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Votação Anti Todos ao Estádio! Qual Arbitragem? Tesourinhos Artigos de Opinião Disparates Lapidares

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Tesourinhos
 

Ocorreu-nos criar mais este espaço para albergar frases e expressões da mais variada natureza que entendemos não se deverem enquadrar nos espaços e rúbricas já existentes.

A sua selecção será aleatória e o seu carácter não terá que ser necessariamente negativista, pois poderá incluir considerações que pelo seu enquadramento e importância, justifiquem a sua citação neste espaço.

O facto da generalidade dos órgãos de comunicação social reflectirem opiniões e notícias diariamente, isso obriga a uma procura e um afã constante de intervenientes que, aparte aquilo a que estamos por natureza habituados, alguns ainda têm a capacidade e o discernimento necessários para contribuir para algo de relevante e crítico, longe dos textos de baixo carácter com que de uma forma constante somos confrontados.


Janeiro de 2012

«A livre circulação de capitais escondidos. O comunicado da FC Porto SAD datado de 27 de Dezembro de 2011, rezava o seguinte: “A Futebol Clube do Porto - Futebol SAD, nos termos do artigo 248.º do Código dos Valores Mobiliários, vem informar o mercado que alienou à Doyen Sports Investments Limited, em regime de associação económica, as seguintes partes dos direitos económicas de dois atletas contratados no início da época: 33,33% dos direitos económicas do jogador Mangala por 2. 64 7.059 €, 33,33% dos direitos económicas do jogador Defour por 2.352.941 €. Adicionalmente, esta sociedade atribuiu 10% da receita líquida de uma eventual transferência à sociedade Robi Plus, pelo que passa a deter 56,67% dos direitos económicas de cada um destes jogadores."

DOYEN
A DOYENGROUP UNITED, deveria ser supostamente a Holding do grupo. Mas no registo inglês tal companhia aparece dissolvida com data de 23/3/2010. No entanto, na mesma morada que a empresa possuía, encontramos de alguma forma relacionadas mais três sociedades: DOYEN INVESTMENTS UNITED, DOYEN MANAGEMENT UNITED e DOYEN MEDIA UNITED. Mas encontram-se todas dissolvidas! Não existe nada de nada! Mas vamos insistir. Deve ter certamente nascido recentemente um resquício do grupo que tinha acabado. Ora, aí está ele(...); Name & Registered Office: DOYEN CAPITAL LLP 7TH FLOOR 12 CHARLES 11 STREET LONDON SW1Y 4QU Company No. OC365654 Date of Incorporation: 17/06/2011 Country of Origin: United Kingdom Company Type: Limited Liability Partnership Nature of Business (SIC): None Supplied Accounting Reference Date: 30106 Last Accounts Made Up To: (NO ACCOUNTS FILED) Next Accounts Due: 17/03/2013 Last Return Made Up To: Next Return Due: 1510712012 Previous Names: Date of change 17/11/2011 DOYEN CAPITAL PARTNERS LLP. Ou seja, só em 17/3/2013 é que teremos algumas contas publicadas desta sociedade. Pesquisando um pouco mais chegamos a esta informação: If you have any questions regarding lhe activities of DOYEN Group, or you are interested in being part of our projects, please do not hesitate to contact us LONDON OFFICE 12 Charles 11 SI., Floor 7 SW1Y 4QU London, UK Phone:+442031309004 E-mail: info@doyen-group.com. Em cheio – é a mesma! O problema é que na sua apresentação diz o referido grupo: Doyen Sports Investments is a privale fund dedicated, amongst other aclivilies, to assisting football clubs from a financial perspective and providing an important and growing alternative source of financing for football clubs and football PLCs. Presently, Doyen Sports Investments is providing support and funding in a very visible way, sponsoring the Spanish teams Sporting Gijon, Getafe and Atletico Madrid. In addition, many other deals have also been made with other Spanish teams as well with many other clubs worldwide, with particular impact in Brazil, Eastern Europe and Portugal. Lá tinha de aparecer um conjunto de clubes espanhóis entre os quais o Atlético de Madrid. Foi por essa razão que o mesmo grupo já se viu obrigado a prestar informação aos espanhóis sobre a sua actividade através de um comunicado por escrito, que teve de divulgar em Espanha. Mas, uma notícia no Jornal o Público de 20.10.2011, rezava (ver caixa). Ou seja, já ficámos a perceber quem são os proprietários de parte dos direitos económicos dos jogadores Mangala e Defour. Afinal, quem é detentor dos direitos económicos correspondentes a uma futura venda desses jogadores, são portugueses que utilizam empresas sediadas na Inglaterra para efectuarem as operações respectivas. Mas outra referência no comunicado nos merece uma atenção... Vejamos por uma transcrição de um relatório e contas da FCPorto, SAD; a) No exercício findo em 30 de Junho de 2010, os serviços de intermediação foram, prestados, essencialmente, pelas entidades... ainda pela entidade Robi Plus Ltd, no âmbito da transferência do jogador Lisandro Lopez ao Olympique. Por falta de espaço, sobre esta Robi Plus LTD falaremos daqui a uns tempos, agora sobre a Doyen Capital Partners LLP, aqui fica a constituição de um encargo financeiro na Fig. 2. A pergunta que fica a pairar no ar é a seguinte: Imobiliário a par de Televisão, ou grupo de Media. Não foram exactamente cinco milhões os investidos?» - Pragal Colaço, jornal O Benfica, 20 de Janeiro de 2012. [Anexo]

«Direitos televisivos. Num momento em que o Benfica domina o Campeonato, o nosso Estádio enche e se perspectivam tempos de algum apaziguamento, há um assunto que nos tem preocupado nestes, aparentemente, plácidos tempos de Benfiquismo: a anunciada renegociação dos direitos televisivos. Há quem defenda que se deve fazer o melhor negócio possível, independentemente do interlocutor da negociação, há quem defenda que nem se deveria levantar a possibilidade de renegociar com a Olivedesportos, há quem defenda que a Benfica TV, com outro enquadramento, é a melhor solução, há quem defenda que se está a precipitar o tempo da decisão, relativamente a este assunto... o tema está longe de ser pacífico e, no meio de tudo isto, surge uma nova personagém na presidência da Liga que defende e promete, demagogicamente e servindo interesses que não me parecem os do Benfica, a negociação colectiva dos ditos direitos. A informação acerca do assunto é quase diária e nem sempre é credíveI. Há muito ruído e pouco esclarecimento. Deste modo, defendo que, neste momento, Luís Filipe Vieira deverá encontrar uma solução que permita, dentro da Família Benfiquista, discutir a situação, esclarecer os Sócios acerca das suas intenções e ficar esclarecido acerca das intenções dos associados. Nem sempre as emoções das massas são o melhor conselheiro na condução racional dos negócios do nosso Clube. Ainda assim, o assunto em apreço é de tal ordem sensível que uma decisão tomada apenas na solidão de um gabinete, e indiferente à vontade dos sócios, pode colocar em causa a própria decisão.» - Pedro Ferreira, jornal O Benfica, 20 de Janeiro de 2012.

«O Folclore de Alvalade. Cadeiras arrancadas, incêndios em estádios, ameaças a árbitros no intervalo dos jogos, e a treinadores adversários no fim dos mesmos, imagens odiosas e violentas nos balneários. Ao "novo" Sporting, cosmeticamente refundado, apenas têm faltado... resultados. Na verdade, se Godinho Lopes até parece um gentleman, na sua equipa directiva subsistem verdadeiros "senhores", cujo alinhamento (subserviência?) com a principal claque não tem paralelo na vida quotidiana de mais nenhum clube português. A juntar a isto, vemos agora um treinador da velha escola portista, habituado a truques subterrâneos, como ficou bem patente na sua passagem por Braga. Se, com as fotos colocadas no túnel, a ideia era impressionar os jogadores contrários, creio que recordar os triunfos (embora necessariamente já longínquos) do Sporting, lembrar Peyroteo, Travassos, Yazalde, e, porque não, Carlos Lopes ou Joaquim Agostinho, faria bastante mais efeito. Esse Sporting, sim, ainda assustava muita gente. Delinquentes da "Juve Leo",com suásticas tatuadas, caras tapadas e mãos estendidas, não assustam. Repugnam. Estes episódios - como, noutro plano, a ridícula pintura do relvado - definem o insanável conflito entre aquilo que o Sporting quer parecer (um clube grande, distinto e respeitador), e aquilo que verdadeiramente é (uma entidade amesquinhada, sem norte, submersa em conflitos existenciais, e moralmente vendida aos seus ultras). Até porque, como lembro acima, os resultados não ajudam. Diria mesmo que "o Sporting está de volta!" pois, à excepção da Taça de Portugal, que lhe caiu de borla nas mãos (e que, mesmo assim, hesita em agarrar), a época não promete nada de especial em relação ao seu passado recente. Desde 6 de Novembro de 2011, apenas ganhou um jogo do Campeonato, está afastado do título pelo décimo Natal consecutivo, e termina a primeira volta em quarto lugar, exactamente com os mesmos pontos que tinha em 2010/2011. Como acontece com o relvado, a diferença está na máscara - aeora bastante.» - Luís Fialho, jornal O Benfica, 20 de Janeiro de 2012.

