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Constatações
Rui Santos, jornal Record
7 de Abril de 2011





Na sua crónica de hoje, o jornalista Rui Santos (RS) volta a fazer uma abordagem generalista sobre o percurso e a forma como Pinto da Costa logrou atingir no pós-revolução de Abril o controle do futebol português.

Sendo uma análise genérica e sintética porque a sua extensão não caberia em vinte crónicas similares no espaço, RS fá-lo de uma forma muito ligeira, politicamente correcta e descomprometida, que nada diz às últimas gerações que não assistiram, visto que o que manifestamente sempre importou  ás massas ululantes, é o êxtase final (as vitórias), sendo discipiendo atribuir qualquer importância à forma como foram obtidas.

Concordamos genericamente com a forma como aborda a sequência dos acontecimentos desde finais dos anos 70, mas se nós o entendemos, os mais distraídos, aqueles cuja memória já não é o que era, e as últimas gerações nem uma vaga ideia têm do que aconteceu, e como tal não conseguem ler na profusão das entrelinhas que RS deixa para os mais atentos e mais conhecedores da evolução dos acontecimentos.

No que ao Benfica diz respeito e disso já aqui fizemos eco, houve de facto presidentes que nunca perceberam o alcance da estratégia de Pinto da Costa e se submeteram, alguns passivamente, aos seus ditames e com isso serviram de trampolim para a consolidação do seu domínio, com o consequente afundamento dos encarnados até atingirem níveis muito próximos dos que se encontra actualmente a República Portuguesa.

Naturalmente que a facilidade com que o presidente portista conseguiu esse domínio quase absoluto dos meandros do futebol e dos poderes paralelos que foram dando sistematicamente cobertura a essa dominação, redundaria num certo desleixo da sua parte, e se recuperarmos algumas ocorrências ao longo do período, veremos que só aconteceram porque Pinto da Costa e os seus ajudantes de campo se convenceram que nada poderia acontecer, uma vez que todas as vertentes estavam controladas em absoluto.

Voltamos a concordar com RS quando ele aborda a temática de Pinto da Costa «ter conhecido 7 presidentes (Fernando Martins, João Santos, Jorge de Brito, Manuel Damásio, Vale e Azevedo, Manuel Vilarinho e, desde 2003 Luis Filipe Vieira) e nenhum deles ter achado a melhor forma de lidar com ‘as duas caras’ do líder azul e branco».

No entanto discordamos de ter incluído ao mesmo nível todos os presidentes na sua salada, porquanto afigura-se-nos que em vez de uma salada mista, deveria ter tido o cuidado de não misturar os ingredientes, para mais fácil entendimento das gerações que não acompanharam o modo de actuação de cada um.

Se no caso do primeiro, o poder de Pinto da Costa ainda não estava solidificado e o que Fernando Martins representava era absolutamente necessário e vital para a sua estratégia e que perdura nos dias de hoje, já João Santos teve que fazer face ao poder do Sistema numa fase ascensional e muito próximo do pico do domínio, e Jorge de Brito (um dos mais puros e quiçá mais ingénuos presidentes do Benfica), encontrou o Benfica numa fase de derrapagem acentuada e muito próxima do abismo, que Manuel Damásio não só não conseguiu inverter como ainda conseguiu acentuá-la mais. Recorde-se a propósito durante o seu mandato, a limpeza de balneário de Artur Jorge e a sua promoção para presidente da Liga incentivada e promovida precisamente por Pinto da Costa.

O seu sucessor (João Vale e Azevedo) começou por diagnosticar correctamente a natureza e o tipo de inimigo que tinha que enfrentar, mas a dimensão das forças que tinha pela frente, aliada à sucessão de expedientes a que recorreu, conduziram o Benfica a um dos mais negros períodos da sua história, logo sem qualquer eficácia.

