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A sinfonia do costume
19 de Janeiro de 2012




Para esta época, o Sporting operou uma profunda revolução em toda a sua estrutura. Mudou direcção, alterou a estrutura técnica da equipa e transformou o plantel em duas equipas praticamente novas. Só não mudou e devia ter mudado, ou melhor ainda acabado, com os papagaios de várias matizes e tonalidades que não param de conspurcar e minar com os seus decalques baratos, todo o perímetro leonino com sérios reflexos nos resultados.

Se por um lado a equipa conseguiu pela primeira vez em muitos anos, ultrapassar (ainda que com dificuldade) o handicap do Natal, acabou por não resistir muito mais, e lá teve que seguir o fatídico destino que lhe costuma estar reservado para a época festiva. Se os jogadores portugueses que compõem o plantel já estão habituados a essa fatalidade cíclica, para os jogadores estrangeiros acabados de ingressar no clube deve ter sido uma completa surpresa, a menos que já tivessem sido avisados previamente.

Os acontecimentos que tiveram lugar, não são, afinal, exclusivo do Sporting. O que sucede é que, por muitas e diversas razões, acabam sempre por acontecer mais vezes e de uma forma quase ininterrupta para as bandas de Alvalade. Aparte os erros que sistematicamente são cometidos pelos elementos que têm por missão coordenar e desenvolver a estrutura, existe a tradicional falta de paciência dos adeptos portugueses que querem para ontem, aquilo que só pode ser feito amanhã. E isso é transversal a todas as estruturas e a todas organizações, clubísticas ou não.

Analisando friamente a questão do lado de fora, apenas e só com a preocupação de lhe emprestar um mínimo de rigor, poderíamos dizer que, tendo em conta o ambiente leonino que se encarrega ele próprio de nos dar conhecimento de cada passo - e aí Costinha tinha razão quanto à necessária 'blindagem', tanto quanto Domingos Paciência e a desnecessidade das últimas intervenções de alguns «notáveis» -, muito dificilmente poder-se-ia logo na conjuntura seguinte assimilar todas as exigências e obter resultados e exibições consistentes que catapultassem o Sporting para a rota do título. Como é apanágio, basta que haja uma série de resultados negativos e um período mais fogoso do rival, para que assistamos à ebulição leonina, na qual vemos alinhado um exército de críticos desde ex-presidentes, ex-treinadores, ex-dirigentes, presidentes da MAG e opinadores que, implacáveis, criticam destrutivamente toda a organização verde e branca, como se objectivamente estivessem a contribuir para algo de positivo - será que não há vergonha?

Perante isto e refém de uma direcção que alberga várias sensibilidades mais parecendo uma sociedade das nações, o presidente Godinho Lopes tem-se esforçado para pôr alguma água na fervura e assumir posições firmes com mensagens do tipo: ‘Quem manda aqui sou eu!’, mas que por razões demasiado óbvias se diluem no turbilhão de opiniões em que é fértil o universo leonino, passando para o exterior a imagem de desorganização e de confronto permanente. Habilmente aproveitada pela Comunicação Social que tira contrapartidas dos extremos, da euforia leonina passou a dar voz a notáveis ou dirigentes, contribuindo objectivamente para o clima menos bom que actualmente se vive. Além do mais, empola questões, como ainda recentemente ficou aliás demonstrado com as «contradições» em torno das «expectativas» - Godinho Lopes disse ao jornal do clube que o «Sporting esteve aquém das expectativas na 1.ª volta», e com base nisso aproveitou-se para propalar que Domingos Paciência o havia desmentido, dizendo «se é um ano de mudança em que entraram 19 jogadores novos, nunca pode estar aquém das expectativas».

No que à equipa diz respeito, vários períodos com exibições conseguidas transmitiram a ideia que existe potencial para ser explorado, houvesse tempo e paciência. O facto da equipa há vários anos não lutar para o título na verdadeira acepção da palavra, tem originado uma explosão de impaciência e de descrença em que os adeptos e simpatizantes, ajudados pela legião de críticos internos com responsabilidades, se viram invariavelmente para a estrutura e a fustigam impiedosamente. E assim, é impossível a qualquer direcção ou a qualquer coordenação técnica resistir calma e serenamente ao desenrolar dos acontecimentos e desenvolver um trabalho coerente e profícuo, salvo se, claro está, a equipa mantiver a bitola não dando azo às habituais opiniões e intervenções impertinentes.

Compreendem-se assim, de alguma forma, os últimos desabafos de Domingos Paciência que provavelmente não terão sido novidade para ele, pois na última década todos os seus antecessores no cargo foram duramente castigados pela crónica frustação leonina. Ainda que o actual treinador tenha acabado por beneficiar de um reforço substancial da equipa como nenhum outro nos tempos últimos pelas razões de todos conhecidas, e sem pôr de parte as próprias responsabilidades que Domingos tem, quer ele quer os ditos antecessores, um pelo seu passado recente e os outros pelo que vêm a fazer desde que saíram de Alvalade, comprovam que são os habituais factores exógenos que mais minam o clube leonino, sendo que a figura de treinador é invariavelmente vítima de um enorme desgaste.

Falando do forte incremento no investimento que deu luz a uma revolução que se afigurava quase unanimemente como necessária, veio aumentar de uma forma exponencial as expectativas em torno da equipa e do próprio treinador sportinguista, até porque o seu bom trabalho em Braga indiciava que num clube de maior projecção como é inquestionavelmente o Sporting, a possibilidade de aumentar a fasquia de resultados seria um sério objectivo a atingir. Só que, pese embora todas as críticas que se possam fazer aos bracarenses, nomeadamente as de substituir o Sporting como clube-satélite do FC Porto, o que é facto é que, neste momento o SC Braga é um clube mais organizado e dotado de uma estrutura muito mais sólida que o clube de Alvalade. E, ainda com a vantagem de se saber quem concentra o poder e, pelo menos publicamente, aparentar ter muitos menos papagaios do que o Sporting que ameaçam com frequência tudo destruir à sua passagem...

É neste terrível problema que todo o universo leonino tem que se concentrar. E rapidamente. Se não for possível fazê-lo com calma e serenidade, que ao menos o faça com a objectividade tendente a ultrapassar a frequente desestabilização interna de que é alvo e que ameaça seriamente eternizar-se e, com isso, aumentar ainda mais as dificuldades com que o clube se depara, e que tenderão a agravar-se devido à presente conjuntura.

Se não o fizer e não atalhar caminho com urgência - e atenção que o novo ciclo exige proveitos operacionais da Champions e depende muito do êxito de Domingos, o Sporting corre o risco de passar a sobreviver apenas e só com as recordações de um passado de conquistas cada vez mais longínquo. E isso pode levá-lo ao abismo. Será que tem alternativa? Duvidamos que o desejo de protagonismo se refreie...




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