«56 Mil. Mais precisamente: 56.155. Da minha parte éramos três. E ao fim da tarde de sábado passado, o Benfica, a jogar em casa com o 14° classificado, e respondendo a um apelo da equipa, fez a segunda maior "casa" da I liga até ao momento. Mais público só na Luz para o Benfica-Sporting: 63.146. Nenhuma outra equipa fez nada que se parecesse. A terceira maior assistência da Liga é em casa do FC Porto, no jogo com o Benfica, claro. E não é apenas de ma fria estatística que se trata. O Benfica enche o maior Estádio de Portugal com entusiasmo, euforia, ondas e cânticos nas bancadas, bom futebol no relvado e golos, muitos e bonitos golos. Como diria o malogrado Jorge Perestrelo "é disto que o meu povo gosta”. O Benfica tem o melhor ataque e o melhor marcador. O segundo melhor marcador do Benfica tem mais golos que os melhores do Porto e do Sporting. Falando de golos, quero aqui prestar singela homenagem a Óscar René Cardozo Marin, o "Tacuara”. Em mês e meio é a segunda vez que Cardozo é expulso por acumulação de amarelos: frente ao Sporting, por dar um murro na relva ao falhar um remate, desta vez, por cair ao saltar por cima do guarda-redes contrário para evitar o choque. Nem com estas "ajudas" os demais marcadores conseguem evitar que Óscar Cardozo lhes fuja. O público da Luz, que tantas vezes se impacienta quando o Tacuara não marca, desta vez aplaudiu-o de pé quando saiu mais cedo, com dois golos à sua conta no marcador e mais dois remates para golo parados pelo guarda-redes contrário... Já fora do Estádio, vi no pequeno ecrã de uma roulotte de comes e bebes um jogador do Benfica a dizer que os adeptos ajudaram muito. A equipa também ajudou muito os adeptos.» - João Paulo Guerra, jornal O Benfica, 20 de Janeiro de 2012.

«Objectivamente. Luís Duque teve a tirada da semana quando afirmou que o “Sporting estava a tentar aproximar-se dos grandes do Futebol português” e que, no fundo, não era obrigado a ser campeão logo no primeiro ano da “revolução”. Em resumo, era isto que queria dizer o vice-presidente do Sporting, contrariando as arrojadas afirmações do presidente Godinho que, com a arrogância que se lhe conhece, não parou de lançar provocações, sobretudo ao Benfica, e que culminou com aquilo que se viu no Estádio da Luz após a derrota leonina para a Liga. Mesmo assim, Godinho ainda veio “dar chá” depois do jogo, com os seus amigos do FC Porto, dando exemplos de bem receber, como se alguém do Benfica precisasse desses recados dos fidalgos falidos, ou os tivesse recebido mal, mesmo sabendo das provocações e desfeitas ouvidas na semana que antecedeu o jogo da Luz entre os dois velhos rivais! Paga-se sempre pela língua de palmo! A publicidade enganosa que desde Agosto anda a ser lançada nos Media e que tem entretido os adeptos sportinguistas está aí desmascarada com a verdade dos números: estão piores que na época passada e gastaram à volta de 23 milhões de euros em compras... para nada! Não me esqueço quando se queixavam do Benfica por gastar muito dinheiro em compras tornando a Liga "sem verdade desportiva"! Diziam que os clubes não deveriam investir em contratações quando a crise é tão forte! Pois. O problema é que uns investem para ganhar e valorizar os activos e outros investem sem critério "enterrando-se" cada vez mais! É bom que peçam contas a quem de direito. E, já agora, que mostrem os resultados da tal auditoria que Godinho prometeu na campanha eleitoral para que TODOS possam ver o que fizeram nos últimos anos por Alvalade. E não são só os sportinguistas que precisam de saber isso. Diz respeito ao Futebol português e a quem defende seriedade no Desporto.» - João Diogo, jornal O Benfica, 20 de Janeiro de 2012.

«Em grande ... 1. Muitos motivos de satisfação no sábado. Estádio quase cheio, muita animação, equipa com grande disponibilidade fisica, vários golos, excelentes exibições. Terminada a 1.ª volta, lideramos, sem derrotas, como há muito não acontecia. E o nosso Cardozo, que marcou mais dois golos, é o melhor marcador, por muito que isso custe a uma colunista do Record que ali escreve na condição de benfiquista mas, lamentavelmente, com os seus escritos, só pode desestabilizar a equipa, que é como quem diz, prejudicar o Clube. Teremos que manter a onda de apoio até final do Campeonato. E a equipa terá de manter a atitude demonstrada no sábado passado. Porque as maiores dificuldades chegarão agora. 2. Gostei de ler as notícias a propósito de Enzo Pérez. A Direcção foi firme perante a atitude do jogador e do seu empresário e estes tiveram que ceder. Os jogadores têm que se convencer de que têm direitos mas também têm deveres. E, ao tomar esta firme decisão, a nossa Direcção enviou um recado claro para todos os outros e, principalmente, para os seus empresários! 3. O Sporting processou o jornal Público pela reportagem sobre as fotos (no mínimo) agressivas (e que a UEFA já obrigou a retirar), colocadas no corredor de acesso ao balneário das equipas visitantes. E quer pelo menos um milhão de euros de indemnização! Ridículo. Se calhar o jornal é que teria direito a indemnização pelo mentiroso comunicado do clube!... 4. Título de La página do Diário de Notícias de domingo: "Cardozo e James mantêm acesa guerra entre Benfica e FC Porto". Acompanha-o fotos dos dois jogadores. Título de La página do Jornal de Notícias do mesmo dia: "James ajuda FC Porto a manter luta com Benfica". Acompanha foto do jogador portista. Os dois jornais pertencem à mesma empresa (Controlinveste), um tem sede em Lisboa e outro no Porto. O de Lisboa mostra ser um jornal nacional, o do Porto aposta em ser um jornal regional. O exemplo destes dois jornais generaliza-se às empresas em geral. As que estão sediadas em lisboa (nacionais) sentem-se na obrigação de apoiar todos os clubes, as sediadas no Porto (regionais) não têm problemas em apoiar apenas os clubes(...)» - Arons de Carvalho, jornal O Benfica, 20 de Janeiro de 2012.

«Como não havemos de estar felizes? Acabou a primeira volta do campeonato. Finalizou a fase de grupos da Liga dos Campeões. E o Benfica cumpriu os dois principais objectivos. Liderar o campeonato sem derrotas, ganhar o grupo e apear o Manchester United. Como não havemos de estar felizes? O Benfica tem o melhor ataque da competição, tem a melhor diferença de golos e o melhor marcador do campeonato. Como não havemos de estar felizes? Basta um empate em casa no último jogo para estar nas meias-finais da Taça da Liga e poder, pela primeira vez, ganhar quatro títulos seguidos de uma competição nacional. Como não havemos de estar felizes? Da última vez que o Benfica terminou a primeira volta em primeiro isolado e sem derrotas eu andava no Liceu e tinha 14 anos. Por vezes nem apreciamos aquilo que conseguimos. Como não havemos de estar felizes? Nesta primeira volta, Vítor Pereira mostrou não ser tão forte como Villas Boas, Domingos mostrou ser igual a Paulo Sérgio, só Jorge Jesus mostrou ser ainda melhor que Jorge Jesus. Pontuação dixit. No último mês, o Santa Clara, ao perder 0-2 na Luz, fez o melhor resultado que algum adversário de Benfica conseguiu. Rio Ave, Vitória de Guimarães, UDLeiria e V.Setúbal fizeram pior. Como não havemos de estar felizes? A fronteira do sucesso e do fracasso é estreita em futebol. O FCPorto está apenas a dois pontos e é adversário capaz, mas não poderemos negar cinco grandes meses deste Bentica. Razões várias de um sucesso colectivo que só fará sentido se culminar em títulos. Os recordes entretêm e vão mantendo alto o moral e elevado o ânimo mas só os títulos sâo razão bastante de festejo. Iniciar a segunda volta sem «Galo», ganhar ao Gil Vicente e continuar felizes a ganhar jogos e bater recordes. Abraço amigo nesta hora de infortúnio para o Nélson Évora, perda olímpica, injustiça cruel.» - Sílvio Cervan, jornal A Bola, 20 de Janeiro de 2012.

«A desorientação de Domingos. Nunca se tinha visto Domingos Paciência com tanta dificuldade em controlar as emoções como nestes últimos dias. Já não dá para disfarçar: o treinador do Sporting é hoje um homem acossado, revoltado e até perturbado. As últimas duas conferências de imprensa mostraram isso mesmo. Um líder com falta de esclarecimento, a disparar para muitos lados e incapaz de se deter naquilo que deve ser a sua preocupação essencial: encontrar as razões para o paupérrimo futebol do Sporting. Quem não vence seis jogos consecutivos é porque tem um problema sério. E que não se resolve, de certeza, com ataques extemporâneos ao treinador do Sporting de Braga, a Hugo Viana e Mossoró ou até a figuras do próprio universo leonino. No meio do seu tsunami de argumentos (até deu para evocar os tempos de Paulo Bento, Carlos Carvalhal e Paulo Sérgio, não se percebendo muito bem porquê), o treinador dos leões ainda conseguiu reclamar "sete pontos que se perderam nas primeiras jornadas da forma que se perderam". Não o disse, mas - e não querendo deturpar – só poderia estar a referir-se a erros de arbitragem. Daqueles que acontecem sempre. Ontem, por exemplo, o Sporting beneficiou de um penálti inexistente no último minuto. Não são as lamentações de Domingos que os sócios e adeptos querem ouvir. O que eles querem é saber como foi possível a qualidade de jogo da equipa ter descido a um patamar tão preocupante. E, já agora, entender por que um jogador se permitiu ignorar a hierarquia estabelecida, fazendo em campo, perante 17 mil testemunhas, aquilo que bem entendeu. Com Wolfswinkel lesionado e Bojinov a contas com um processo disciplinar, restam Rubio e o recém-chegado Ribas, ainda com tudo por provar. Os sportinguistas, de facto, têm boas razões para estar apreensivos. Que dizer de Pepe? Tem problemas comportamentais que qualquer adepto deteta com facilidade quando assiste a um jogo do Real Madrid. Há alguns anos que o internacional português precisa de apoio específico que, pelos vistos, não está a ter. Mas também precisava de ter alguém a seu lado que o ajudasse a construir uma tese de salvação mais realista. "A pisadela em Messi foi involuntária", defendeu-se ontem o central. Caro Pepe, gostaríamos de acreditar. Mas as imagens não deixam.» - Nuno Farinha, jornal Record, 20 de Janeiro de 2012.

