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Newsletter N.º 232

20ª jornada: O FC Porto venceu tranquilamente em Moreira de Cónegos, esperando pelo 'derby' para ver a quem ganharia pontos. Ganhou aos dois pois num jogo mais táctico de que emotivo, registou-se um empate que foi muito mais penalizador para o Sporting que manteve a distância para o Benfica e viu aumentar para 3 pontos o fosso que o separa do FC Porto.

Fora do campo destaque pela negativa do comportamento de alguns adeptos e mais um corte de relações encetado pelo Sporting, uma situação que já se vinha a adivinhar e que apenas precisava de um pretexto.

Na meia-final da Taça da Liga disputada na Luz com o V. Setúbal, o Benfica venceu com tranquilidade por 3-0. Domingo há mais desta vez para o campeonato. Que se repita.


Dia 7

Luís Pedro Sousa - Editor do Record; «1. Muito por culpa de Jorge Jesus, o tabu da renovação do contrato com o Benfica marcou a semana que antecedeu o dérbi. A frase proferida, tão sincera quanto realista "para a alcançar outros objetivos tenho de sair do país" fez emergir prematuramente uma série de questões há muito arrumadas nos arquivos, mas que mais tarde ou mais cedo até estariam condenadas a voltar ao espaço mediático. O milionário ordenado que aufere, os eventuais clubes estrangeiros interessados ou a admiração que Pinto da Costa por ele nutre foram questões que rivalizaram com a antevisão do duelo entre os eternos rivais e em que nada beneficiam a relação que o treinador mantem com os adeptos. (...) »

Miguel Cardoso Pereira - Jornalista de A Bola; «(...) Amanhã é o Sporting-Benfica. Já não é, há muitos anos, o maior jogo de Portugal. O maior jogo de Portugal é o Benfica-FC Porto. Mas é um jogo que, sente-se, vem de longe, de mais longe. Vem do início do tempo do futebol. E tem essa força, essa carga que parece fazê-lo durar para sempre.
«No Benfica-Sporting não há favorito, hoje, amanhã ou daqui a não sei quantos anos», disse Jorge Jesus na conferência de imprensa, ontem. Daqui a mil anos, acrescentaria eu.
Não interessam as boas e más ações. Ou a inevitabilidade da morte. Interessa a eternidade do nome. E o nome é Sporting-Benfica.
»

Nuno Farinha - Director-Adjunto do Record; «Jorge Jesus tem um estilo muito particular de abordar os jogos. Recorre ao bluff sem qualquer problema, raramente confirma uma alteração importante na equipa e, se entender que isso é vantajoso, fala das virtudes e até dos defeitos do adversário. Nos primeiros anos de Benfica chegou a parecer adivinho. Dizia que um jogo ia ter muitos ou poucos golos, que a estrela da noite seria determinado jogador, que o momento chave iria acontecer na primeira ou na última meia hora. Acertava quase sempre. (...) »

Dia 8

Fernando Seara - Adepto Benfiquista em A Bola; «(...) 2. Vivi muitos Sporting-Benfica para o Campeonato. À chuva e no peão ou na superior do 'velho estádio'. Com pouco sol mas bem instalado no 'novo estádio'. Fui muitos e muitos anos como mero espetador. Incógnito. Mas já fui 'conhecido' - e reconhecido sem 'prolongamento' - e percebi que somos os chamados 'inimigos necessários'. Para a minha geração - aquela que se aproxima dos sessenta anos - este derby é o 'verdadeiro'. O 'derby' capital e da capital. Em que a rivalidade está presente. Antes, durante e após cada jogo. Onde ficam memórias. Momentos de felicidade e instantes de dor. Aqui, na dor, não esqueço - estava lá! - os sete a um de dezembro de 1986, com arbitragem de Vítor Correia e, acima de tudo, a tarde histórica de Manuel Fernandes. Que bem me aviva a memória sempre que, fraternalmente, nos encontramos. Ou uma outra derrota que bem me 'custou' e que registo no meu 'diário'. Foi em finais de abril de 2001, numa arbitragem de João Ferreira e uma derrota por três bolas a zero. Com golos de Acosta, Pedro Barbosa e Beto. E que para o Benfica foi a 'pior época de sempre' já que terminou em sexto lugar num campeonato conquistado pelo Boavista.
3. Mas registo, em Alvalade, momentos de felicidade. Alguns de muita felicidade. Muita mesma. À chuva os sempre lembrados seis a três e com uma exibição 'do outro mundo' de João Vieira Pinto. Que foi substituído a dez minutos do fim por Rui Águas. E Toni deixou Rui Costa no banco e apostou, e bem, em Isaías. Ou uma outra vitória inequívoca que me fez vibrar em fevereiro de 1998 - com uma arbitragem do visiense Isidoro Rodrigues - por quatro bolas a uma com golos de João Pinto, Poborsky, Deane e do defesa direito Sousa. (...)
»

