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O anarquismo das associações
Manuel Martins de Sá, jornal A Bola
23 de Fevereiro de 2010


«Discordo que jogadores, árbitros e técnicos participem na composição da AG». Quem assim se expressa é o colunista do jornal A Bola, Manuel Martins de Sá. Trata-se de uma recorrência, pois não é a primeira vez que este jornalista defende a posição das Assembleias contestatárias.

Sendo um direito que lhe assiste, a sua posição revela um corporativismo sem precedentes e, aparte intricadas questões jurídicas, os argumentos, quaisquer que eles sejam, não colhem por configurarem um claro desrespeito pela lei.

Mas, como Manuel Martins de Sá não ignora, o que está em causa e que tem provocado tanta revolta por parte de meia dúzia de presidentes associativos distritais (os que costumam dividir o poder entre si) não é, como nunca foi, a participação de «jogadores, árbitros e técnicos na composição da AG». Eles já participavam (e bem) e que saibamos nunca esses presidentes liderados por Lourenço Pinto da AF do Porto se insurgiram contra esse facto.

O que verdadeiramente está em causa, é a perda do poder absolutista nas assembleias onde detêm uns confortáveis 55%.

Ou seja, à esmagadora maioria dos verdadeiros agentes do futebol  tem estado reservado o papel de figurantes, tendo em conta que mesmo que todos se juntassem para apresentar uma determinada proposta, as associações por si só têm o poder de a rejeitar liminarmente.

A Lei de Bases não é uma lei perfeita, como aliás nenhuma o é. Mas recordamos ao desatento Martins de Sá que ela foi aprovada pela Assembleia da República, o que desde logo configurou um consenso alargado, até porque foi elaborada para o Sistema Desportivo na sua globalidade e não exclusivamente direccionada para acabar com a perversão do futebol  como alguns querem fazer crer.

Admitimos que haverá pessoas que não concordem com determinados aspectos da mesma. Mas não tenhamos ilusões porque o que está e sempre esteve em causa foi e é o poder. Daí o estrebuchar de alguns distritalistas com o argumento de que há uma ingerência do poder político no futebol. Fabuloso!

As discordâncias e as oposições fazem-se no local próprio e com os meios adequados e não com actos de desobediência que só prejudicam o futebol português e o País. Se estão tão certos da sua justiça não têm mais do que cumprir e adequar os estatutos à lei, sem prejuizo de recorrerem a quem quiserem, seja aos tribunais ou à própria FIFA. É bom não esquecer que, com todos os seus defeitos e virtudes, ainda vivemos num estado de direito.

Não é com atitudes ditas ameaçadoras ou bravatas que conseguem os seus intentos. Não é com a marcação de eleições com base em estatutos ilegais para a FPF ou com um pseudo-candidato arranjado à pressa que lá vão.

Senão atente-se nas últimas declarações perfeitamente esclarecedoras dos líderes da revolta:

a) AFPorto (Lourenço Pinto): «A adequação dos estatutos das associações  ao novo regime jurídico deve ser feita sem pressões e com certezas jurídicas». Bem,sendo ele jurista e sendo que este regabofe já dura há um ano, a questão que se põe é o que tem andado a fazer todo este tempo, para além de declarações estapafúrdias e ameaças veladas. E agora vem falar que deve ser feito sem pressões? Depois este xito: «O caminho é este: eleger Direcção da FPF dentro dos actuais estatutos e depois expôr à FIFA e à UEFA o regime jurídico que o Governo pretende (…).Se, depois de confrontada com todas estas verdades  por uma Direcção da FPF, a FIFA defender, ainda assim, a adequação (...) então sim, as associações deverão rever a sua posição e adequarem-se». Magnífico!

Ou seja: um apelo claro à continuação da desobediência a uma lei aprovada pela Assembleia da República e regulamentada pelo governo. Vindo dum jurista...

b) AFBraga (Carlos Coutada): «(...) Há intervenção do Estado na liberdade do movimento associativo, se as dúvidas existiam da perseguição às associações, foram dissipadas. (...) , mas não nos assusta. (...) a adequação dos estatutos ao novo regime deve ser feita e só depois de haver eleições (...)».

Ora aqui temos mais um presidente que não tem medo! Mas limita-se pura e simplesmente a fazer eco da opinião do seu colega do Porto, ao defender precisamente a mesma coisa...

c) AFCoimbra (Horácio Antunes): «Não me surpreende. Faz parte do processo de perseguição. Laurentino Dias disse que as associações querem continuar a mandar no futebol e essa frase foi uma profunda desconsideração (...).

Havia curiosidade em saber o que pensava o candidato decorativo. E no meio da confusão a boca acabou por fugir-lhe para a verdade ao confirmar alegremente que as associações querem mandar no futebol.

d) AFSetúbal (Sousa Marques): «Sempre houve um equívoco na matéria, inclusivamente da parte do secretário de Estado, porque as pessoas se esquecem que se os estatutos ainda não estão aprovados não é por culpa das associações(...)».

Este senhor presidente divertiu-nos ao dizer que a culpa não é das associações... Então é de quem?

Este cenário hilariante desenvolvido e encenado pelas associações só tem um objectivo em mente: manter o poder descricionário que sempre tiverem no controle das AG da Federação com os resultados de todos conhecidos.

Tudo o resto são fait-divers que o italiano Manuel Martins de Sá apelida de anarquia. Há quem lhe chame outra coisa. Como é que há ainda pessoas que não evoluiem e continuam a defender a velha monarquia instituida de tão triste memória?

Ou serão saudades do passado já tão distante?



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