«Ah Leão. Contam-se os anos, uns após outros, com desaires do Sporting fáceis de justificar pela incapacidade e direcção da instituíçao, que jamais se aproximará dos seus rivais diretos enquanto não optar claramente por ser mais profissional e menos lírica. Atribuir importância à insatisfação natural de alguns adeptos, por muito ilustres que as suas atividades profissionais possam evidenciar, é perda de tempo e energia. O mesmo não se pode ignorar de alguns quadros dirigentes que, de térça a domingo são dirigentes, e quando as suas conveniências pessoais imperam, opinam como um banal simpatizante. Cedo Domingos Paciência entender expressar a sua opinião sobre fado deve fazê-lo com a mesma descontração e azedume, como qualquer fadista lhe canta a sina, sempre que a equipa não se exibe afinada. A liberdade de expressão é um direito inalienável que assiste tanto a treinadores como a trovadores do património imaterial de humanidade. Mais. Se considerar as críticas injustas e o incomodarem, não hesite em expressá-lo. Não deixa, no entanto, de me preocupar que o treinador principal do Sporting se perca em considerações sobre comentáríos de quem pouco sabe da poda e apenas desabafa o que lhe vai na alma, f~ de nada ganhar há anos. Efe~am~nte, ao Sporting escasseiam.am~ mwtos detalhes que . ~p~xunarao o clube dos principais rivais. A solução encontrada para emendar a mão do disparate decorativo do túnel dos balneários é disso um exemplo taxativo. Ao invés de reconhecer o erro e emendar a mão, com alguns dos inúmeros exemplos de glória leonina, a resposta florida e primaveril soou a birra pueril. E ainda não foi desvendado o autor da colagem fotográfica inaugural, e da posterior fixação idílica. Domingos não teria dúvidas em desconvocá-Io para os próximos jogos. A razão que assiste a Domingos não o impede de cometer erros, apesar de a paciência dos adeptos e dirigentes ser sempre de pavio curto. Os avisos, reconheça-se que foram vários, demonstraram ser insuficientes para os motivadíssimos adeptos leoninos que ano seiam por milagres. Em futebol, esse departamento está apenas reservado a quem se rodeia de bons profissionais. Só jogadores novos são 19, treinador e equipa técnica idem, Luis Duque e Carlos Freitas de regresso este ano, presidente inédito e restante elenco inexperiente, e parte dele com nítida insensibilidade para o cargo. Talvez mais vocacionado para "pbiatairteas" televisivos. voltar a rngir, o Sporting tem de exorcizar os seus fantasmas. São pequeninos egos a eliminar ao longo das próximas épocas. O mesmo tempo que reclama Domingos para pôr a equipa a jogar à leão. PS - A Domingos exige-se coerência. Bojinov é carta fora do baralho.» - Jorge Gabriel, jornal Record, 20 de Janeiro de 2012.

«Mais um ano. O Sporting está fora do campeonato. Ponto final parágrafo. E ficar fora do campeonato em janeiro não é o mesmo que saber que a vitória será impossível em abril. Não há nenhuma razão para otimismos. Já não havia há algum tempo. O Sporting perdeu, quando estava a um ponto da liderança, a sua oportunidade. E todas as outras competições sabem a pouco quando o campeonato está perdido. Na verdade, no princípio do campeonato não disse a frase mais vezes repetida pelos sportinguistas: "Este ano é que é". Os anos anteriores foram tão trágicos, tiveram direçães e treinadores tão inaptos, que era impossível reconstruir um clube e uma equipa em poucos meses. Quase 20 jogadores novos, um treinador novo, uma direção nova... Não há milagres. Mas, apesar de os resultados ainda não o provarem, a equipa está a jogar melhor e sente-se mais consistência em tudo o que é feito. E qualquer pessoa que veja os jogos não pode deixar de o confirmar. Roma e Pavia não se fizeram num dia. Este não é, por isso, um ano perdido. Domingos, aproveitando a lendária paciência dos sportinguistas, tem de o aproveitar para construir uma equipa. A direção tem de o aproveitar para consolidar as contas, fazer bons negócios e manter a paz no clube. Os jogadores têm de o aproveitar para fazer o trabalho de casa. Entrar em desespero seria idiota. Não há razões para tanto. Começar a pôr já tudo em causa, quando sócios e adeptos parecem estar disponíveis para esperar um pouco mais, seria um absurdo. Mas é importante não abusar da sorte. Para o ano não haverá a mesma benevolência dos adeptos. Para o ano são mesmo os resultados que contam. Quem promete fazer renascer um clube com a história do Sporting precisa de tempo. Mas tem, quando esse tempo passa, de corresponder às expectativas que criou.» - Daniel Oliveira, jornal Record, 20 de Janeiro de 2012.

«Quanto tempo até ao êxito? Quanto demora a construção de nova equipa de futebol capaz de ser campeã, ou ficar perto desse máximo objetivo? Incerta resposta: depende da qualidade dos futebolistas recém-chegados, da qualidade do treinador e da global estrutura do clube. Para esta temporada, Benfica, Sporting e SC Braga muito mudaram o plantel, somando-se, em Alvalade e no Axa, alteração de comando técnico. No FCPorto, quase tudo como há um ano, ressalvados... dois pormaiores: perda de Falcao e Villas-Boas... (e ainda isto: nenhuma das aquisições - Bracali, Mangala, Alex Sandro, Defour, lturbe, Kléber, conseguiu assídua presença no onze mais vezes titular). Que balanço, a meio da época? Benfica e SC Braga vão muito bem, à escala da respetiva bitola de ambição. Sporting em ziguezague, com recente tendência para frustração. FCPorto resistindo a várias engasgadelas, sendo o que menos deveria tê-las. Benfica, Sporting e SCBraga encontram-se a meio caminho da profunda reconstrução de que o FCPorto não sentiu necessidade. A exigência que Benfica e Sporting sempre colocam a si mesmos sltua-se muitissimo acima da existente em Braga, onde a meta está no 4.º lugar e, daí para cima, tudo será estupendo extra. O novo Benfica partiu com 13 aquisições (agora, para suprir a provável perda de Rúben Amorim, fez regressar de Leiria a 14.ª: André Almeida). O novo Sporting embalou com 14 reforços (e a esses já juntou Renato Neto, Xandão e Ribas). Logo, Luz e Alvalade lançaram-se taco a taco na intensa sede de renovação. Seis meses depois, substancial diferença (11 pontos no campeonato) de resultados. Porquê? Nos onze base de Benfica e Sporting tem havido maioria de recém-chegados, o que vinca profunda mudança. Artur, Garay, Emerson, Witsel, Nolito, Bruno César (com crescente frequência, também Rodrigo; várias vezes, Matic) são pilares da reconstrução benfiquista. Onyewu, Insúa, Schaars, Elias, Capel, Van Wolfswinkel (mais Rinaudo, até à grave lesão, e Carrillo, um bocado aos solavancos) assumem-se alicerces do novo Sporting. Evidentes fífias nas aquisições quase não há. De certeza, não os guarda-redes suplentes (Eduardo/ Mika e Boeck); têm alto valor, muito difícil é destronar Artur e Rui Patrício. Gritantes falhanços... só um em cada equipa: Capdevila (quiçá Mora, ora emprestado; não Enzo Pérez, pois foi titular até à lesão...) e Bojinov (Rodriguez e Jeffrén com problemas fisicos - nada inesperados... -, Rubio muito miúdo). Onde estão as diferenças? Primeira: Onyewu, ou Rodriguez, não possuem a grande classe de Garay; Insúa é bem melhor que Emerson; mas Schaars e Elias ainda não dinamizaram a linha média como Witsel tem feito; Rinaudo lesionou-se quando começava a discutir importância com Javi García; Capel-Carrilo, dupla de extremos com notória mais-valia mas sem a eficácia de Nolito-Bruno César; Bojinov e Rubio a anos-luz de Rodrigo - e este a aproximar-se de Van Wolfswinkel. Segunda diferença, importantíssima: o novo Benfica também assenta em forte base anterior, leia-se Luisão, Maxi Pereira, Javi García, Aimar, Gaitán, Cardozo (e Saviola no banco de suplentes!...); no Sporting, a melhor estrutura vinda de trás limita-se a Rui Patrício, João Pereira, Polga... E a qualidade do treinador? A de Domingos Paciência foi testada numa interessante Académica e, com intenso brilho, aprovada no fantástico percurso do Braga: vice-campeão nacional (!!!) e finalista na Liga Europa (!!). A de Jorge Jesus justificou entrada no Benfica. E ao Benfica tem dado 3 épocas de muita alma – tirando-o do negrume de 4 anos a fio atrás de FCPorto e Sporting. Esta sua 3.ª temporada na Luz é a 2.ª com profunda reconstrução da equipa; na 1.ª cometeu a proeza de logo ser campeão..., na seguinte, estatelou-se à entrada, andou longos meses no intenso esforço de recuperar face a FCPorto... inacessível; agora, voltando a reconstruir, é líder na Liga e encontrou bom ritmo na Champions. Por fim, mas crucial!: global estrutura do clube/SAD. A do Benfica ainda não chegou ao nível em décadas cimentado pelo FC Porto, mas está muitíssimo à frente da que Godinho Lopes, Luís Duque, Carlos Freitas e Domingos Paciência encontraram no tão esvaído Sporting.» - Santos Neves, jornal A Bola, 19 de Janeiro de 2012.

