois da eliminação da Grécia. Uma intervenção que foi a antítese daquilo a que estamos habituados. Falou do que correu mal na Seleção Nacional no Mundial, identificou as falhas sem pensar no risco que corre, que é o de deixar de estar na linha de sucessão de Paulo Bento se porventura houver uma dança de cadeiras. Sim, a frontalidade paga-se caro. O treinador contou também que foi ele o escolhido antes de Scolari, em 2004, e que Jorge Costa no Gabão foi uma proposta do... Deco. Revelações boas de ver e ouvir, é bom saber que ainda há quem renuncie ao condicionamento. »

Tomaz Morais - Treinador de Rugby em A Bola; «(...) O Brasil, com esta participação no Mundial contrastante com a Alemanha, Holanda e Argentina, fez-nos refletir: será que o modelo de formação de treinadores pode estar a precisar de reforma metodológica? Será que a filosofia de montar equipas técnicas à volta do selecionador, treinadores adjuntos e tradicional preparador físico chega? Não seria mais vantajoso um gabinete de metodologia de treino, com especialistas em diferentes áreas científicas e das ciências humanas? Um diretor de alto rendimento nas equipas técnicas modernas dos diferentes desportos mundiais tem grande utilidade, porque será que no futebol existe ainda resistência na compreensão desta matéria e continua agarrado aos tradicionais pares técnicos? (...)»

Dia 13

Fernando Guerra - Sub-Director de A Bola; «(...) Low sabe que os sete golos cravados no Brasil valem chumbo em vez de ouro se fracassar na final com os argentinos. Porque as finais são para se ganhar, como proclama Mourinho, e não para se desfrutar o prazer de lá estar, como defendem os que geralmente tropeçam na reta da meta... Se me perguntarem quem reúne mais e melhores condições para ser campeão, responderei que é a Alemanha. Se me perguntarem se é a Alemanha que vai vencer, responderei que não sei. É uma final e... ponto final. »

Luís Pedro Sousa - Chefe de Redacção do Record; «(...) A final desta noite tem, de facto, este atrativo-extra, face às transformações no modelo de jogo dos dois conjuntos, mas será sempre o génio individual a garantir o espetáculo. Apesar de Joachim Loew e Alejandro Sabella privilegiarem como é óbvio o coletivo, mesmo que isso implique o menor protagonismo das suas estrelas, é com expectativa que se aguarda pelos desempenhos de jogadores como Kroos, Oezil e Mueller ou Messi, Di María e Agüero, estes dois últimos se estiverem na plenitude das suas faculdades. »

Paulo Montes - Jornalista de A Bola; «(...) Pergunto: mas alguém viu algo de diferente na abordagem ao jogo comparando com o que este tem sido na sua forma, digamos, moderna? Terá sobrado alguma ideia ou sugestão para utilização futura? Talvez só aquela anedota da substituição do guarda-redes holandês exclusivamente para defender os penalties... passe a ironia. A grande verdade é esta: a celebração do enchido caseiro, ainda por cima feito em moldes industriais, não carecia de tanto tempo de antena! Mas como o futebol vende... »

Dia 14

António Varela - Sub-Director do Record; «(...) Para o fim, os jornalistas que acompanharam o Mundial tinham guardado uma surpresa: a escolha de Lionel Messi como o melhor futebolista da competição, merecedor da Bola de Ouro. Dizem que é preciso respeitar, mas há fortes motivos para discordar, porque, na verdade, Robben pareceu muito superior a Messi. E, como o argentino, também não foi campeão do Mundo, se era essa a condição para ganhar o prémio quando a Alemanha teve uma equipa e não um craque.»

Santos Neves - Jornalista de A Bola; «(...) Messi premiado como melhor futebolista deste Mundial é... ridículo, tocando indignidade! Nem nos 5 melhores, e nada facilmente no top 10, num campeonato que teve, em grande, o holandês Robben, o colombiano James Rodríguez, os alemães Kroos, Neuer e Muller, um pilar da Argentina, Mascherano, e... mão cheia de sensacionais guarda-redes. A indiferença, roçando desdém, com que Messi recebeu tal prémio não veio apenas de ter acabado de perder a final... »

