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Coerências
Bernardo Ribeiro, jornal Record
15 de Novembro de 2011




Na gíria diz-se que ‘só os burros é que não mudam de opinião’ o que é manifestamente uma injustiça para os simpáticos quadrúpedes que começam a correr riscos de extinção. Afinal, teimosia nada tem a ver com coerência.

A semana passada a propósito da chegada da Selecção Portuguesa à Bósnia para disputa do primeiro jogo do play-off de apuramento para o Euro 2012 e dos actos de pressão a que a estrutura bósnia recorreu e a que a UEFA de Michel Platini que teve tanto de grande jogador como agora de mau dirigente deu cobertura, sobretudo ao permitir a disputa de um jogo num campo impróprio para um jogo de tal importância, o sub-director do Record Bernardo Ribeiro assumiu uma atitude guerreira e de patriota sobre a questão, em particular sobre a atitude de Cristiano Ronaldo à chegada à Bósnia (inclusivé fazendo capa), que sem grande ginástica mental recordamos que tinha tido precedentes na Luz na ocasião do Benfica-Manchester United e mais recentemente antes de um Real Sociedad-Real Madrid. Mas adiante...

Partindo de pressupostos que subscrevemos (a eterna atitude portuguesa de subserviência ao mundo exterior), Ribeiro dissertava sobre a reacção aos insultos de Cristiano Ronaldo, manifestando a opinião de que o grande jogador português era como todos nós, de carne e osso e, como tal, assistia-lhe o direito de tomar a atitude que tomou à chegada, o que até seria compreensível. No fundo legitimava o gesto obsceno que infelizmente já o popularizou.

Embora discordando nesse particular (lá está, todos temos direito a ter opinião), entendemos que foi mais um dos famosos tiros nos pés a que Ronaldo já nos habituou. Primeiro do que tudo será preciso compreender a razão de tão manifesta hostilidade para com o jogador. A sua resposta ‘sou jovem, sou um grande jogador e sou rico’ como possível justificação não colhe minimamente, até porque o normal é idolatrarem-se os jogadores com a sua categoria. Então porque acontece o inverso com Ronaldo?

Há que encontrar possíveis explicações. Do nosso ponto de vista, Ronaldo, provavelmente por défice intelectual e do sistema nervoso, convive mal com o sucesso e está desfasado da imagem pública que deve transmitir, reagindo da pior maneira às provocações do público. E se essas reacções podem enquadrar-se na juventude quando há já algumas épocas atrás o Manchester United esteve no Estádio da Luz e CR7 não terá aguentado a pressão do público afecto aos encarnados, já hoje em dia tem menos defesa.

Um jogador da sua dimensão, com o seu prestígio, com uma vivência internacional de relevo, e sabendo que está permanentemente na crista da onda, tem que saber e sobretudo aceitar que os adeptos adversários recorram a diversos truques (alguns claramente condenáveis) para o provocar e para o desestabilizar por forma a que ele esteja desconcentrado e não possa render aquilo que está ao seu alcance. Ele próprio o admitiu por diversas vezes, ora dizendo que os apupos dos adversários têm origem em ele ser um «jogador perigoso», ora defendendo que o «Messi, Messi, Messi!» lhe dava força. Certo é que, antes dele, muitos outros já sofreram na pele essa animosidade.

Com efeito, se do ponto de vista teórico poderemos eventualmente entender uma reacção deste tipo em circunstâncias extremas, com justificação e pedido de desculpas público posterior, torna-se difícil para não dizer impossível, desculpar o mesmo tipo de atitude que começa a ser infelizmente recorrente. E assim sendo, não será muito difícil prever que aumentará a pressão sobre o jogador, o que não o favorece absolutamente em nada. Há muito que ele já devia ter arrepiado caminho e feito um esforço para ignorar completamente os insultos e os dichotes provocatórios. Se o tivesse feito, provavelmente essas manifestações de animosidade já teriam entrado na curva descendente e até mesmo diluido-se, porque os seus promotores já se teriam apercebido que não chegavam a lado nenhum.

Eusébio, o expoente máximo dos jogadores portugueses, ainda ontem falava de uma forma desassombrada sobre o tema do momento o que significa que a estratégia braguista foi um sucesso ao manter um assunto deveras ridículo no topo da actualidade, em detrimento dos temas verdadeiramente importantes a que a Liga moribunda de Gomes fez olhos e ouvidos de mercador. É clássico focalizar o acessório para desviar a atenção do principal.

Há alguns anos atrás num Benfica-Marítimo disputado no Estádio Nacional, por mero acaso, ficámos localizados atrás do banco da equipa madeirense. Tivémos ensejo de presenciar ao vivo a actuação do seu treinador (já retirado) na condução da equipa insular. Nunca tínhamos assistido a um tão grande festival de insultos e de interjeições de um treinador aos seus próprios jogadores. Mais tarde, em conversa com elementos do meio, foi-nos dito que se tratava de situações que aconteciam com frequência e eram mesmo consideradas como normais.

Daí que se entenda perfeitamente o que Eusébio quis significar, aparte eventuais verbalismos dado que, como sabemos, o maior jogador português de todos os tempos sempre jogou muito melhor com os pés e com a cabeça, do que a expressar as suas opiniões. Mas comungamos do essencial. Todos os que estão ligados ao fenómeno do futebol e/ou que o acompanham de perto, sabem o que a casa gasta, pelo que a atitude de Alan não só desrespeita  o código de ética dos protagonistas, como configura a de moço de recados satisfazendo uma encomenda. Além de que os pseudo-puritanos que enxameiam a sociedade portuguesa e que não se podem esquecer que Portugal, pelo seu exemplo de séculos nunca foi um país racista mas exactamente o contrário, sempre demonstrou ser sempre uma sociedade multirracial.

Ser preto ou ser branco, é pois uma expressão com que os portugueses sempre conviveram bem e não significa mais do que simplesmente a cor da pele que ninguém escolheu. Não vemos sinceramente qualquer significado de racismo quando qualquer das expressões é usada que, como sabemos, sempre foi vulgarmente utilizada nos países africanos de expressão portuguesa em relação aos europeus, sem que isso fosse entendido como um acto de segregação ou descriminação. Por isso, temos sérias dúvidas das motivações do jogador braguista e que fique bem claro, que acreditamos plenamente em Javí Garcia. 

Não entendemos por isso o paralelo que Bernardo Ribeiro estabelece e muito menos a coerência de atitude. Legitima e quiçá até aplaude o gesto obsceno de Cristiano Ronaldo entendendo-o como um grito de revolta de um jogador que actualmente representa aquilo que muitos jovens gostariam de ser, e critica Eusébio por ter dito (e explicado) que Alan é preto e que só deveria ter ficado ofendido se lhe tivessem chamado branco? Em que ficamos? Onde está a coerência?



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