«Domingos arrisca-se. Acabando a primeira volta do campeonato com o mesmo número de pontos que Paulo Sérgio havia amealhado no período homólogo da época passada, mas em ambiente de menor investimento, conseguirá Domingos Paciência resistir a uma onda continuada de maus resultados e à chicotada psicológica? A "sentença" tem data marcada: 8 de Fevereiro, no Funchal, quando o Sporting ditar ou não a sua presença na final da Taça de Portugal, perante a dificil equipa do Nacional que conseguiu cometer a proeza de empatar em Alvalade (2-2) no jogo correspondente à primeira mão das meias-finais da prova. Até lá, o Sporting realiza quatro jogos, três dos quais em Alvalade, com equipas teoricamente acessíveis, como é o caso da partida desta noite com o Moreirense. São os mais perigosos. Qualquer desaire nestas quatro partidas (Moreirense, Olhanense, Beira-Mar e Gil Vicente) constituirá forte abalo nas credenciais de Domingos Paciência, que nos últimos tempos cometeu alguns erros comprometedores. O treinador do Sporting reagiu ontem, em conferência de imprensa, às críticas que se abateram à sua equipa depois do desaire de Braga, e não poupou nem "os médicos, fadistas e carpinteiros" que "falam mal do Sporting” nem sequer o presidente Godinho Lopes escapou: "O Sporting não está aquém das expectativas!" Domingos Paciência não gostou da mensagem presidencial e acabou por lançar recados em muitas direcções: aparentemente para fora e, também, para dentro, acentuando as diferenças claras que se estabelecem entre aqueles que se posicionam à "porta da cabina" e aqueles que vívem, diariamente, os problemas da equipa de futebol. O Sporting, nesta matéria, é um clube singular: não há mais nenhum no Mundo em que o presidente da assembleia geral seja mais do que uma mera figura institucional, de silenciosa e educada representação. Só no Sporting o presidente da assembleia geral se acha com competência para colocar em causa, publicamente, o papel de Luís Duque, administrador da SAD, jogado como "trunfo eleitoral" de Godinho Lopes e responsável pela contratação de Domingos Paciência. A sensação que se colhe é que a SAD se acha em brios para poder mitigar o conjunto de handicaps forjados no passado (a auditoria sai ou não sai?) e o clube trabalha para amplificar a ideia de que o leão está de volta. São duas realidades, dois ângulos de observação, duas velocidades, dois "mundos". O clube quer resultados em seis meses; a SAD e a equipa técnica falam outro tipo de linguagem, condicionada porventura por aquilo que é a percepção diária dos problemas da equipa. O Sporting precisa de se reencontrar, mas duvido que seja possível com o presidente a dizer uma coisa e o treinador a desmenti-lo. Nem creio que seja possível avançar enquanto outras figuras (directivas) acham que as suas opiniões são mais importantes do que a estabilidade do futebol. Eu diria que uma equipa de futebol não se constrói em seis meses e muito menos se destrói em meio ano uma cultura de leonina autofagia. O Sporting já conheceu dois períodos de euforia e está a atravessar o segundo período de depressão. Fez avanços mas o "centro da liderança" continua disperso e é difuso. O que fará agora Godinho Lopes?» - Rui Santos, jornal Record, 19 de Janeiro de 2012.

«Aguenta Sporting. Só os pudins são instantâneos. Não basta juntar a água da transpiração, por muita que ela seja, para que os resultados de uma mudança sejam imediatos. Nem os super Mourinho e Ronaldo conseguiram pôr o Real Madrid a vencer o Barcelona, quanto mais o campeonato espanhol. E no Sporting é o que é, transforma-se entre bestial e besta a cada mês que passa. "É fácil bater no Sporting", diz o treinador do clube. Sim, é fácil, tem sido demasiado fácil bater no Sporting nos últimos anos, tanta tem sido a falta de consistência. Este ano, as coisas melhoraram muito, em qualidade e em resultados, mas o treinador tem de lembrar-se que além de ser Domingos também é Paciência. E a ansiedade dos adeptos tem de ser gerida. Como respondeu ontem Peseiro, "só um lunático acreditaria num Sporting campeão". Mas as bancadas e os sofás estão cheios de lunáticos, não de calculistas. Nos últimos anos, o Sporting tem tido piores presidentes que treinadores. Mesmo Godinho Lopes, que ainda está no seu primeiro ano na cadeira, anda ainda a aprender, como se viu no triste caso dos corredores para os balneários (que raio de ideia aquela). E o seu "Não garanto este ano, mas prometo que seremos campeões" é como a célebre frase de Durão Barroso, que sabia que seria primeiro-ministro, só não sabia quando. Uma promessa destas não compra tempo, compra um rótulo que persegue quem a faz até que seja cumprida. Não é com tinta que a relva fica verde: ela precisa de terra fértil, sol, oxigénio e boa água para florescer. É preciso dar tempo ao Sporting, e a Domingos, para que possa construir uma equipa que ganhe numa próxima temporada. É verdade que o Porto e o Benfica têm tido tratamento diferente, mas é porque o merecem: são equipas mais fortes e consistentes. O Sporting ainda está a torcer o pepino.» - Pedro Guerreiro, jornal Record, 19 de Janeiro de 2012.

«(...) O Benfica fez um belo jogo com o Vitória de Setúbal. Sem Aimar, Javi García, Garay e Gaitán no onze titular e com sete jogadores que só chegaram à Luz no Verão passado - Artur, Emerson, Matic, Witsel, Nolito, Bruno César e Rodrigo -, a equipa produziu um espetáculo de qualidade e ganhou expressivamente depois de ter começado o jogo a perder graças a uma bola que, embatendo na aresta errada do crânio do nosso capitão Luisão, traiu o nosso guarda-redes, poker face Artur. O lance foi infeliz, pois foi. Mas não houve choraminguices. O Benfica reagiu com um espírito adulto, com um futebol que dá gosto ver e voltou a golear. Pessoalmente, assaltam-me grandes dúvidas sobre este Benfica de 2011/2012. É que não sei se gosto mais do Rodrigo ou se gosto mais do Cardozo. Sim, são dúvidas luxuosas, reconheço. E acho que vou andar nesta feliz indecisão até ao final da temporada. Peço perdão aos assobiadores do paraguaio se os ofendi. Mas, olhem, foi de propósito. Por falar em choraminguices, ontem Domingos Paciência ultrapassou-se a si próprio, o que é muito difícil. Um treinador de uma equipa grande, vir fazer queixinhas de dois jogadores do Braga porque lhe disseram «toma!» no túnel, no fim do jogo, é francamente de mais. Toma?! É que nem «toma lá e vai almoçar» ou «embrulha» ou «enxerga-te». Apenas «toma!» e deu logo direito a choradeira e a discurso sentido sobre a ingratidão de Hugo Viana e de Mossoró, jogadores que já teriam acabado as respetivas carreiras se Domingos não os tivesse feito ressuscitar do limbo em que penavam. No seu vale de lágrimas, o treinador do Sporting ainda teve discernimento para se insurgir contra os «médicos, fadistas e carpinteiros» da casa que lhe moem a paciência todos os dias com os seus comentários na comunicação social. Tomem!» - Leonor Pinhão, jornal A Bola, 19 de Janeiro de 2012.

«Meia Liga. Chegámos a meio da Liga. Ainda longe de se ver o fim. E de se tirarem conclusões definitivas. Mas desta metade destaco: 1. A Justiça da liderança do Benfica, a equipa que melhor e mais empolgante futebol exibiu. Um guarda-redes de classe, uma defesa sólida e um meio-campo e um ataque onde há a quantidade da qualidade. Os oito magníficos (Aimar, Witsel, Galtán, Nolito, Cardozo, Saviola, Rodrigo, Bruno César) para os quatro lugares da frente são a garantia de virtuosismo e eficácia. Que Jorge Jesus tem sabido gerir com competência. Tivesse esta equipa Coentrão e onde poderia chegar na Europa... 2. A solidez do Porto que, apesar de um treinador periclitante e da Hulkdependência, está de tal maneira entranhada que a equipa não se afasta dos lugares cimeiros. 3. Um Sporting que tendo embora a mesma pontuação de há um ano, está melhor do que antes. Todavia, irregular, perdeu os seus 17 pontos nas primeiras Jornadas (7) e nas últimas (10). Significativo o facto de, com os mais directos adversários (Benfica, Porto, Braga e Marítimo), ter tido três derrotas e um empate. Precisa manifestamente de tempo. 4. A consistência do Braga, não obstante muitas mudanças de jogadores e de técnico. Certamente resultado de um trabalho estruturalmente certeiro. E sem nos darmos conta... com mais 11 pontos do que na época passada. 5. Destaco ainda o Guimarães e a Académica, equipas que praticam um bom futebol, ainda que frágil e, como tal, capazes do melhor e do pior e o Maritimo, que não empolgando, é seguramente das equipas mais difíceis de bater. 6. As restantes equipas fazem abnegadamente pela vida.» - Bagão Félix, jornal A Bola, 19 de Janeiro de 2012.

«Haja decoro! Na Liga e... na FPF. Quando a Liga de futebol decidiu, pressionada, reduzir, de 18 para 16, o número de clubes no primeiro escalão, considerei que isso era inócuo, quase nada adiantava... E disse-o ao então presidente Valentim Loureiro. Retorquiu: “É um passo, uma experiência.” Que resultado? Não muito bom, mas bem melhor do que mau. E eis que, 6 anos decorridos, Mário Figueiredo vence corrida a líder da Liga com este objetivo chave no seu programa: alargar para 18; tão necessário/urgente que será já na próxima época. Volto a dizer que isso é inócuo? Nim. A tal pouca diferença entre 18 ou 16, mas há marchas atrás que sempre significam atrasar chegada a melhor futuro... (defendo 12 clubes a 3 voltas, ou a 2 seguindo-se play-off). Não vejo que acréscimo de 4 jornadas traga mais dinheiro, quiçá pelo contrário; somar-se-ão jogos com bancadas vazias... e, na aposta em nova distribuição de receitas televisivas, haveria mais 2 partes... Aliás, vem aí escaldante zaragata! Está-se mesmo a ver Benfica, Porto, Sporting e até Braga abdicarem de pagamento à escala das audiências que originam... E como se faz com clubes cujos contratos televisivos já incluem mais 2/3/4 anos? Na história do nosso futebol, alargamentos sempre foram escabrosos: salvar este e aquele clube, ou eleitoralismo... como terá sido agora o caso. Com proposta de ninguém descer esta época... Uau! Intenso alívio/aplauso dos aflitinhos. Ou, afinal, sobem 4? É que a II Liga foi decisiva nesta eleição... Para ninguém se revoltar: ponham lá 20! Assim, ou assado, inadmissível mudar regras em pleno campeonato. Haja decoro. Logo, também em teste as novas Direção e AG da Federação...» - Santos Neves, jornal A Bola, 18 de Janeiro de 2012.