Ricardo Costa - Professor de Direito da Universidade de Coimbra; «Num campeonato em que se joga muito mais do que um título, é deveras curioso estar atento aos detalhes fora de campo da prova da 1.ª Liga. Este não é um título qualquer e maio confirmará esta tese. Este título assume maniqueísmo, duopólio e ciclo. Assim sendo, todas as semanas serão uma oportunidade para conspirar, desafiar, desestabilizar e aproveitar. (...)»

Vítor Baía - Ex-Internacional, no Record; «(...) Só ganhando todos os jogos, o FC Porto pode pressionar os rivais, como fez ontem, ganhando o seu jogo e colocando o "fantasma" de títulos recentes sobre a cabeça dos jogadores encarnados esta noite em Alvalade. Grande parte do mérito tem de ser atribuído, evidentemente, a Julen Lopetegui, que parece estar cada vez mais familiarizado com a cultura e a mística portistas. A forma como se recusa a baixar os braços, mas também as respostas que deu às provocações de Manuel José e Jorge Jesus, permitem vislumbrar um detalhe até agora oculto: os valores do dragão estão a ter mais efeito na personalidade do basco, juntando a isso as suas competências como treinador e a forma como tem gerido os recursos humanos de qualidade que tem ao seu dispor. E assim estamos, parece-me, definitivamente no bom caminho.»

Dia 9

Alberto do Rosário - Gestor, no Record; «(...) O Sporting foi um exemplo, Bruno de Carvalho riscou o fósforo e foi atiçando gasolina. Depois, suster a situação já não era para todos e, para animar a festa, arribou um bombeiro incendiário e as chamas ganharam volume. E a rolha entrou em ação. Mas não foi esta que resolveu coisa nenhuma, foram os resultados desportivos que fizeram de borracha apagadora. Reprise com revisão da matéria dada.
A paz formal tinha de chegar na semana do dérbi. Estava escrito, é dos livros. O discurso foi suave de confiança, motivador e agregador, e só falta saber a opinião de quem sofreu as vicissitudes da crise para se perceber se a paz é de verdade ou simples tréguas, a lembrar as guerras antigas em que os combates eram suspensos durante períodos de festa. Os homens nunca esquecem.
»

Alexandre Pais - Ex-Director do Record; «(...) Pormenores à parte, vejo o resultado como positivo para um Benfica pouco disposto a arriscar e que escapou à pena correspondente porque os deuses sabem que estão em falta com Jorge Jesus. Mas também positivo para o Sporting, que matou vários coelhos de uma cajadada: confirmou, com um rival cujo plantel se considera "de luxo", a capacidade dos seus "dentes de leite", recebeu a que pode ter sido a definitiva lição de que a concentração é para manter até ao fim e viu-se livre de um delírio que ameaçava voltar a pressionar com a ilusão do título - e não é o tempo.
Assim, Marco Silva e o seu grupo podem dedicar-se melhor ao que deve ser o grande objetivo para esta época: reforçar e consolidar a equipa. A reformulação do centro da defesa e a recuperação plena do enorme talento de Montero, por exemplo, são sinais de que o crescimento está aí e de que esse é o caminho. Agora, basta percorrê-lo.
»

Santos Neves - Jornalista de A Bola; «(...) Confronto renhidíssimo. Em toda a 1.ª parte, muito forte taticamente. Então, com a novidade de André Almeida fazer dupla com Samaris no centro da linha média - em vez de Talisca, ou Pizzi, bem menos possantes e dados a intensas marcações - e com claro recuo de Jonas, o Benfica conseguiu anular o ponto mais forte do Sporting, trave mestra do seu futebol: o trio do meio campo. Assim, até ao intervalo, grande equilíbrio; com o senão de não se vislumbrarem claras oportunidades de golo. Que continuariam quase inexistentes no 2.º tempo, quando o Sporting foi mesmo para cima do adversário, desde logo (mas não só) porque o ímpeto da sua linha média levou a melhor. Ainda assim, defesa a sério de Artur houve só duas. E Rui Patrício nem uma defesa teve de fazer! Escaldante de emoções... a ponta final. Golo do defesa esquerdo Jefferson, resposta do defesa central Jardel... Sabor a alguma injustiça na desolação sportinguista ao cair do pano. Festa benfiquista porque a derrota, e suas sequelas, esteve por fiozinho. Importante: este jogo confirmou que, perdido Enzo e lesionado Gaitán, as alternativas no líder deixam muito a desejar... E o campeonato pouco passou de metade. (...)»

