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Newsletter N.º 205

Continua a saga das derrotas do Benfica. Na Emirates Cup depois de ter sofrido uma goleada do Arsenal, o Benfica voltou a baquear perante o Valência, desta vez com uma 2.ª parte preocupante.

Vem agora aí e desta vez já é oficial, o primeiro troféu da época com o Rio Ave. Algumas dúvidas ainda sobre a composição da equipa em particular sobre a completa recuperação dos lesionados mas à medida que o dia se aproxima, o panorama vai-se desanuviando. É um jogo para vencer; ganhando faz-se a obrigação, perder ajuda a ensombrar ainda mais o ambiente.

Várias saídas incluindo de jogadores da formação tiveram lugar, e também Óscar Cardozo seguiu o mesmo caminho. Um adeus e um agradecimento que não pode deixar de se sublinhar ao maior goleador estrangeiro da história do Benfica.

Possíveis saídas continuam em cima da mesa, e até ao fim de Agosto será um viver de expectativas...


Dia 2

Alexandre Pais - Jornalista, no Record; «O Benfica tarda em encontrar o pé e a impaciência aumenta nas suas hostes. Sinal de falta de qualidade dos "reforços" ou antes uma amostra do que aí vem? Lembro-me sempre de uma Taça de Honra da AFL, em mil novecentos e troca o passo, em que o Benfica foi goleado pelo Belenenses (5-0), na abertura da época, para depois, no campeonato, se sagrar campeão. Tenham calma, não se excitem. »

Fernando Guerra - Sub-Director de A Bola; «(...) No pensamento de Jorge Jesus, porém, nesta fase, apenas há jogos de treino para preparar a época que se avizinha. Argumento que desvaloriza o saldo preocupantemente negativo da águia (2V-4D), embora verdadeiro. Estes jogos contam pouco, mas têm significado histórico, razão pela qual se exige um Benfica há altura da grandeza que o mundo lhe reconhece no jogo de logo, com o Arsenal. É o mínimo... »

Rui Santos - Jornalista no Record; «(...) É neste ambiente que se enquadra a crise que se instalou na Liga. Não é uma crise da Liga, atribuível a este ou àquele presidente. E uma crise institucional no futebol português. E uma crise que revela escassez de argumentos. É uma crise que denuncia o umbiguismo dos protagonistas. É uma crise que demonstra que esta e outras corporações estão no limite da sua capacidade de resposta. É o paradigma que está em causa. Faliu. As intenções de os clubes ("grandes") se sentarem à mesa não é nada porque o bloqueio prossegue. Talvez seja importante reflectir nas palavras de Carlos D. Pereira, presidente da AG da Liga: "Quem não quiser entrar no sistema e na roleta deles, quando puser o pé no risco vai imediatamente para o assador". Só queria perceber entretanto como é que bons ordenados de administradores dão para vidas tão faustosas. E aqui estamos de volta aos interesses da corporação, aos silêncios, às ameaças e às (teatralizadas) indignações. Ai arrebenta, arrebenta...»

Dia 3

Fernando Seara - Adepto Benfiquista em A Bola; «1. A tribo benfiquista está inquieta. E naturalmente preocupada. Principalmente depois daquela primeira parte de ontem no jogo de Londres frente ao Arsenal. Bem sabemos que a pré-época passada também nos suscitou angústias e que o primeiro jogo da Liga foi, na Madeira, bem frustrante. Mas, agora, sente-se que falta ânimo. Ânimo coletivo, ânimo do relvado para as bancadas, ânimo das bancadas para o relvado. É o tempo de toda a estrutura diretiva dar a cara. Motivar. Dizer, e escrever que acreditam. É que, como escreveu Abraham Lincoln, «só tem o direito de criticar aquele que pretende ajudar». Agora! (...)»