«Gestão e indigestão. No fecho da primeira volta, em que os pontos ultrapassam os conquistados em igual período na época do último título (em 2009-2010) e em que os desempenhos começam a aproximar-se dos alcançados pela máquina de ataque concebida por Jorge Jesus e municiada por Luís Filipe Vieira para essa temporada, o Benfica começou a partida com o Vitória de Setúbal com sete recrutas de primeiro ano. Ou seja, com sete jogadores que foram chegando à Luz por volta das últimas férias de verão. A saber: Artur, Emerson, Matic, Witsel, Nolito, Bruno César e Rodrigo. As quatro exceções foram Maxi Pereira, Luisão, Jardel e Oscar Cardozo. Dir-me-ão alguns que, em circunstâncias normais, estariam em campo Javi Garcia, Aimar, Gaitán, até Saviola, todos com mais vasta quilometragem de Benfica nas pernas. É verdade, mas também não podemos esquecer Garay, reforço que pegou de estaca até à lesão; Arredondando, para cima ou para baixo, é louvável a capacidade de integração e aproveitamento que o técnico do Benfica consegue num plantel que aguenta sem sobressaltos de maior a rotação dos avançados, que resiste às lesões de uma estrela como Gaitán e de um verdadeiro maestro como Pablo Aimar, que sobrevive às ausências de Luisão e Garay, hoje a melhor dupla de centrais a jogar em Portugal. Mais: que ainda dispõe de margem de crescimento interna, bastando para tanto que Enzo Pérez tenha regressado com disposição de mostrar que é um homem e um profissional, sem recaídas depressivas. Neste quadro dinâmico - e de valorização dos atletas, como vai ficando provado pelas vendas alcançadas, se pensarmos em Di Maria, Ramires, David Luiz, Fábio Coentrão - só custa entender como ainda há gente que não compreende que a titularidade é um bem escasso e a utilização um prémio pelo qual é preciso lutar, treino após treino. Não haverá quem explique a Ruben Amorim que mais vale integrar um elenco destes, mais vale um jogo na montra da Champions ou num clássico da Liga, do que a utilização regular numa equipa mediana e sem ambições? É que estamos a falar de um daqueles casos em que o jogador precisa mais do clube do que o contrário. Depois da gestão, a indigestão sportinguista. Depois da Luz, de Coimbra, da receção ao FC Porto e da viagem a Braga, é vital rever os objetivos, com o terceiro lugar na Liga e a Taça de Portugal à cabeça. Não cerrar fileiras desde já pode significar um naufrágio semelhante ao da última época. Com duas diferenças essenciais: uma tem a ver com as expectativas que se alimentaram. Quanto maior a queda, mais séria a zanga. A outra prende-se com o investimento.Tantos milhões sem retorno são um estado transitório que não augura nada de bom para o que vem a seguir.» - João Gobern, jornal Record, 18 de Janeiro de 2012.

«Revolta na Bounty. Não conheço Mário Figueiredo, o novo presidente da Liga de Futebol. Também não conheço António Laranjo,o candidato perdedor. Li os seus propósitos e ouvi-os em breves entrevistas televisivas. Ambos me pareceram pessoas serenas, conhecedoras e com ideias estruturadas, fugindo assim ao estereótipo do espertalhão. Foi a primeira disputa com mais de um candidato, o que, só por si, é de assinalar positivamente. Assim como a constatação de que não há vencedores antecipados, nem guião de voto de monopólios condicionantes. O resultado final parece que foi surpreendente. Sobretudo levando em conta que o Benflca, Porto, Sporting e Braga haviam apoiado o candidato... perdedor. Devo dizer, no entanto, que nada tenho contra os grandes estarem do mesmo lado. Porém, com duas condições: a de que a sua união seja verdadeira e não meramente táctica ou fortemente condicionada por regimes de protectorado financeiro e a de que não cave o fosso entre eles e os restantes clubes. Ora, desconfio quando os três principais clubes de Portugal – que constantemente se digladiam no dia-a-dia por uma qualquer ninharia e excitam a clubite ao extremo - estão, aparentemente, todos do mesmo lado em assuntos primordiais. Assim foi para as eleições federativas e agora para a Liga. Das duas uma: ou a guerrilha é artificial, ou artificial é a unidade eleitoral. Tão hostis e tão amigos. Tão desavindos e tão cooperantes. Tão desgarrados e tão solidários. Tão diferentes e tão iguais. Talvez esta eleição tenha sido uma boa lição para o artificialismo de certas coligações. Uma verdadeira “revolta na Bounty”... A ver vamos...» - Bagão Félix, jornal A Bola, 18 de Janeiro de 2012.

«Urge estabilidade. As equipas de futebol são das unidades produtivas em que a estabilidade é um bem mais decisivo. Entenda-se por estabilidade não o temor da novidade, ou imobilismo burocrata, mas sim a necessidade de operar as mudanças de forma faseada, pré-testada, entendida como bondosa pelos agentes finais. Quando os jogadores ouvem os nomes que formam a equipa titular precisam de acreditar na fórmula proposta. Precisam de entender o critério do líder técnico. Precisam de sentir justiça e razão para. Não arbitrariedade. Nos últimos dois jogos, o Sporting perdeu cinco pontos com adversários diretos. Frente ao FC Porto, jogou de início um jovem chamado Renato Neto. Em Braga nem sequer se equipou. Carriço era indiscutível quando se lesionou, em Braga não saiu do banco. Polga comete um erro após excelentes exibições e sai logo da equipa, Rodriguez entra sem ritmo, num ambiente hostil - não foi este jogador que estava lesionado para o Sporting e jogou pela sua seleção? Um recém-chegado Seba entra logo a titular sem ritmo nem partilha de terrenos. Domingos queixa-se das lesões e tem toda a razão. O plantel é curto quando procuramos qualidade. Mas com um plantel ainda sem grandes soluções é ainda mais necessário o respeito pelo valor da estabilidade. Mudar peça por peça, com muita cautela, é o que se pede a Domingos na sua árdua tarefa de relojoaria, num Sporting que consegue fazer coexistir titulares indiscutíveis com qualidade Rolex, como Matias Femandez, Rui Patrício, Elias, ou, no outro extremo, um vistoso Onyewu de pechisbeque. Este Sporting, sejamos justos, é muito melhor e mais empolgante do que o da época passada. Assim não comece a descrer demasiado de si próprio. E recupere a necessária estabilidade. Este é o primeiro ano de um novo projeto. Vencer a Taça de Portugal será o melhor sinal para o futuro.» - Octávio Ribeiro, jornal Record, 17 de Janeiro de 2012.

«Oportunismo eleitoralista. Temos de convir - apesar do manifesto desinteresse revelado pelos três grandes no resultado da eleição - que a escolha de Mário Figueiredo para a Liga foi uma pedrada no charco. Diz-se que foi a revolta dos pequenos (cansados de viver na órbita dos grandes sem benefícios) que conduziu a este desfecho. Não creio. O que houve foi oportunismo eleitoralista do candidato vencedor ao fazer promessas que não vai poder cumprir. A primeira - alargamento para 18 clubes - é um vilipêndio que atenta contra os interesses do futebol português e representa enorme retrocesso na competitividade. Há resmas de papel com estudos feitos sobre a inviabilidade económica de mais clubes na I Divisão, 16 já são muitos. A tese da melhoria da qualidade e da defesa do jogador português é uma falácia. De resto, a prevista inclusão das equipas B dos maiores clubes na II Liga já resolve esse problema. Espero bem que a FPF e a sua assembleia-geral tenham o bom senso de mobilizar os meios para que este perigoso projecto não seja aprovado. A segunda promessa - venda colectiva dos direitos televisivos e repartição mais equitativa das respectivas receitas - essa sim, seria uma lança em África e a favor dela me tenho batido desde há muito. Mas, para já, é uma miragem porque nunca exequível no decurso de um mandato. Veja-se o exemplo da Espanha, onde os direitos continuam a ser negociados individualmente. Vejam-se os exemplos de França e Itália, onde foi necessária a intervenção do Governo para vergar os grandes. E, depois, há contratos em vigor que só caducam em 2016 ou até mais tarde. Este é um objectivo pelo qual vale a pena começar desde já a trabalhar.» - Manuel Martins de Sá, jornal A Bola, 17 de Janeiro de 2012.

«Vieira ganhou uma aposta alta. Oscar Cardozo nunca será um jogador consensual dentro e fora do Benfica. No plano interno, há quem não veja no paraguaio qualidade para custar 11 milhões de euros e aponte sempre a venda como o melhor caminho a seguir, enquanto na bancada a maioria dos adeptos parece, muitas vezes, que preferia quem se atirasse para o chão para disputar uma bola em vez de quem faça golos. Por norma, os maiores elogios ao Tacuara até surgem dos adversários. O sucesso de Cardozo nestas 4 épocas e meia em muito se deve a Luís Filipe Vieira que arriscou quando gastou uma fortuna por aquilo que é mais caro no futebol (golos) e nunca cedeu a pressões de dirigentes, adeptos ou até do próprio jogador.» - João Rui Rodrigues, jornal Record, 17 de Janeiro de 2012.