Dia 10

Fernando Guerra - Sub-Director de A Bola; «(...) Deste ponto de vista, os adeptos benfiquistas poderão responder que mais vale um ponto na mão do que nenhum. Sem dúvida, mas o problema é outro. No caso, para memória futura, mais relevante do que o resultado é a atitude, a preparação diária e, neste particular, volto a trazer à colação uma dúvida para a qual continuo sem conhecer a resposta: será que a nação benfiquista, admito que satisfeita com o resultado do 'derby', aplaude o tipo de comportamento receoso e apagado que se registou no domingo, ou se, por outro lado, mesmo com riscos, privilegia a assunção da classe e do valor que o plantel possui?
Eis a diferença entre este 'Benfica à Jesus', excluído das competições europeias e eliminado da Taça de Portugal, em que o treinador recorrentemente elege a primeira pessoa do singular, e se sobrepõe à própria instituição que generosamente lhe paga, e o autêntico 'Benfica à Benfica', com total liberdade para cada qual atribuir à expressão o significado que lhe aprouver. (...)
»

Miguel Sousa Tavares - Adepto portista em A Bola; «(...) 3. Na véspera do 'derby' de Lisboa, Bruno de Carvalho, certamente já farto do silêncio auto-imposto, resolveu quebrar mais um dos eternos 'blackouts' com que o Sporting julga chamar as atenções. Ansioso por voltar à ribalta das notícias, o presidente sportinguista brindou a opinião pública órfã com mais um dos seus habituais 'dazibaos', que sempre obedecem a três parâmetros: a extensão, as dificuldades de redacção e o auto-elogio. Dei-me ao trabalho de o ler, na íntegra. Em suma, fiquei sem compreender, quer as razões pertinentes do 'blackout', quer as razões pertinentes do fim do 'blackout'. Em contrapartida, fiquei a saber que nunca, jamais, em caso algum, o presidente do Sporting sequer ponderou o despedimento do treinador. Foram tudo invenções, ou dos jornalistas, ou de gente maldosa que, lá dentro, conspira para lhe roubar o lugar. E aqueles que, como José Eduardo, se pronunciaram como se fossem intérpretes do pensamento presidencial, afinal não passaram de usurpadores, agindo sem mandato e presumindo o que não lhes competia. Não há nada melhor que histórias com final feliz.
4. Em Alvalade, um imenso cartaz, mostrando um altivo rapazinho equipado à Sporting de um lado, e dois monstros equipados à Benfica e Porto do outro, rezava assim: «Mais vale só e honrado do que mal acompanhado». Certamente que se estavam a referir ao acordo de emergência celebrado entre quase todos os clubes, incluindo Benfica e Porto e não o Sporting, que salvou a Liga da bancarrota e lhe permitiu agora assinar um contrato de patrocínio que assegura a sobrevivência para as próximas épocas, afastando a inepta e desavergonhada Direcção protegida pelo Sporting. Se isso não tem acontecido, não haveria cartaz em Alvalade. Porque não haveria, sequer, campeonato em disputa. A solidão ainda vá, mas o que terá a honra a ver com isto?
»

Nuno Santos - Jornalista no Record; «Jorge Jesus pode perder o campeonato já não era a primeira vez que aconteceria tendo um avanço consistente -, mas é hoje um treinador que domina todas as variantes do jogo, do seu e dos adversários, Isso nota-se pela forma como escala a equipa, como a posiciona e até na forma como responde aos jornalistas durante as conferências de imprensa ou as chamadas "entrevistas rápidas". Fala de futebol sem recorrer ao futebolês tão na moda com as transições para aqui e os blocos baixos para acolá. É certo que a época de Jesus, ao contrário da de Julen Lopetegui, está totalmente dependente da Liga. Ele sabe isso tão bem que em Alvalade escolheu o caminho do pragmatismo em vez de andar em aventuras. Quase ia correndo mal, mas, no fim, acabou por correr de acordo com o plano.»