José Ribeiro - Sub-Chefe de Redacção do Record; «(...) Assim se chega ao desastre de ontem. Mesmo em pré-temporada, um resultado tão negativo faz mossa. No prestígio do clube, em primeiro lugar, mas também nos próprios jogadores, que podem começar a questionar-se acerca da certeza do treinador em refazer com êxito a equipa. Essas dúvidas, normalmente, são o princípio do fim de uma ideia. Por isso, de repente, a Supertaça ganha nova relevância, como oportunidade para recolocar os níveis de confiança no patamar em que se encontravam no final de 2013/14. Em 2010, depois das saídas de Di María e Ramires, Jesus manteve-se otimista. Até perder a Supertaça para o FC Porto de Villas-Boas e viver a pior das cinco ligas pelo Benfica. Quem não aprende com os erros... »

Rogério Azevedo - Jornalista de A Bola; «Um dia cheguei a assinar pelo New York Times. O jornal acabara de perder um dos seus mais cotados redatores (emprestado pelo Chicago Tribune) e viu-se na contingência de arranjar alguém barato e sem grandes referências: eu. Deram-me secretária, máquina de escrever, borracha, lápis e uma resma de folhas A4. Cheguei até a fazer uma reportagem que teve chamada de primeira página. Estava, pois, a gostar. Porém, estive lá pouco mais de um mês. A direção encontrou um redator mais experiente e competente e, por isso, cedeu-me ao Detroit News. Ninguém percebeu porquê. Para que me foram buscar se depois me venderam? Não faz sentido, pois não? Alguém ganhou dinheiro com a minha compra e posterior venda? Não sei. Para que me contrataram quando já sabiam que o redator desejado estava no desemprego há mais de dois meses? Nunca percebi. E se alguém vê, nesta história, semelhanças com a saída de Djavan do Benfica para o SC Braga, engana-se. Nada tem a ver. (...)»

Dia 4

João Querido Manha - Director do Record; «(...) Os sinais de que a nova época não estava a ser bem preparada eram evidentes em várias situações, não apenas as da recomposição de um plantel amputado de metade dos titulares, mas até a da própria configuração do estágio, que levou à realização de quatro jogos em seis dias, em dois países diferentes. Acima de tudo, um sinal de que Jorge Jesus poderia estar a perder o controlo da situação - por mais que os "reguladores" venham apelar à tranquilidade e garantam que o Benfica continuará forte e poderoso, sem necessidade de uma recapitalização. »

Santos Neves - Jornalista de A Bola; «Soma e segue... o descalabro do Benfica. Parece perfeito modelo de como, num ápice, se destrói um campeão! E finalista da Liga Europa em duas épocas consecutivas. Sporting e FC Porto dão ideia de irem no bom caminho, acertando agulhas no ritmo competitivo, ambos com novo treinador e construindo plantel com potencial superior ao da anterior temporada. Do Benfica que tudo açambarcou em Portugal e bisara regresso aos palcos de finais europeias, quase só resta... o treinador. Oblak, Garay, Siqueira, André Gomes, Rodrigo, Markovic e Cardozo já partiram (a soma dá 7!), Enzo Perez está na porta de saída e Gaitán perto dela estará. Palavra de ordem: reconstruir quase tudo. Não se faz carregando num botão, leva tempo. Bem mais importante, mesmo decisivo: com que qualidade de 'material'? (...)»

Sérgio Khritinas - Editor do Record; «(...) Agora, com menos de um mês de mercado pela frente, será difícil ao Benfica comprar bem. Os clubes médios de campeonatos médios (Bélgica, Holanda, Sérvia e até Grécia), onde os encarnados normalmente fazem um bom recrutamento, já venderam o que tinham para vender e agora fazem-se caros, pois não querem perder os melhores futebolistas que têm numa altura tão adiantada. Sobram os endinheirados, em especial ingleses, espanhóis, franceses e alemães, mas desses... só podem vir as "sobras". Aí, os riscos aumentam, pois tratam-se de futebolistas com salários mais altos e que, normalmente, chegam a Portugal por empréstimo. Podem remediar, claro, mas dificilmente serão a solução para o futuro do clube. »