«Alargamento. A surpreendente eleição de um presidente da Liga sem apoio dos clubes des trouxe à ribalta alguns nostálgicos do antigo grupo da sueca, com xitos e tudo. A ideia campeã foi a do alargamento da 1.ª Liga, à revelia da lei e do Conselho Nacional de Desporto. O absurdo é um lugar-comum no pândego mundo do futebol português, mas nada poderia ser mais desprovido de fundamentos do que negar a evolução positiva desencadeada pela redução de 2006, precisamente na semana em que, pela primeira vez na história, a Liga portuguesa foi considerada a quarta melhor do Mundo e terceira da Europa, apenas atrás da espanhola, inglesa e brasileira. As variáveis da equação são óbvias. Por um lado, qual o interesse desportivo, comercial e mediático da junção de mais dois emblemas de dimensão reduzida, audiências televisivas residuais e incapacidade orçamental para fixar jogadores portugueses? Por outro, a introdução de mais quatro jornadas de baixa competitividade no calendário dos clubes principais ser-lhes-ia benéfica ou acabaria por devolvê-los às enormes dificuldades em competir a nível internacional, sentidas durante os anos 90. Esta questão do alargamento surge, ciclicamente, por dois motivos empíricos, a necessidade de promover um emblema importante em risco de despromoção e a melancolia de alguns agentes em períodos de menor actividade. Por isso, também são agora fáceis de esvaziar e ultrapassar, se a experiência nos diz que os campeonatos não morrem pelo ocaso conjuntural de um Boavista ou de um Belenenses e que, de facto, não existe público nem clima para jogos de futebol no Natal. A imposição reguladora de reduzir as Ligas profissionais para 16 clubes visou torná-las mais competitivas e melhorar-lhes os resultados financeiros - e foi bem sucedida. Assim, para voltar à estaca anterior, seria necessário demonstrar que os campeonatos se tornaram menos interessantes, quando toda a gente reconhece um valor desportivo crescente na actual Liga de Honra, a ponto de ter passado a ser patrocinada e televisionada em directo, e quando a 1.ª divisão aumentou a média de espectadores e tem representantes permanentemente em grande destaque nas provas da UEFA. Objetivamente, não se vislumbra qualquer pressuposto favorável ao alargamento de uma Liga em que a assistência total de mais de metade dos participantes, apesar da evolução, não daria para encher um estádio da Luz. Muito menos que o bolo dos direitos de televisão possa ser distribuído, em conjunto, por ainda mais gente, quando a tendência é a da pulverização das audiências nacionais, num contexto de concorrência global com as transmissões das ligas europeias, a que apenas o Benfica e o Porto conseguem resistir. Só havia uma reivindicação interessante para os novos dirigentes da Liga, agora que o eixo do poder regressou à Federação, que passava pela atribuição de um lugar europeu ao vencedor da Taça da Liga, mas ninguém a colocou porque não oferecia votos nem perspetivas de mais dinheiro do que cada um justifica e merece.» - João Querido Manha, jornal Record, 17 de Janeiro de 2012.

«Treinadores e inventores. Em Março de 2010, depois de o FC Porto ter vencido o Arsenal, na primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, por 2-1, com golos de Varela e Falcao, e de Jesualdo Ferreira, como solução milagrosa para salvar a eliminatória, ter queimado Nuno André Coelho na fogueira de Londres e condenado ao enxovalho o nome e o prestígio do emblema do dragão, considerei-me vacinado contra qualquer tipo de vírus provocado por essa inexplicável tendência criativa do treinador português, que fez escola e que, ainda hoje, mesmo entre os mais cotados, congrega generosa franja de prosélitos: a arte de inventar. Convém lembrar que, nesse ingrato Arsenal-FC Porto, os ingleses golearam os portistas (cinco golos a zero) e deram-nos mais um importante contributo para desacreditar esse velho e relho conceito que nunca enriqueceu com títulos o currículo de algum técnico. Em concreto, apenas tem funcionado ao longo dos anos como aconchego de treinadores resignados, sem elevadas ambições, talhados para o pontinho e para a manutenção. De aí que devamos aplaudir e incentivar esta vaga emigratória de desempregados que, vendo-se sem espaço em Portugal, e em obediência ao que o nosso primeiro ministro sugeriu, se aventuram em árduas experiências, provavelmente sem as condições que outros por cá tanto exigem e os clubes, sem cêntimo nos cofres, não conseguem satisfazer. Este fenómeno, aliás, traz-me à memória o insondável mistério que separa com enorme biombo o comportamento dos mais ilustres árbitros lusos, impondo-lhes uma bitola em participações internacionais e outra nas nacionais, o que significa possuírem eles atributos apreciados no exterior, por serem testemunhados, e criticados internamente, por deles termos somente uma vaga ideia... Semelhanças de pormenor à parte, a verdade é que a situação dos treinadores é substancialmente diferente. Enquanto aqueles, atingido determinado estatuto, desfrutam das mesmas mordomias, quer em Portugal, quer no estrangeiro, estes são obrigados a fazer-se à vida sem olharem a meios nem a destinos. Agarram-se ao que lhes aparece na maioria dos casos. É uma vida difícil, sem dúvida, que começa a recompensar, não sei se em termos financeiros, mas ao nível do reconhecimento da competência e da projeção dela resultante. José Mourinho , Manuel José, Fernando Santos, Villas-Boas, Carlos Queiroz, Carlos Carvalhal, José Couceiro, José Romão, Paulo Sérgio, Paulo Duarte, Guilherme Farinha, Jorge Costa, Jaime Pacheco, António Conceição, Nelo Vingada, José Dinis, Norton de Matos, António Caldas, mais Manuel Machado e Fernando Couto, de malas feitas para a Grécia e para a Índia, mais os que regressaram e anseiam por nova chamada, como Álvaro Magalhães, João Alves, Augusto Inácio, Manuel Balela, Vítor Manuel ou Bernardino Pedroto, mais não sei quantos, cujos nomes não me ocorrem, de gente que representa bem o País nos cinco continentes e engrandece a imagem do futebol português, gente credora de respeito e admiração. Já percebi que me desviei do tema central da minha conversa, mas foi por uma boa causa. Ao ir ao baú das recordações buscar a invenção de Jesualdo, outro dos emigrados, foi com a intenção de associá-la à profusa imaginação de Domingos Paciência, o qual, de uma assentada, cometeu o pecado, nesta viagem a Braga, de roubar aos seus jogadores aquilo que de mais entusiasmante guardam para oferecer aos adeptos: alegria e coragem. Já os envergonhara antes do clássico com o Porto, com aquela história dispensável da papa, agora, encolheu-os com os medos que as suas mudanças obviamente deixaram transparecer. Não havia necessidade... Para um projeto de sucesso, primeiro é preciso possuir bons praticantes, e Domingos Paciência reúne os suficientes, depois prepará-los fisicamente - não registo reparos sobre a matéria -, motivá-los psicologicamente - aqui tenho dúvidas sobre alguns procedimentos - e definir estratégias, sem tropeçar no absurdo... Sinceramente, entendo que nenhum raio caiu sobre Alvalade. Como escrevi, há uma semana, o Sporting está no caminho certo, e Domingos também, mas aceito que se lhe acabou o estado de graça. Inventou mal...» - Fernando Guerra, jornal A Bola, 17 de Janeiro de 2012.

«(...) Curiosamente, também houve um lance controverso no Benfica-V. Setúbal e outro no FCPorto-Rio Ave. Na Luz, onde o jovem lisboeta Hélder Malheiro me deixou a ideia de ser árbitro com bonito futuro, considero defensável a expulsão de Óscar Cardozo (segunda advertência) mas apenas porque ele caiu depois de saltar para evitar (como evitou) contacto com Diego, guarda-redes dos setubalenses. Creio que, se houvesse simulação de falta sofrida, Cardozo não saltava, arrastava os pés, como é frequente ver-se a muitos artistas da trapaça. No Dragão, foi indiscutível a expulsão de Rolando, com vermelho directo, porque o adversário por ele derrubado em falta (João Tomás) ganhara-lhe dianteira, corria na direcção da baliza e levava a bola controlada. Neste jogo, também houve muito boa arbitragem do madeirense Marco Ferreira.(...)» - Cruz dos Santos, jornal A Bola, 17 de Janeiro de 2012.

«O Cardozo. Com tamanha eficácia concretizadora, seria de esperar que o número 7 benfiquista fizesse a alegria de todo e qualquer adepto. Parece que o Tacuara é o melhor marcador estrangeiro do Glorioso. Parece que nos salva umas quantas vezes. Dizem que tem um pé esquerdo-bala. Mas a mim não me traz grande alegria. Já aqui o disse muitas vezes. Hoje explico porquê. Oscar Cardozo é teimoso, pesado, cabeçudo, preguiçoso, lento e, mais recentemente, caprichoso. Tem vindo a perder humildade e, mesmo marcando, qualidade. Se o paraguaio já me mexia nos nervos antes do último Benfica-Sporting, o vermelho que viu nessa partida levou-me ao ataque de nervos agudo. Amarelado e caprichoso, deu-se ao luxo de protestar com a vida ou com o árbitro - nunca saberemos - e ir parar ao meio da rua com meia hora de jogo pela frente e uma vitória magra para defender. Depois desse jogo, e com o Rodrigo a jogar a titular, perdeu-se qualquer hipótese de eu vir a gostar - ou voltar a gostar – do Cardozo. Lembram-se quando ele dançava a imitar uma galinha após cada golo marcado? Pois cantar de galo é o que o Cardozo faz melhor. Ele marca, pois marca. E obriga alguns defesas a preocuparem-se em marcá-lo, é verdade. Mas pensa muito pouco. Não tem visão de jogo ou inteligência tática. Não faz pela vida, espera alegremente que a bola lhe chegue ao alcance enquanto outros se matam na correria pelos 90 minutos a fora. Os tempos não estão para um ponta-de-lança que não sabe fazer muito mais que estar à espreita, sem construir jogadas ou partilhar a fortuna com os colegas de equipa. Só que enquanto o Rodrigo não acaba de crescer, o Óscar tem lugar marcado porque marca. No sábado marcou. Duas vezes. Mas caprichoso como só ele, deu-se outra vez ao luxo de ver um vermelho. Só faltavam 5 minutos para o fim e vencíamos 4-1. Na receção ao Santa Clara não estará lá. Não me deixa com saudades.» - Marta Rebelo, jornal Record, 16 de Janeiro de 2012.