Dia 11

Jorge Barbosa - Editor-Chefe do Record; «Para trás ficou o jogo com o Benfica, numa jornada em que o Sporting teve bom comportamento. O reconhecimento da identidade da equipa de Marco Silva, apesar dos seus frágeis recursos comparando-os com Benfica e FC Porto, foi dado aliás por Jesus, quando desrespeitou a forma de jogar do seu Benfica - sempre de iniciativa e nunca de expectativa na Liga portuguesa, e o que se verificou, em Alvalade, foi precisamente o contrário -, o que deve ser interpretado como um sinal de alto respeito pelo adversário. Digamos que Jesus fez lembrar Trapattoni, um treinador italiano que foi bem sucedido no ano em que esteve na Luz, ao garantir o título de campeão português e sempre com o foco no resultado e nunca na exibição.
Com este empate tão injusto quanto cruel para o Sporting, que deste modo viu atrasada a sua candidatura ao título, não lhe resta alternativa senão manter os seus princípios de jogo, o que não será missão complicada, atendendo ao facto de ter um líder forte, Marco Silva, com uma autoridade que, no entanto, precisa de ser fortalecida e essencialmente abençoada por cima. (...)
»

José António Saraiva - Director do 'Sol' no Record; «(...) O maior problema do Benfica, porém, é que não dispõe neste momento de um jogador que seja a "referência" da equipa. Que recue, segure a bola, avance e empurre os colegas para a frente. Já teve grandes jogadores nessa função: Aimar, Ramires, Witsel, Matic, Enzo Pérez - mas com a saída deste ficou sem nenhum. Talisca não tem essas características, Gaitán pode fazer um pouco esse papel mas não jogou, Pizzi é o que dispõe de mais condições mas falta-lhe ainda estatuto. Foi dele, contudo, o providencial balão de que resultou a igualdade.
Em Alvalade, o Benfica obteve um empate que soube a vitória, salvando-se à tangente de uma derrota que seria psicologicamente devastadora. Mas a 2.ª volta ainda vai no adro e o Benfica já perdeu tantos pontos como em toda a 1.ª volta. Arrisco um palpite: o campeão será o vencedor do clássico da Luz com o FC Porto. É que, se perder esse jogo, o Porto terá de recuperar 8 pontos nos outros 14 desafios. Porém, se ganhar, é como se estivesse agora a um ponto do Benfica
»

Nélson Feiteirona - Jornalista de A Bola; «A semana passada não fiquei mesmo nada surpreendido com o que disse Enzo Pérez em Espanha. O talentoso jogador argentino recordou a transferência do Benfica para o Valência, em janeiro deste ano, e desabafou que o negócio entre os dois clubes demorou tanto que mais pareceu uma «novela», e que «dois dias» foram suficientes para resolver a parte dele com o Valência. Curioso, porque foi este mesmo Enzo que no Mundial do Brasil destratou um jornalista português, parecendo o destrato extensivo a todos os portugueses, para depois, mais tarde, vir explicar que não era bem assim e que apenas se enfureceu porque em Portugal não paravam de noticiar que ele estava de saída do Benfica e que isso não era verdade, que eram apenas novelas.
Menos surpreendido fiquei quando Jackson Martínez, no domingo, disse claramente que está convencido de que irá «seguramente» sair do FC Porto no próximo verão. Não fiquei surpreendido porque o colombiano tem sido de uma frontalidade e honestidade públicas admiráveis e porque ele já o tinha dito mais de uma vez, com os media a darem eco a possibilidades de negócio que, provavelmente, iremos descobrir mais à frente, deveriam ser apenas episódios de outra novela. (...)
»

Dia 12

Bruno Prata - Jornalista, no Record; «(...) Àqueles dois quesitos imorta acrescentar um outro, talvez o mais determinante: o Benfica não treina para jogar assim, o que lhe retira rotinas e precisão. Ou seja, Jesus não pode andar um ano a treinar e a jogar de forma desequilibrada e depois esperar que tudo funcione com harmonia quando ensaia apressadamente uma solução mais equilibrada do ponto de vista defensivo frente a adversários mais competentes. Mas sejamos justos: desta vez até preferiu soluções menos exóticas do que noutras situações idênticas, a principal das quais, já se sabe, foi quando colocou David Luiz a lateral para travar Hulk... Finalmente, importa responder a uma pergunta: no jogo de Alvalade foram as estratégias que condicionaram o talento ou efetivamente houve falta de talento? Salta à vista ter sido um misto das duas coisas, sendo certo que essa responsabilidade cabia principalmente a Salvio e a Nani, que nem um livre direto à sua medida arriscou marcar.»