Dia 5

Fernando Guerra - Sub-Director de A Bola; «(...) E agora? Vai sobrar para Luís Filipe Vieira, como tem sido costume quando algum rombo perturba a navegabilidade da embarcação. Enquanto dura o baile ninguém se lembra que existe. Jesus reparte mal as vitórias, mas quando perde depressa procura um culpado, o que estiver mais à mão... Neste caso, o presidente, a quem acusa de lhe empobrecer o plantel ao esventrá-lo da suas principais figuras. E parece contar com apoios de peso na promoção da campanha. Eis os amigos de Vieira, em boa forma no mal dizer e... a confirmarem que é possível ir tão longe com menos meios. »

Hermínio Loureiro - V.P. da FPF em A Bola; «(...) Convém olhar para a seleção da Alemanha e da Sérvia e perceber que aqueles jovens estão a jogar no principal campeonato do seu país, coisa que não acontece aos nossos jovens, que ou emigram ou jogam em campeonatos muito inferiores. Os nossos jovens são bons, estão entre os melhores da Europa e do Mundo, mas precisam de jogar mais tempo. Importa ter coragem de apostar. Merecem mais oportunidades. »

Pedro Adão e Silva - Professor Universitário, no Record; «(...) No fim, o mais insólito de tudo isto: a crer no que se tem passado, o porta-voz do Benfica é Jorge Jesus. Nas últimas semanas tem sido o único a dar a cara. É altura de os dirigentes explicarem o que se está a passar. Se temos de fazer uma reestruturação financeira, que nos seja dito. Se perdemos ao mesmo tempo três parceiros estratégicos (o BES, Jorge Mendes e o Real Madrid - será que é a venda de Garay que explica a ida de Casemiro para o Porto?), é bom que nos seja explicado. O que não é aceitável é nada sabermos e andar-se a fingir que a senda vitoriosa da temporada transata é para continuar.»

Dia 6

Bagão Félix - Adepto benfiquista, em A Bola; «(...) O Benfica que tem nas suas três cores fundacionais (vermelho, branco e preto) muitas alternativas (2013/14 foi um bom exemplo) volta a cores indefinidas. Mesmo sem daltonismo, imagino a discussão: cinzento-escuro, cinza-ardósia escuro, cor de rato, quase índigo, magenta profundo, etc...? Já agora, por que razão o encarnado do futebol é diferente do vermelho de outras modalidades (por exemplo, no basquetebol é um vermelho tinto)? Há clubes que mantêm galhardamente as suas cores: a Académica, o Vitória de Guimarães, o Belenenses, entre outros. Eu gosto. (...)»

José Ribeiro - Sub-Chefe de Redacção do Record ; «(...) O campeonato português não é fácil, mas está longe das dificuldades das ligas alemã, inglesa ou espanhola. Não é nessas que o Benfica joga, embora possa defrontar representantes desses países na Liga dos Campeões (onde os problemas podem ser... enormes). Dentro das nossas fronteiras, mesmo este Benfica sem cinco titulares da época passada consegue lutar com FC Porto e Sporting pelo 1.° lugar. Mas lutar é uma coisa e chegar à frente é outra bem diferente. No quadro atual, acredito que o Benfica possa lutar pelo título, mas duvido que o conquiste. E neste quadro atual ainda estão na Luz jogadores como Enzo Pérez e Gaitán. Sem eles, o cenário ficará muito negro. (...)»

Santos Neves - Jornalista de A Bola; «Nenhuma dúvida: o FC Porto vai partir na pole position para o campeonato. Com o Sporting dando sinais de estar decidido a espreitar oportunidade de ultrapassagem, no mínimo repetindo surpresa da época anterior. E com o Benfica campeão subitamente descontrolado, confuso, aos papéis na fulgurante destruição dos pilares de excelente equipa e na evidência de serem muito frágeis os novos alicerces. (...)»