«O alargamento da Liga para 18 clubes. A vitória de Mário Figueiredo nas eleições para a presidência da Liga de Clubes trouxe para a primeira linha da atualidade a possibilidade da Liga Zon-Sagres passar de 16 para 18 clubes. Trata-se de uma das medidas emblemáticas do programa de Mário Figueiredo, ratificada, nas urnas, maioritariamente, pelos clubes do futebol profissional, o que leva a crer que tenha pernas para andar. Resta saber quando. Antes de irmos ao quando, uma nota apenas sobre esta alteração: não tenho, da nossa Liga, a ideia absurda de que é uma das melhores do Mundo. Nela, meia dúzia de clubes vivem e os restantes apenas sobrevivem, amputados de receitas, afastados dos patrocinadores e atacados pela oferta televisiva (no sábado houve 12 jogos em direto na TV!) na capacidade de levar público aos estádios. Entendo, há muitos anos, que a solução estará na redução e não no alargamento. Com 12 clubes a jogarem entre si (22 jogos) e um play off entre os seis primeiros e os seis últimos da primeira fase (mais 10 jogos), aumentaria o nível competitivo, o interesse e as receitas. Mas, esta fórmula nunca vingará em sede da Liga de Clubes, onde o que os sócios querem é estar no escalão principal. Assim, a única alteração realista é no sentido do alargamento e, francamente, prefiro 18 a 16 clubes na Liga Zon-Sagres: o nível será igualmente mau, mas haverá mais quatro jornadas potencialmente geradoras de receitas. Numa lógica de massificação, 18 é melhor que 16. Mas, que pena não serem apenas 12... Concluída a eleição de Mário Figueiredo e sabida a sua vontade de aumentar o número de clubes da Liga Zon-Sagres para 18, resta saber quando. Dizem os regulamentos da Liga que tal decisão terá de ser tomada até ao próximo dia 31 de janeiro. Porém, qualquer decisão da Liga de Clubes, para produzir efeito, deverá ser ratificada pela Direção da FPF, surgindo o Conselho Nacional de Desporto como órgão de recurso. Francamente, parece-me imoral que se alterem regras a meio de qualquer competição. Será um desprestígio para o futebol profissional em Portugal se qualquer mudança produzir efeitos já na presente temporada. Em 2011/12, se não quiserem andar a brincar aos futebóis, devem descer de Divisão duas equipas e subir outras tantas. Depois, em 2012/13, se for essa a vontade da Liga, ratificada pela Direção da FPF, poderá proceder-se ao alargamento com a fórmula que entenderem por bem. Até nem estou contra o alargamento para 18 clubes (embora defenda um modelo diferente), mas por uma questão de decência, assumo clara oposição à mudança das regras em 2011/12. Será dramático para a verdade desportiva da temporada em curso, constituirá um precedente de República das Bananas, e fará do futebol português... uma piada de mau gosto.» - José Manuel Delgado, jornal A Bola, 16 de Janeiro de 2012.

«Vai uma aposta? O memorando da troika no ponto 8 sobre a concorrência diz “garantir condições equitativas e minimizar o comportamento com o objetivo de obter privilégios de mercado”. Vem isto a propósito da inércia relativamente ao enquadramento legal das apostas desportivas online. Segundo informação vindas a público as empresas de apostas investem 20 milhões em Portugal, clubes, comunicação social, publicidade, eventos entre outras atividades. Com a decisão do tribunal relativamente à Bwin e a ausência de um quadro normativo que regule a atividade vamos assistir à transferência destes 20 milhões para outros países, nomeadamente Espanha, que percebeu as vantagens da regulação. Portugal precisa de novas receitas fiscais, não podemos estar sempre a aumentar impostos sobrecarregando os mesmos. Tenho alguma dificuldade em perceber as razões pelos quais o Ministério das Finanças não olha para esta matéria com mais atenção. Até parece que é mais fácil aumentar os impostos ou acabar com o subsídio de férias e Natal. As apostas existem, os portugueses jogam, a internet faz hoje parte das nossas vidas, mas continua-se a assobiar para o lado a fingir que nada disto existe. É preciso envolver na futura decisão a Santa Casa da Misericórdia e a poderosa Associação Portuguesa de Casinos. O certo é que o tempo vai passando e as possíveis receitas fiscais vão fugindo para outros paises. Em Espanha este negócio já vale 100 milhões de euros em impostos pagos pelas operadoras. Com a regulamentação todos ganham, sem regras só alguns ficam a ganhar e fora do país, pois é onde estão sedeadas as empresas do sector. Querem apostar? Coragem, precisa-se...» - Hermínio Loureiro, jornal A Bola, 16 de Janeiro de 2012.

«Taco a taco. Terminada a 1.ª volta do campeonato, poucas dúvidas parecem restar quanto aos dois emblemas que se encontram em melhores condições de discutir o título. Benfica e FCPorto levam vantagem e estão lançados para um despique competitivo do qual ninguém pode ter certezas, para já, sobre quem sairá vencedor. No entanto, não deixa de ser curioso o paradoxo do estado de espírito em que vivem águias e dragões. Enquanto na Luz se vive a euforia do 1.º lugar, obtido por uma equipa mais forte do que na época anterior, no Dragão, o clima é um pouco mais depressivo, dadas as dificuldades em manter o nível exibicional alcançado por André Villas-Boas em 2010/11 e pelo facto de a equipa azul e branca ter sido forçada a mudar algumas peças do seu onze titular. O Benfica encurtou a distância que tinha em relação ao FC Porto e hoje a valia das duas equipas está muito mais equilibrada, algo que se comprova até pelo empate a dois golos registado no Dragão, sendo dificil dizer quem é o principal favorito à vitória da Liga. Para este equilíbrio de forças em muito contribuiu a forma como os dois clubes atuaram no mercado durante a pré-época. Se é verdade que o Benfica efetuou aquisições cirúrgicas com entrada direta para o onze - como Artur, Garay, Emerson, Witsel, Nolito e Bruno César, ganhando consistência defensiva e opções atacantes, já os portistas investiram mais de 40 milhões de euros em jogadores que, por agora, não são primeiras opções, casos de Alex Sandro, Defour, Iturbe, Kléber Mangala e Danilo (embora este deva ter entrada imediata na equipa), sem terem acautelado a saída de Falcão. No terreno de jogo, o Benfica parece estar melhor no capítulo ofensivo. É impressionante a capacidade de tiro que os encarnados têm revelado. Os remates à baliza são uma constante e o perigo espreita por qualquer lado, graças à diversidade de soluções que Jorge Jesus tem ao seu dispor. Cardozo e Rodrigo são duas setas goleadoras, havendo ainda Nolito, Bruno César e Gaitán. Por sua vez, o FC Porto está a mostrar uma forte solidez defensiva. Em 15 Jogos da primeira volta não sofreu golos em dez uma marca notável, tal como a série de 54 jogos consecutivos sem derrotas na Liga, feito que, em breve, poderá ser ainda maior no panorama nacional. A tranquilidade de Helton, a consistência de Rolando, a excelente forma de Alvaro Pereira (não sabe jogar mal) e o super Fernando (agora até no ataque aparece) são os dínamos de uma defesa em grande nível. Jorge Jesus apresenta este ano uma nova faceta: o calculismo. Os seus jogadores parecem ter uma maior noção de que mais importante do que o espetáculo, o que interessa são os três pontos de cada jogo. E, com o tempo, as goleadas começaram a aparecer. Esse parece ser o caminho que Vítor Pereira também quer incutir. Mais do que boas exibições, procura-se uma dinâmica de vitória. O resto vem por acréscimo. A luta promete ser renhida e cada ponto perdido pode ser decisivo. FC Porto e Benfica passaram a 1.ª volta sem qualquer derrota, um feito inédito no nosso futebol ter duas equipas invictas nesta fase da prova, situação que abre ainda mais o apetite dos adeptos para o embate entre os dois rivais, previsto para março, na Luz. Até lá não vão faltar emoções.» - António Oliveira, jornal Record, 16 de Janeiro de 2012.

«(...) quero lembrar que os nossos objectivos inicialmente traçados eram aproximarmo-nos dos grandes (...)» - Gafe de Luis Duque, após o SCBraga 2 Sporting 1, 15 de Janeiro de 2012.

«Um final imprevisível. O Benfica vira o campeonato em primeiro lugar isolado, com dois pontos de vantagem sobre o FC Porto e, depois da jornada de ontem, igualou a diferença de golos e aumentou a vantagem de golos marcados (38-34). Parece ser, assim, cada vez mais evidente que o campeonato irá ser especialmente discutido pelos dois clubes que, nos últimos anos, têm aumentado a sua histórica rivalidade, mas é, de facto, totalmente impossível prever o final. Muitos poderão, ainda, ser os fatores determinantes. Dos físicos aos psicológicos. Dos mais objetivos aos mais subjetivos. Sabe-se, apenas, que na primeira metade do campeonato, Benfica e FCPorto não perderam qualquer jogo, o que diz da sua indiscutível superioridade sobre os adversários e admite que, em caso de continuada concentração competitiva, o título possa vir a ser decidido nos jogos entre ambos e nos jogos com o Sporting e o SCBraga. Importante e decisivo poderá também ser o período de regresso às competições europeias. O FCPorto caiu para a Liga Europa, mas não terá jornada fácil com o City. O Benfica tem aspirações legítimas a continuar na Champions e se tal acontecer, pode ter de vir a pagar, nas provas nacionais, a inevitável ambição que poderá e deverá ter na maior prova de futebol da Europa. Prevê-se, pois, um 2012 particularmente quente na decisão do título maior do futebol nacional e espera-se que esta segunda metade da prova tenha, pelo menos, a mesma paz de espírito e a mesma correção de atitudes da primeira metade. Seria, sem dúvida, uma importante prova de maturidade do futebol português.» - Vitor Serpa, jornal A Bola, 15 de Janeiro de 2012.