Vítor Serpa - Director de A Bola; «(...) É evidente que em países como México (1986) - curiosamente também com uma Alemanha-Argentina na final - África do Sul (2010) ou Brasil (2014) há um maior contágio de ritmos, de cor e de exuberância na alegria. E mesmo com um Brasil entristecido pela desastrosa carreira final da sua seleção. Mesmo com um Brasil chocado por ver a sua seleção sofrer duas derrotas marcantes e memoráveis. Mesmo com um Brasil incrédulo com o afundamento do seu futebol e dos seus ídolos, o povo brasileiro não perdeu a noção da sua responsabilidade na grande final do Maracanã e deu um belo exemplo do seu caráter tão especial, tão universalista, entrando, com prazer, na festa alemã. »

Dia 15

António Simões - Jornalista de A Bola; «Mais de uma vez o disse: Cristiano Ronaldo é o melhor jogador do mundo porque Lionel Messi não é deste mundo - e era esse Messi, não sei se de Plutão, se de Saturno, que descia amiúde à Terra para ser Maradona, fazendo poesia não com a bola presa no pé, mas como se jogasse com a bola dentro do pé. (Ultimamente, isso foi bem mais raro do que os seus misteriosos vómitos em campo...) (...)»

Nuno Santos - Jornalista no Record; «(...) O primeiro dado é a chegada de um elevado número de espanhóis. São jogadores com qualidades, mas vão deixar Lopetegui prisioneiro dessas escolhas. O outro dado é a ausência de um contingente sul-americano, território onde o FC Porto fez sempre boas compras nos últimos anos. É preciso esperar para ver, mas é necessário recuar ate 2002 ou 2003 para encontrar um treinador que tenha tido igual grau de autonomia e o mesmo voto de confiança. Chamava-se José Mourinho e, com meia dúzia de aquisições de baixo custo como Nuno Valente, Derlei ou Maniche, revolucionou o futebol do FC Porto. O custo não é um detalhe. »

Paulo Quental - Editor do Record; «O FC Porto não pode fazer voltar o tempo atrás, mas bem se esforça por tomar o presente num projeto de futuro, próximo do passado de êxitos do clube. A contratação mais dispendiosa neste defeso já pertence aos dragões - 11 milhões de euros por 60 por cento do passe do avançado espanhol Adrián López - e outras se seguirão para o top das mais caras no espetro nacional, como parecem ser os casos de Tello, Martins Indi e talvez Clasie, estes dois ao serviço da Holanda no Mundial do Brasil. Os responsáveis do FC Porto sabem que os êxitos não se constroem apenas com a reputação de um treinador, mas também com jogadores à altura das exigências. Por isso já atacam a sério o reforço do próximo plantel, algo que o seu arquirrival Benfica ainda tarda em fazer. O desmoronamento da equipa campeã nacional é um facto na Luz e mesmo que a estrutura encontre os jogadores capazes de manter as águias no trilho do bicampeonato, Jorge Jesus tem um handicap: começa praticamente do zero e muito depois dos principais rivais. (...)»

Dia 16

Bagão Félix - Adepto benfiquista, em A Bola; «(...) Pelo meio, há rios e afluentes monetários. lntermediação à farta. Compensações à vista. Fundos de jogadores que os tornam divisíveis como se tratasse de um peça de talho. Sempre com o pensamento no paradoxo do regresso ao futuro... Compra-se por 10, estabelece-se a famosa cláusula de rescisão por 10 vezes 1000. Proclama-se urbi et orbi que só se vende pela cláusula de rescisão que, afinal, não é ou quando é tem direito a desconto ou saque. Definitivamente, a cor do dinheiro tudo envolve e tudo faz engolir. Não acreditem nos beijos nas camisolas. »

Jorge Barbosa - Editor do Record; «(...) Provavelmente falta ainda um guarda-redes, um trinco e um ponta-de-lança, caso Jackson saia, o que não é do interesse de Lopetegui. Daqui se infere ainda que o espanhol está a rodear-se de jogadores da sua cega confiança, o que contribui para que o balneário esteja devidamente controlado. Mas essa situação também poderá virar-se contra Lopetegui, caso os resultados não apareçam, o que não é de todo provável com tantos jogadores de qualidade, mas não é impossível. Daqui a nada se saberá... »

Luís Pedro Sousa - Chefe de Redacção do Record; «(...) Os problemas do plantel 2014/15 do Benfica não se resumem apenas ao onze-base, que se vê sem metade dos titulares. É a própria homogeneidade do grupo que está comprometida, pois, face a tamanha debandada, as segundas escolhas de outrora - cuja utilidade propiciou a gestão e a rotatividade da equipa na temporada anterior, inequivocamente determinantes para os êxitos alcançados - foram já promovidas a protagonistas.
As previsões são sempre precipitadas, mas, a pouco mais de três semanas da abertura da época oficial, o FC Porto vai na frente, seguindo-se o Sporting, que, aparentemente com a coluna vertebral da temporada anterior, dá sinais de ter agora um meio-campo com muito mais soluções. O Benfica precisa de refazer uma equipa inteira. E refazer uma equipa inteira é tarefa para vários meses... -
»

