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Ser o melhor tem muitas nuances
Paulo Teixeira Pinto, jornal A Bola
22 de Janeiro de 2011

O cronista portista Paulo Teixeira Pinto aborda hoje no jornal A Bola, a temática do efeito placebo. Trata-se de um tema deveras interessante de enquadrar dado que contem dados sociológicos relevantes, ao mesmo tempo que se focado por determinados prismas, pode vir a revelar-se perigoso.  Depende do conceito, da abordagem e naturalmente da intenção.

Para isso e apesar de nunca o citar, inspirou-se na recente entrevista concedida por Fábio Coentrão em que ele utilizou a expressão: «Eu sou o melhor do mundo na minha posição». Devemos dizer que por uma questão de princípio, somos avessos a que sejam os próprios a enaltecer os seus méritos e virtudes e mesmo quando os outros o fazem, observamos sempre o direito de reservar o melhor enquadramento para tais afirmações.

Sem que corramos o risco de cair em contradição, para quem leu a entrevista  na sua versão integral e se situarmos a frase no seu exacto contexto, percebe perfeitamente o seu sentido. Dito de outra forma uma mesma expressão pode não ter o mesmo significado, pois depende sempre do contexto em que a dita-cuja foi proferida. Isto não quer dizer que, como pessoas diferentes que somos, assinemos por baixo sem hesitações.

Ora as origens humildes de Coentrão e a sua formação como homem num ambiente sócio-cultural adverso, passado que foi o período de imediato deslumbramento, tornaram-no humilde e pouco dado a extravagâncias de atitudes ou de linguagem, mesmo que à sua frente tivesse o tal mundo fácil. Não foi por acaso que ele ainda há relativamente pouco tempo, assumiu a sua quota-parte no desnorte que rodeou o início da sua vida desportiva até regressar ao Benfica, demonstrando que aprendeu com os seus próprios erros. E isso é sinónimo de inteligência.

E quem aprende consigo próprio, com os seus erros e desvios, está mais habilitado a saber reconhecer as suas potencialidades e tirar as devidas ilacções para o futuro. Quantos jogadores com um potencial desmedido se perderam no emaranhado das suas contradições pessoais, no deslumbramento de um mundo novo sem limites, relegando para segundo plano a sua carreira e nalguns casos hipotecando um futuro que todos auguravam de brilhante?

Situando a expressão do Eu sou o melhor na sua verdadeira dimensão, diríamos que não partilhamos de todo do conceito absolutista e afirmativo da expressão, a menos que ele seja produzido numa determinada conjuntura e o melhor se tenha destacado de tal maneira que justifique inequivocamente esse epíteto. Pelos resultados que temos visto, os pontos de vista normalmente diferem, dado que o que está em jogo é algo mais do que uma simples eleição ou reconhecimento. Tivémos exemplos recentes.

Talvez por um conjunto de factores diversificados e porque vivemos numa sociedade que tem cada vez mais refinada a sua lógica materialista e de favorecimento, temos assistido nas diversas áreas das sociedades e não só no desporto, a que alguns beneficiando de uma lógica de poder e de uma conjuntura favorável, conseguem obter prémios e reconhecimentos que díriamos desproporcionados e que não estão em consonância com os seus reais méritos e virtudes.

Com uma vantagem incomensurável: é que não precisam de dizer que são os melhores nem são expostos à mediatização. E enquanto no desporto e particularmente no futebol, ainda se pode alegar que é uma profissão de desgaste rápido o que leva os futebolistas que conseguem atingir determinados patamares de sucesso, jogarem os seus trunfos para fazerem o contrato da sua vida, há os que com muito menos desgaste,muito pouca exposição e sem revelarem especiais méritos, consigam fazer contratos que acabam por durar até ao fim da vida.

Afinal é tudo uma questão de oportunidade de fazermos valer os nossos méritos sejam eles de que tipo forem. Algum de nós por isso é suficientemente moralista e capaz de justificar a crítica, à expressão interrogativa de Fábio Coentrão ao dizer que se não for ele a acreditar que é o melhor do mundo na sua posição, ninguém acredita?

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