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Edifícios mal construídos
Rui Santos
27 de Janeiro de 2011



Hoje temos Rui Santos (RS) com tempo para fazer um extra: falar de atitudes comportamentais  e as suas consequências nefastas no futebol português. E, qual juíz de 1ª instância, já decretou que Jorge Jesus e Luis Alberto vão ser castigados pela Liga. E curiosamente tem lógica no que diz porque os casos que atingem um mediatismo sem precedentes, raramente não têm penalizações para os envolvidos face às expectativas criadas na opinião pública, excepto para algumas pessoas que parecem estar acima da lei e que justificam tratamento preferencial nalgumas comarcas mais a norte.

RS ao adoptar uma postura de freelancer no jornalismo, parecia estar numa posição óptima de assumir uma conduta que lhe permitisse dissertar sobre todas as matérias do futebol português de uma  forma independente, distanciada, mas incisiva.

Se assim fosse, o focus deveria incidir sobre os problemas mais gravosos que têm um peso desmesurado e que influenciam todas as componentes, ao ponto de distorcer realidades e adulterar verdades desportivas que como é óbvio deveriam estar acima de tudo e de todos.

Por razões de estratégia, de contenção, de receio ou de outras, RS tem adoptado uma postura ziguezagueante, centrando-se em problemas que poderão ser sem dúvida importantes, mas que deveriam ser relegados para 2º plano se comparados com outros bem mais prementes e a justificar a sua intervenção.

Dito de outra maneira, apenas tem feito algumas côcegas aos poderes instituídos que governam há vários anos, e que são os causadores de situações que RS tanto condena e critica.

Não é segredo para ninguém que o futebol português navega em águas turvas. Não é uma situação conjuntural, pois aos anos que dura revela sem qualquer hesitação que é um caso estrutural e de difícil resolução. A formação contínua de lobbies a vários níveis, origina que qualquer membro de uma certa facção quando tem uma intervenção pública desvalorize, desculpe ou mesmo omita a influência que o seu lobby tem numa determinada situação.

Os podres do futebol português já foram suficientemente debatidos para que alguém possa vir dizer que não sabe, sendo que os seus causadores estão perfeitamente identificados e são plurais. Ninguém deveria ficar de fora.

Ora o que surpreende neste paladino da justiça e da transparência, é que sendo o nosso futebol fértil em casos, queira conjuntamente com a legião de escribas que pululam nos órgãos de informação, transformar o caso Jorge Jesus/Luis Alberto num caso paradigmático de exemplar punição e quiçá de jurisprudência desportiva.

Mas porquê este caso e não outros? Será que no sábado à noite aconteceu um cataclismo? Será que a Luz e em particular Jorge Jesus são tão diferentes de outros lugares onde têm acontecido situações similares ou mesmo piores e que não tem merecido qualquer atenção? Ou será que está a querer fazer-se deste caso o que geralmente acontece neste País em que há uma determinada vítima que paga por ela própria e por todos os outros? Porquê tratar este caso como uma situação isolada? Qual a razão porque repentinamente apareceram tantos justiceiros e puritanos? Será que se está a congeminar e a tentar uma vendetta?

Para além dos vários agentes que têm contribuido para este estado de circunstâncias, não podemos esquecer o papel preponderante de alguns, que a coberto do jornalismo têm dado um importante contributo para que a beligerância esteja sempre presente entre os vários agentes envolvidos. Por exemplo, a RS basta-lhe olhar para o jornal onde escreve o artigo.

Deveriam então ser esquecidos os incidentes da Luz? É evidente que não. Mas então que se julguem todos e não só alguns, consoante os interesses particulares, a começar pela classe jornalística que tem massacrado e pressionado para que o treinador do Benfica seja punido com a maior gravidade, avançando mesmo como faz RS com o castigo a aplicar, substituindo-se de uma forma lamentável à própria Comissão Disciplinar.

Como todos sabemos, os princípios de um Estado de Direito assentam na igualdade de direitos entre todos os cidadãos. Mas em Portugal parece que não, e não é preciso ler George Orwell para saber que há uns mais iguais do que outros...

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