Leonor Pinhão - Jornalista em A Bola; «(...) No dia seguinte, o dia propriamente do 'derby', e para os mais distraídos, o presidente do Sporting relembrou o tema cadente do seu aniversário. No dia seguinte aconteceu a mesma coisa mas já em jeito de agradecimento pelos «parabéns» recebidos que só podem ter sido muitos mas que poderiam ter sido muitos, muitíssimos mais.
Está no seu pleníssimo direito. É o presidente e fazia anos. E certamente tinha conhecimento da festa de anos de Cristiano Ronaldo em noite de 'derby' madrileno e quis associar-se com a sua efeméride num duplo megaevento peninsular.
Fica, no entanto, a pairar no ar a sensação de que, em termos práticos, o fim do 'blackout' não teve outro objetivo senão o de anunciar que o presidente fazia anos no dia do 'derby'.
Tivesse o Sporting conseguido ganhar o jogo, como esteve tão perto de conseguir, e a data do aniversário do presidente ainda passava a «tema essencial» na vida do clube. (...)
»

Pedro Guerreiro - Jornalista, no Record; «(...) Acontece que desta vez o Sporting tem razão. A provocação da claque benfiquista no jogo de futsal foi raivosa, sádica e estúpida e só podia ter provocado uma reação do Benfica: a de repúdio total. O Sporting foi desrespeitado e a família de um sportinguista morto num estádio por um very light atirado por um membro de uma claque merece no mínimo um pedido de desculpas. E como ódio gera ódio, e o Benfica não isolou institucionalmente os autores da provocação de ódio, a violência escalou para o jogo de fim de semana.
Um corte de relações não serve para nada. Mas é chocante como o Benfica não faz o mínimo esforço para reparar o mal que aqueles em seu nome fizeram.
»

Dia 13

José Manuel Delgado - Sub-Director de A Bola; «O último fim de semana foi fértil em casos que traduzem um assinalável retrocesso civilizacional no futebol português. Pelo que foi visto no Pavilhão da Luz e no Estádio José Alvalade, assistir a espetáculos desportivos vai passar a ser coisa de trogloditas, que procuram espaços que deviam ser nobres para agressões físicas e verbais. As pessoas normais não podem querer misturar-se com energúmenos que fazem da violência uma forma de vida. Nem podem aceitar que tudo isto aconteça perante a complacência dos clubes, da Liga, da FPF e dos tribunais.
Os clubes não fazem o que lhes compete: ao não punirem os adeptos e sócios que assumem comportamentos indignos, tornam-se deles cúmplices. Em todos os clubes, perdoem o exagero do maniqueísmo, há bons e maus, não são maus todos os de uma cor e bons todos os de outra cor. Porém, ao permitirem a impunidade dos maus, os clubes estão a afastar os bons dos estádios. (...)
»

José Ribeiro - Editor-Chefe do Record; «Um golo obtido nos descontos provocou esta semana uma onda de indignação impressionante. Nasceu de um lance irregular? Não. Foi marcado para lá do tempo de compensação atribuído pelo árbitro? Também não. Se tudo ocorreu dentro daquilo que a lei prevê, então por que ganhou dimensões anormais? Porque aconteceu no dérbi Sporting-Benfica, favoreceu as contas dos encarnados e deixou os leões praticamente arredados da luta pelo título. O que serviu de "motor de arranque" para uma sucessão de ataques ao velho rival. (...) »

Ricardo Santos - Colunista de 'O Benfica'; «Durante as últimas semanas, assistimos a quase tudo o que o mundo do futebol tem de mau. Começámos a ver o Benfica perder em Paços de Ferreira num jogo em que poderia ter goleado. Um penálti nos momentos finais quase deu origem a festa no Marquês e na Avenida dos Aliados. Parecia que o Campeonato tinha chegado ao fim e que uma derrota no estádio da Capital do Móvel tinha dado três pontos ao Paços, sete ao segundo classificado e oito ao terceiro. Na semana que se seguiu, não faltaram os profetas da desgraça a anunciar o fim da linha. Para além dos anti-Benfica aquela tribo primitiva que, na vida como no desporto, fica mais feliz com a desgraça dos outros que com as suas vitórias - logo apareceram os oportunistas. São aqueles adeptos do Benfica - serão? - que sempre saem na comunicação social quando o clube perde. Os seus contactos telefónicos estão sempre à mão para encher páginas e fazer favores. (...)- »

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