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Reconhecimentos
João Bonzinho, jornal A Bola
26 de Março de 2011



Concordamos com João Bonzinho (JB) que os portugueses (e já agora acrescentaríamos outros povos) têm o hábito de não reconhecer em vida os méritos das personalidades que vão sobressaindo em qualquer sector da sociedade em que estamos inseridos.

É um facto que tem acontecido amiúde, mas sendo algumas as possíveis explicações para que tal aconteça, o facto dessas personalidades não serem consensuais na sociedade portuguesa será porventura um dos factores impeditivos e determinantes.

Uma das pessoas que evoca é o Nobel José Saramago. E entendemos que este caso não se enquadra nas personalidades cujo mérito não lhe foi reconhecido em vida. Havendo é certo algum fundo de verdade nisso, sobretudo por parte de algumas autoridades portuguesas (e não nos esquecemos da sectária atitude tomada pelo sub-secretário de Estado da Cultura - cujo titular era Santana Lopes - e cujo nome omitimos de propósito porque na altura já teve direito aos seus 15 minutos de fama ao vetar, por pressão da Igreja Católica, o livro ‘O Evangelho segundo Jesus Cristo’ ) a um prémio literário europeu e que motivou a saída do país do escritor para a Ilha de Lanzarote onde passou a residir.

Se tudo isto é verdade, há também que reconhecer que Saramago sempre foi uma pessoa frontal e polémica, e como tal desagradava a alguns sectores da sociedade portuguesa que se regiam por valores tradicionais e pouco permissivos a quem não pensava como eles. Mas o que sempre nos fez alguma confusão foi pensarmos que devendo um escritor ter um espírito livre, aberto e permanentemente crítico sobre a sociedade contemporânea, estivesse enquadrado num partido que sempre transmitiu uma visão dogmática sobre as soluções aos problemas existentes na sociedade.

Ora se é lícito condenar todas os monolitismos, e recordamos que a polémica com o citado livro nasceu de posições dogmáticas da Igreja Católica que acabaram por influenciar a decisão do tal Sub-Secretário de Estado da Cultura, por uma questão de coerência também temos que reconhecer que se Saramago criticava (e bem) dogmas, estranhamente inseria-se num espaço partidário que era em si próprio um dogma, o que é sintoma de incoerência.

A situação de veto ocorrida resultou em publicidade gratuita e acabou por beneficiar as suas posições e a procura dos seus livros. De resto, o gostar ou não gostar do que escrevia é um espaço reservado ao pensamento de cada um sendo que, quer queiramos quer não, foi uma das pessoas que se salientou no panorama literário português e cujo sucesso aqui e além fronteiras (sobretudo além), o catapultou justamente para o Nobel em 1998.

Quando JB estabelece com Paulo Futre o mesmo paralelismo do reconhecimento, devemos confessar que ficámos algo baralhados e confusos. Futre fez o habitual trajecto de algumas vedetas futebolísticas produzidas pela cantera de Alvalade, e que a sagacidade do Pinto-Maior e as ideias curtas dos dirigentes do Sporting da altura acabaram por o potenciar nas Antas. Depois seguiu-se o trajecto normal para o estrangeiro (Atlético de Madrid) onde assentou arraiais e onde atingiu o apogeu, transformando-se numa bandeira do clube madrileno. Após passagens por França, Itália, Inglaterra e Japão, retornou ao clube espanhol onde passou a desempenhar outras tarefas.

Por tudo isso é compreensível que fosse mais conhecido em Espanha, fiel ao princípio de ‘quem não está esquece’, muito embora os portugueses acompanhassem os seus êxitos à distância, tal como acontece agora com outros futebolistas.

A sua recente participação nas eleições leoninas veio reacender a polémica (a anterior datava de 1992 quando ele representou o Benfica no consulado de Jorge de Brito) em que tem havido acusações de vária ordem, algumas partindo de antigos jogadores do Sporting. Apesar de termos que dar o desconto por estar a decorrer uma campanha eleitoral, parece que há quem se esqueça que Paulo Futre foi um profissional de futebol e, como tal, seguiu o trajecto que lhe foi possível e que lhe permitiu atingir o estrelato. Tal como aliás o autor da acusação que por ter andando por outros clubes não deixa de ser mais ou menos sportinguista.

Mas daí a uma merecida festa de homenagem nacional sugerida por JB vai uma distância incomensurável. A seguir-se esse caminho, então teríamos que incluir muitos outros igualmente relevantes e já votados ao esquecimento. Porquê Futre e porquê agora?

Finalmente nova sequência de episódios da novela venezuelana tendo como cabeça-de-cartaz Carlos Queiroz. Novo extremar de posições dos críticos e dos apoiantes. Achamos algo 'encomendada' a intervenção de Pepe pese embora ser uma voz maioritária no balneário, mas não podemos deixar de lamentar as novas investidas do ex-seleccionador que demonstrou mais uma vez a falta de nível que o caracteriza, bolsando ódio a cada esquina e quase sempre nas alturas mais inoportunas, a troco não de «honra» mas sim de protagonismo.

Já por mais do que uma vez aqui defendemos que algumas fases processuais que envolveram Queiroz foram ínvias, pouco transparentes e nalguns casos deslocadas. Que o ex-seleccionador lute para receber a indemnização choruda que Gilberto Madaíl num dos seus momentos de generosidade permitiu, compreende-se perfeitamente. Mas a opinião pública portuguesa (estamos obviamente a excluir Rui Santos), ficaria eternamente grata se doravante Queiroz se abstivesse dos comentários habituais que invariavelmente roçam a boçalidade, é que o futebol português ruído já tem muito, isso e maiorias sacrificadas por minorias excessivamente mediáticas.

Será pedir muito?


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