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Indigestão
Eugénio Queirós, jornal Record
12 de Outubro de 2011




Desde 20 de Dezembro de 2009 que tem sido nítido e patente que os acontecimentos ocorridos no Túnel da Luz estavam condenados a fazer correr rios de tinta, sobretudo a partir do momento em que o presidente da Comissão de Disciplina da Liga Ricardo Costa, no âmbito das suas competências, levantou um auto de averiguações e avançou com um processo que culminou com o castigo desportivo a Hulk e Sapunaru, posteriormente desfeito pelo Conselho de Justiça que curiosamente não teve o mesmo tratamento para Vandinho do SC Braga.

Como tivémos ensejo de constatar ao longo dos anos da longa dinastia dos Pintos dos Xitos, por tradição os membros da Comissão de Disciplina e também do Conselho de Justiça ainda que com nuances, eram normalmente ocupados por juízes jubilados, os tais que o freteiro Eugénio Queirós refere como estando ‘em fim de carreira e que não se armavam em justiceiros’.

Ou seja, nada de problemas porque ‘não queremos chatices nem aborrecimentos’. Essa acção omissiva do laisser-faire em conjugação com os regulamentos aprovados pelas Associações que sabemos por medida, fizeram jurisprudência durante um ror de anos, tantos quantos o domínio incontestado do Sistema permitiu vitórias sempre por esmagadora maioria. Quando a coisa ameaçava ficar preta entrava em cena a Comissão de Disciplina e, nos casos em que a penalização atingia membros do Sistema, lá surgia o recurso para o Conselho de Justiça que se encarregava de reduzir ou anular mesmo os castigos. Também isso fez jurisprudência, e recordar-se-ão certamente aqueles que ainda têm memória, das célebres tiradas de Pinto da Costa que não se coibia de afirmar publicamente que não havia problema pois o Conselho de Justiça iria tratar do assunto...

Veio agora a público que na sequência das queixas apresentadas pelos stewards da Prosegur na altura dos acontecimentos, o Ministério Público deduziu acusação sobre os jogadores portistas Hulk, Sapunaru (os dois castigados pelo Conselho de Disciplina), Helton, Fucile e Rodriguez, o que está dentro dos parâmetros temporais normais do M.P., pelo que não se estranha a demora.

A notícia não surgiu na melhor altura, pois veio estragar a viagem de Pinto da Costa a Copenhaga integrado num amplo grupo excursionista convidado pela generosa Federação Portuguesa de Futebol que não se poupou a esforços para propiciar uma deslocação de luxo a um sem número de convidados. Pena foi que o espectáculo tivesse sido tão pobre e tão deprimente. Mas, claro, não se pode ter tudo!

Sabendo-se como esta matéria é sensível ao universo azul e branco, não constituiu surpresa que os pintistas viessem de imediato a terreiro, bramir contra o atrevimento do M.P. em avançar com um processo acusatório a vários dos seus membros, sobretudo ao senhor cem milhões. Miguel Sousa Tavares já não foi a tempo na sua crónica em A Bola, mas certamente que na próxima 6ª feira, Rui Moreira não perderá a oportunidade. No entretanto, já temos um tal Carlos Abreu Amorim a considerar as ‘acusações frágeis e ridículas’ e certamente seguir-se-ão outros para quem esta situação constitui, sem sombra de dúvida, uma terrível conspiração para desestabilizar os inocentes atletas portistas. Para tornar a revolta mais credível, estamos também a assistir ao desfile dos freteiros da imprensa como por exemplo Eugénio Queirós, que já sentenciou que o atentado à honra azul e branca de Ricardo Costa, custar-lhe-á no mínimo a travessia do deserto no que à ocupação de lugares na hierarquia desportiva diz respeito.

Outro facto a sublinhar é a chamada à colação de Luis Filipe Scolari e a sua reacção para com o jogador sérvio Ivica Dragutinovic, que resultou numa suspensão de 4 jogos imposta pela disciplina da UEFA. Total sintonia entre o tal Carlos Amorim e Pinto da Costa pois foram ambos que falaram no caso (com pouca mestria convenhamos). Se no caso de Pinto da Costa se aceita e compreende a demonstração de ignorância quanto à actuação do Ministério Público nesse caso, já Amorim (que ao que parece terá dado um parecer jurídico sobre o processo azul e branco), foi pouco prudente para uma pessoa que tem formação jurídica, provavelmente alicerçado na tradição de que casos deste tipo a envolverem portistas quase sempre dão em nada. Seja como for, nas suas declarações transparece apenas e só o fanático adepto pintista, sendo que o jurista deve ter metido férias aproveitando este magnífico sol e calor de Outubro...

Sendo que os dados estão lançados, não caíremos na tentação fácil de enveredar por julgamentos ou absolvições apressadas. Neste momento o processo segue a sua tramitação normal e não há razão para qualquer alarme. Na altura exacta, a defesa dos jogadores terá certamente ensejo de provar que tudo não passa de acusações frágeis e ridículas como disse o tal Amorim, e os juizes certamente decidirão da melhor forma.

Desta vez não há escutas telefónicas como meio de prova para eliminar, mas provavelmente haverão filmagens de câmaras cuja autenticidade irá certamente ser contestada. Aquilo que esperamos, é que não venha a acontecer o que já tem sucedido inúmeras vezes – os tais expedientes dilatórios que acabam sempre por fazer toda a diferença...





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