Dia 7

João Querido Manha - Director do Record; «Enquanto se roem unhas na esperança de que setembro chegue mais depressa do que as propostas irrecusáveis por Gaitán e Enzo Pérez, o Benfica vai arrumando a casa. E que arrumação! Ontem, mais duas esperanças da formação, João Cancelo e Ivan Cavaleiro, foram libertadas para clubes espanhóis, onde procuram as oportunidades que escasseiam por cá. Para o Benfica, estas cedências representam a perda de confiança na evolução destes jovens até ao nível da equipa principal. Para os jogadores significa entrar no mercado real, um passo atrás nas carreiras, disfarçado de evolução através do apelo de uma liga mais forte e mediatizada. Onde eles, dificilmente, terão mais sucesso. As tais oportunidades aos jovens talentos são incompatíveis com as ambições dos clubes portugueses principais, porque há um buraco negro no processo formativo. Uma Luz que já se apagou...»

Luís Pedro Sousa - Chefe de Redacção do Record; «(...) Mas a pré-época do Benfica não fica apenas marcada pelas derrotas e pelos desempenhos pouco convincentes das caras novas. O próprio calendário cumprido foi, no mínimo, bizarro. Após duas semanas sem qualquer particular agendado, os encarnados começaram a fazer jogos em catadupa, numa base quase diária. Face à necessidade de dar algum descanso aos potenciais titulares, Jesus nem sequer pôde lançar as bases para um onze-tipo. »

Vítor Serpa - Director de A Bola; «(...) Talvez que o problema maior de Lopetegui seja o de conseguir gerir expectativas. É natural que, com tanta gente nova, haja muita ambição não confirmada, o que até poderá acontecer entre jogadores mais cotados. Não terá, no início,uma vida fácil, mas também não se esperaria que a tivesse. Tudo dependerá, como sempre, dos resultados. O sucesso é sempre a única maneira de um treinador provar a sua razão, a sua competência e a sua autoridade. Que ninguém tenha dúvidas. O FC Porto apostou as fichas todas no regresso ao título de campeão nacional e logo numa altura em que o seu principal adversário parece em dificuldade. Para já, tem tudo para dar certo.»

Dia 8

Afonso de Melo - Cronista de 'O Benfica'; «1. Que a justiça em Portugal se deve, de há muito tempo para cá, escrever com letra minúscula, é algo de evidente. Por causa da impreparação de novos juízes que envergam a beca antes de saberem o mínimo da vida e das relações humanas; pelo exagero legislativo levado a cabo por aqueles que montaram as armadilhas necessárias para não correrem o risco de serem apanhados nas curvas judiciárias; pelo advento de um novo poder baseado na prepotência dos medíocres e na ínvia força das protecções políticas. (...)»

António Magalhães - Redactor Principal do Record; «(...) É, pois, num quadro de absoluto desmazelo e indigência que os prestigiados campeonatos nacionais (e profissionais, sublinhe-se) estão a ser tratados. Uma negligência que deve ser naturalmente assacada a uma Liga que mais parece um sem-abrigo à espera que alguém se digne dar-lhe alguma atenção. A "comissão de salvação", criada por proposta do Benfica, estará, seguramente, a fazer um trabalho meritório e com o caráter de emergência que a situação exige. Sem esperar milagres, e enquanto não aparecer alguém que ponha mão nisto, apenas se deseja que a competição seja cuidada com a dignidade que os seus 80 anos de história merecem.»

José Manuel Delgado - Sub-Director de A Bola; «(...) Ivan Cavaleiro e Bernardo Silva foram emprestados a Deportivo da Corunha e Mónaco, respetivamente (haverá alguma cláusula de compra, terminados os empréstimos?), e fica a pairar uma enorme curiosidade, com várias vertentes: Será que vão singrar? Será que um clube como o Mónaco, que é do primeiro mundo, vai oferecer oportunidades que o Benfica não consegue? Esta matéria do aproveitamento da formação permite abordagens demagógicas e irrealistas. Mas, sem que se entre numa abordagem maniqueísta (o mundo não é a preto e branco...), fica claro que a aposta nos jovens não faz parte do conjunto de qualidades de Jesus e essa circunstância marca a atual política desportiva do Benfica.»

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