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O carneiro e as ovelhas tresmalhadas
André Viana, jornal Record
20 de Junho de 2011




Para os jornalistas fretistas e moços de recados não há defeso que resista à sua nobre missão programática de enaltecimento dos clubes de que são adeptos (fanáticos), em que cada gesto e cada palavra (mesmo as omissões) dos seus responsáveis ou elementos da estrutura, são atitudes ou acções calculadas ao ínfimo pormenor e dotadas de uma lucidez sobrenatural que até faria meditar a Serra do Pilar. Tudo é perfeito!

Ao invés, tudo o que outros fazem (sobretudo se forem os perigosos inimigos sulistas), está sempre eivado de erros e de insuficiências ou no mínimo objecto de reparos. A ampla visão das coisas do desporto e em particular do futebol desapareceu em definitivo das mentes sulistas numa noite de nevoeiro, e todas as tentativas de a recuperar têm esbarrado em sucessivos Alcáceres-Quibires. Começamos de facto a ficar preocupados com esta fatalidade recorrente.

É nesse enquadramento que temos hoje a subida honra e o raro previlégio de assistir no pasquim do director Pais, ao episódio 223º protagonizado por um tal André Viana. Embora o argumento não seja dele obviamente, o deleite da sua escrita directa e escorreita é algo que só acontece num filme de ficção de 8mm que passa numa aldeia recôndita vezes sem conta porque é a única cópia existente na cinamateca local.  

Apesar de se poder considerar uma local o espaço para mais uma Vianada, a mensagem é clara e faz parte da cartilha pintista sobre o conceito de ovelhas tresmalhadas, segundo o qual importa analisar até que ponto uma ovelha que se afastou do rebanho pode ser recebida de volta sem o perigo de vir a ser rejeitada. É provável que exista alguma desconfiança do carneiro que controla o rebanho e que tem uma memória previlegiada, pois não esquece que a ovelha fez levantamento de rancho por achar que na altura tinha direito a um pasto seleccionado, o que está bom de ver nunca veio a acontecer por estranhas coincidências.

Para além disso, durante este tempo todo esteve a alimentar-se noutros pastos mais distantes, mas ponderando bem as coisas as vantagens sobrepôem-se aos inconvenientes, pois é uma boa oportunidade do carneiro adquirir um novo prado verde, impedindo assim que outros mamíferos ruminantes a ele acedam. Em troca, oferece um pouco de erva e de pasto, para além da habitual protecção já publicada em catálogo contra lobos e todos os outros animais ferozes.

A ovelha pródiga fica desde logo a saber quando regressar que não pode voltar a repetir a gracinha de voltar a tentar alimentar-se noutros pastos sem autorização sob pena de ser excomungada e definitivamente expulsa do rebanho. Desde quando uma qualquer ovelha se atreve a desafiar as leis da natureza onde se insere a autoridade incontestada do carneiro?

Durante a sua ausência do pasto viçoso do carneiro, foi forçada a alimentar-se com ervas e pastos de inferior qualidade e, como se isso não bastasse, um fogo de enormes proporções logo no início da época alimentícia devastou grande parte dos pastos onde era suposto obter a sua alimentação. Ventos ciclónicos acompanhados de trovoadas e chuvas torrenciais no fim da estação, completaram o cenário negro da sua errada opção, forçando-a a procurar abrigo naqueles pastos protegidos e imunes até à pior das tempestades. Que lhe sirva de lição!

Por esta hora a ovelha que se apresta a atingir o estatuto de ex-tresmalhada, se fosse um ser humano, recordaria o imorredoiro album ‘Os Vampiros’ de José Afonso: ‘Eles comem tudo e não deixam nada...’.

Nós seres humanos e benfiquistas, só tencionamos introduzir uma correcção: Que eles querem  comer tudo parece evidente. Só que falta-lhe um bocadinho assim... para o conseguirem.

E nem sequer somos ruminantes...





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