Dia 17

Fernando Guerra - Sub-Director de A Bola; «(...) O campeão em título é o Benfica, como se sabe, mas neste século XXI, nos 14 campeonatos já realizados, o FC Porto conquistou nove, o Benfica três, e o Sporting e o Boavista um cada. A diferença é significativa. Nos últimos cinco anos, Jesus ganhou em 2010 e 2014, Villas Boas em 2011 e Vítor Pereira em 2012 e 2013. E o próximo, quem será? O futuro ninguém adivinha, mas pelo andar das carruagens, a décima vai vestir-se de azul e branco...»

José Ribeiro - Sub-Chefe de Redacção do Record; «(...) Assim, de entre aqueles que este ano chegaram ao FC Porto, Evaldo é para já o único com credibilidade para substituir, por exemplo, Lucho, jogando com Herrera ao lado (se entretanto o mexicano não sair...). Mas o problema principal, o da posição 6, não está bem resolvido, apesar do dinheiro que já foi gasto.
Não nos iludamos: o FC Porto tem-nos habituado a trazer para Portugal verdadeiros craques. Com potencial de crescimento futebolístico e económico. Mas desta vez anda a movimentar-se no mercado dos "amigos" de Lopetegui. Só isso. Resultou com Mourinho, mas...
»

Leonor Pinhão - Jornalista, em A Bola; «(...) Lazar Markovic, que nos encantou a todos durante a última época, a sua primeira e última época na Luz, foi-se também embora. Agora é jogador do Liverpool. Que sorte a deles. Refiro-me aos adeptos de Anfield Road. O sérvio foi-se embora mas com elevação. Disse à chegada a Liverpool que se não fosse o Benfica certamente que não estaria ali. Passa-se o mesmo comigo. Se não fosse o Benfica certamente que não estaria aqui. »

Dia 18

Afonso de Melo - Colunista de 'O Benfica'; «O jornalismo em Portugal tornou-se há muito o País do medo. Por um lado, há um medo que eu compreendo. «O medo do desemprego é uma forma de fascismo». Por isso, uns acomodam-se, calam-se, obedecem. Outros simplesmente. não questionam. E muitos alheiam-se. É a vida-vidinha. Depois há o medo que não entendo. Directores de jornais e de televisões, chefes, editores, colunistas pagos a peso de ouro. A esses, o desemprego não atinge. Fica bem longe das suas portas e, no entanto, também viram a cara para o lado, também ignoram, repetem discursos redondos versando as mesmas não-opiniões, encolhem-se perante poderes fátuos e até grotescos. É assim na política, na economia no futebol. (...)»

António Varela - Sub-Director do Record; «Incaracterística. Insólita. Inesperada. Nunca, nos anos mais recentes, a pré-época do Benfica foi tão singular como esta. Os treinos decorrem no mais absoluto secretismo no Campus do Seixal - nome mais adequado não poderia ter, de facto - onde os jogadores estão "concentrados", longe de tudo. Das câmaras, dos magnetofones, dos consumidores do jogo, dos adeptos. Este ano não houve estágio no estrangeiro, nem jogos de preparação com qualquer espécie de adversário. Não há muito tempo, depois de 15 dias de trabalho, o treinador do Benfica já teria visto em competição moderada os jogadores de antes e os reforços, fosse frente aos padeiros de Leogang ou aos ladrilhadores de Falkenberg. Haveria matéria disponível para perceber se Talisca é "o tal", ou se Luís Felipe consegue ou não fazer sombra a Maxi Pereira. Se César tem pinta para emparceirar com Luisão, ou se Djavan pode, como nos melhores sonhos, fazer esquecer Siqueira. (...)»

João Bonzinho - Jornalista de A Bola; «(...) Com Jesus, o Benfica conseguiu nos últimos cinco anos dois títulos de campeão, duas finais europeias e mais umas quantas taças. Nesses cinco anos, o Benfica precisou para isso de um treinador competente, muitas vezes teimoso, às vezes arrogante, nem sempre correto, mas apaixonado, determinado e exigente, e, mal ou bem, defendendo as suas ideias. O Benfica precisou disso mas nunca precisou tanto de um milagre. (...)»

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