Manuel Vilarinho foi como que um líder de transição em que, perante a gigantesca herança que herdou potenciada sobretudo pelo seu antecessor e das tarefas que tinha pela frente, não lhe deixaram tempo para se debruçar em profundidade sobre muito mais que não fosse a tarefa prioritária – recuperar a imagem e a credibilidade do Benfica e deitar em simultâneo mãos à obra noutra vertente transcendente, uma vez que se aproximava o Euro 2004.

Já Luis Filipe Vieira que enquanto presidente do Alverca tinha inclusivamente relações pessoais com Pinto da Costa, a partir do momento em que assumiu o cargo de presidente do Benfica e continuou a tarefa iniciada por Manuel Vilarinho, ficou imediatamente sujeito á dicotomia das duas caras de que falou RS.

Se porventura  a sua actuação fosse de molde a satisfazer a estratégia de Pinto da Costa e não beliscasse o seu poderio as excelentes relações manter-se-iam, tal como já tinha acontecido com dois dos presidentes focados por RS. Publicamente manter-se-ia o disfarce do presidente portista, quiçá até alguns elogios para realçar as boas relações institucionais existentes e eventualmente alguns convites para passeios de barco no Douro com a família.

Caso optasse pela reorganização e lutar na frente desportiva pondo de alguma forma em causa a hegemonia do FCPorto, bem a partir daí começariam os fait-divers tendentes a adulterar as relações entre os clubes e daí até à guerra institucional seria um pequeno passo, porque sabe-se como é fácil arranjar pretextos para isso. Foi portanto sem surpresa o que aconteceu.

O eclodir do conflito só atingiu as proporções que se conhecem, porque LFV e não só, se atreveram a denunciar o compadrio e a corrupção que servia de suporte e estava na base das vitórias incontestadas que o FCPorto vinha registando desde há longos anos a esta parte.

Várias outras personagens de outras origens e em diversas ocasiões, já tinham dado a entender que havia corrupção, que havia resultados encomendados, mas para além de fugazes declarações públicas que não passaram de isso mesmo, e os seus autores foram rapidamente neutralizados pelas forças vivas do Sistema e as autoridades desportivas fingiram orelhas moucas não fossem elas desde sempre coniventes. Até o próprio MP não era nada com ele...

A persistência que LFV demonstrou (há que reconhecê-lo), aliada a uma nova Comissão Disciplinar descomprometida (o que não sucedia há anos) levou ao processo Apito Dourado e depois até o próprio MP interveio com as consequências que se conhecem, e que provaram preto no branco  que havia corrupção. De tal forma o assunto abalou o Sistema que aconteceu aquela rábula do C.J. e da reacção descabelada do seu presidente de então, um tal Gonçalves Pereira, que lutou em desespero como ponta de lança do Sistema.

Mas a amplitude das consequências, para além do que aconteceu aos menos protegidos foram sol de pouca dura, porquanto a justiça civil rapidamente se encarregou de repôr as coisas no seu devido lugar. Eram todas pessoas sérias, incorruptíveis, e nunca promoveram a corrupção nem sequer tentaram!

Ora a todo este manancial de expedientes e a toda esta amplitude corruptiva e de tráfico de influências, RS apelida singelamente de ‘obra prima’ sem que daí resulte uma opção claramente denunciadora e condenatória. De outra forma:  Que interessam as manigâncias, que importam os processos altamente lesivos do futebol português, que interessa a verdade desportiva (pela qual RS se diz bater), se o produto final é a única coisa que interessa às massas?

Por último, a solução preconizada por RS revela-se inconsequente em toda a sua extensão, porque o Sistema ainda que já sem aquela força arrebatadora que o caracterizou na década de 90 mas ainda assim bem representado em vários importantes sectores, continua a bloquear o caminho para a verdade desportiva. Vê a questão dos estatutos, RS? Assim sendo, gostaríamos que explicitasse melhor a técnica do contraste e em que consiste, para além daquilo que se nos afigura como óbvio.

Será a do comer e calar? Ou será a dar a outra face?



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