«No apito do Governo II. Comparar a arbitragem de 1.ª categoria do futebol de hoje com a arbitragem que tínhamos em 2006 é um exercício apenas destinado à comprovação de que as distâncias não são só entre a escuridão da noite e a luz do dia. As diferenças são colossais (como agora se diz) e notam-se (mesmo que não diminua o atrupido dos "especialistas" em repetições. Para isso foram decisivos dois fatores. Primeiro, os processos desportivos no Apito Dourado, nomeadamente na Federação mas também os da Liga, porque colocaram a nu a promiscuidade entre dirigentes e árbitros o tráfico de influências e a corrupção; porque castigaram e afastaram árbitros e outros agentes da corporação e levaram outros (e com eles também dirigentes) a autoafastarem-se da "delinquência"; porque fragilizaram os "esquemas" (a maior parte deles sem condenação à luz dos regulamentos então aplicáveis) e a sua chocante ''habitualidade", os "esquemas" que a prova nesses processos exibiu abundantemente. O segundo fator foi a assunção de funções na Comissão de Arbitragem, da Liga da equipa constituída por Vitor Pereira, Antonino Silva e Domingos Gomes, que têm na cabeça a única reforma estratégica que a arbitragem portuguesa teve até aos dias atuais. Quando se puder fazer com serenidade e distanciamento histórico o relevo da Liga existente de 2006 a 2010, longe da espuma dos interesses dos que, por ora, ainda ditam (ou pensam ditar) "leis" e "ordens", nela figurará em primeiro plano o gérmen de um projeto para toda a Arbitragem do futebol. O terceiro fator que mudará em definitivo o quadro de ação dos árbitros vem também dessa Liga: o empreendimento de profissionalização dos árbitros das competições profissionais. Insuscetível de avançar por si só na regulamentação desportiva do foro associativo, o Governo nomeou um outro grupo para estudar o tema. Tem em mãos uma proposta favorável ao enquadramento jurídico da sua atividade profissional e exclusiva (a começar, em primeira linha, pela elite dos "internacionais"), vendo os árbitros como agentes desportivos de alto rendimento – muito longe, pois, do árbitro como um agente desportivo suspeito e permeável. Em contraponto, temos o árbitro como agente que progride e permanece na carreira em razão da qualidade do desempenho; como objeto de uma avaliação que atende com rigor e transparência aos seus graus de competência; como quadro de formação superior inserido numa organização que privilegia as capacidades académicas; como técnico especializado com um específico "sistema de valorização, formação e treino", em igualdade de circunstâncias com jogadores, treinadores e dirigentes. Conclusões: "o desporto-espectáculo converteu-se num fenómeno demasiado sério para poder continuar a ser arbitrado por quem não seja um profissional do desporto", o árbitro profissional errará menos vezes, a indústria será mais credível. Cabe agora ao Estado aproveitar o ensejo e fechar a tríade gerada nas escutas da PJ: dar um estatuto juridico ao árbitro e à sua via profissionalizante, dar-lhe um corpo legal e, simultaneamente, uma defesa. Falta agora definir como...» - Ricardo Costa, jornal Record, 15 de Janeiro de 2012.

«Benfica cada vez mais confiante. A dimensão que o futebol do Benfica atingiu nas últimas semanas não está expressa nos "curtinhos" dois pontos de avanço com que os encarnados lideram o campeonato no final da primeira volta. Há brilho, confiança e magia nas águias, sobram dúvidas, inquietações e desagrado no FCPorto. Um extraterrestre que tivesse chegado aqui ao planeta no início de 2012 e que por cá andasse até ontem, só para ver a nossa Liga, iria achar que este Benfica tem "quilómetros" de vantagem sobre o segundo classificado. Na Luz, mesmo sem um trio de ases - Garay, Javi García e Aimar -, o líder voltou a mostrar uma saúde que impressiona. Ficou em desvantagem logo nos primeiros minutos, mas foi como se nada tivesse acontecido. No meio daquela corrente vermelha, o golo do V.Setúbal não passou de um "pormenor". Nasceu de uma infantilidade de Luisão (ui, se fosse Emerson) que não chegou, sequer, para alterar o guião. Tudo igual. Mais cedo ou mais tarde iria acontecer aquilo que até parecia estar escrito de véspera: vitória das águias e quarta goleada consecutiva. A equipa de JJ tem neste momento uma ou duas velocidades a mais para aquilo que é o nível do futebol português. Se jogar sempre com a intensidade que ontem mostrou, o Benfica arrisca-se a atropelar - em casa ou fora - pelo menos metade das equipas da nossa Liga. Mais um feito histórico: desde 1983/84 que os encarnados não conseguiam cumprir uma volta inteira sem qualquer derrota. É obra. Em matéria de proezas, o FCPorto também consegue um registo assustador: 54 jogos sem conhecer a derrota no campeonato. A última foi em fevereiro de 2010, ainda com Jesualdo Ferreira. Nem mais uma. Mas há um problema no Dragão, o nível de exigência está muito alto. Não basta vencer, é preciso convencer. E isso, com Vítor Pereira, ainda não se viu. Consequência: as assobiadelas vão subindo de tom. Como Di Stéfano dizia esta semana, a propósito de CR, o adepto tem sempre razão. O Sp. Braga dirá hoje se tem argumentos para pensar no pódio. O Sporting dirá hoje se tem argumentos para pensar no título. Bom jogo em perspetiva.» - Nuno Farinha, jornal Record, 15 de Janeiro de 2012.

«Asas abertas. From: Domingos Amaral To: Jorge Jesus. Caro Jorge Jesus: Após a vitória na Madeira para o campeonato, o Benfica tem aproveitado muito bem esta sequência de jogos com menor grau de dificuldade para regressar às goleadas. Contra Rio Ave, Leiria, Setúbal, e mesmo em Guimarães para a Taça da Liga, o teu Sistema fez uma espécie de viagem no tempo e recuou até à época em que fomos campeões. Com Aimar ou sem ele, jogaste sempre com dois pontas e dois alas, tal como antes o fazias. E os golos surgiram com naturalidade, pois a alta rotação a que o Benfica joga não é suportável para a grande maioria das equipas portuguesas. Foram cinco contra o Rio Ave e quatro contra as outras três equipas, 17 golos em quatro jogos, uma conta bonita em qualquer lado do Mundo! E os próximos jogos, todos em casa, prometem que o festival é para continuar. Temos jogadores em excelente forma – Maxi Pereira, Witsel, Bruno César, Nolito, Rodrigo e Cardozo – e mesmo com três gigantes fora de combate, como foi o caso ontem de Garay, Aimar e Javi García, e com Gaitán a regressar aos poucos, a equipa não perde os equilíbrios nem a sede de conquista. Porém, como aqui já escrevi no início da época, este 4-4-2 de asas abertas só deve ser usado contra adversários mais frágeis. Nos jogos mais difíceis da Liga, e obviamente na Liga dos Campeões, como tão bem já demonstraste contra Twente, Manchester, Basileia, FCPorto, Braga, Sporting ou Marítimo, a equipa precisa de se fechar mais e só deve jogar com um ponta-de-lança. É esse o ensinamento de 2011: contra os fortes mais fechado, contra os menos fortes, asas abertas e sejam bem-vindas as goleadas!» - Domingos Amaral, jornal Record, 15 de Janeiro de 2012.

«A revolta dos descamisados. O futebol português sempre teve uma histórica dominância dos seus principais clubes. Com Benfica, FC Porto e Sporting de acordo, fosse qual fosse o assunto, era como se fosse uma decisão tomada e, não raras vezes, indiscutível. Os três grandes habituaram-se, assim, a passear, triunfalmente, os seus interesses próprios e a conduzir, como bem entendiam, o interesse dos seus satélites que se sentiam ameaçados pela simples hipótese da ira dos poderosos e da sua inquestionável influência no universo do futebol português. Muitas vezes se separaram, esses nossos pequenos e médios clubes, nos apoios diversos que a habitual diferença de opiniões e de posições dos grandes clubes suscitava. Era, de resto, antes conhecido, até com algum rigor factual, que quem se aproximava e dependia mais da musculada proteção do FCPorto e quem se unia e esperava óbvias vantagens do Benfica (mais notoriamente) e do Sporting. Chegou a haver, nesse particular mundo das três grandes luas e seus satélites, umas quantas sensacionais transferências. Num quadro de reconhecida passividade histórica, os pequenos e médios clubes portugueses sempre pareceram desinteressados de algum dia virem a revoltar-se contra o estado de unicidade das principais políticas dos maiores e, em especial, contra o velho império dos direitos televisivos, cujo lema principal sempre foi algo do tipo quem pode trata de si, quem não pode aceita, de mão estendida, o que lhe dão. É por isso que a escolha de Mário Figueiredo para a Liga é surpreendente. Não diria demasiado surpreendente, uma vez que os supostamente poderosos clubes nacionais se desinteressaram o suficiente das eleições da Liga para, apesar de solene, mas sonolentamente, manifestarem o seu preguiçoso apoio ao candidato António Laranjo sem se terem, sequer, preocupado em fazer lobby. Sentindo-se, enfim, soltos de algumas amarras de obediência, foi possível a todos esses descamisados do futebol português reunir vontades e, sobretudo, uma estratégia de vitória, com base numa linha programática não agressiva, que podendo mexer bastante com alguns velhos esqueletos do futebol português, ainda não parece apresentar-se como uma séria ameaça aos interesses dos grandes, mais atentos ao desenvolvimento do programa de ação da nova Federação Portuguesa de Futebol e, especialmente, do seu novo cartel de arbitragem e de justiça. A questão do regresso aos dezoito clubes no campeonato maior não afeta (antes pelo contrário) os grandes clubes, que sempre terão mais calendário e mais receita. Problemático pode, isso sim, tornar-se o ajuste de valor global para os contratos da cedência de direitos televisivos, sendo certo que FC Porto e Sporting têm um acordo de relativo longo prazo, o Benfica está em momento crucial de negociação e também não se sentirão diretamente ameaçados por eventuais exigências dos seus pobres e remediados adversários. Mas até aqueles que estão habituados a que as suas decisões e os seus lobbies nunca sejam postos em causa não podem deixar de perceber que esta eleição de Mário Figueiredo representa um sinal. Os mais atentos até entenderão, aliás, que nunca, como agora, existiram tão evidentes razões para alguma preocupação, até porque o futebol vai também mergulhar em tempos muito difíceis que, inevitavelmente, colocarão questões sérias e perturbadoras de sobrevivência a alguns clubes. E sabe-se que o instinto de sobrevivência é a primeira razão de se perderem todos os medos.» - Vitor Serpa, jornal A Bola, 14 de Janeiro de 2012.

«Contrariar efeito bola de neve. Facilitar a saída a Enzo Pérez seria, mais do que um sinal de fraqueza dos responsáveis pelo futebol da águia, uma forma de abrir portas a cenários de indisciplina e permitir que qualquer um trabalhador do clube recusasse apresentar-se ao trabalho, apenas porque quer mudar de ares. Luís Filipe Vieira, o mesmo que há quase dois anos se irritou com os sucessivos pedidos de aumento que o empresário de Cardozo fazia, não está disposto a mudar de postura. "Isto não é uma bola de neve", disse, na altura, e poderia até reafirmá-lo agora. O líder encarnado promete dar a resposta a uma ausência injustificada, que mais pareceu uma birra. Mesmo correndo o risco de ter um ativo parado durante 5 meses.» - Vanda Cipriano, jornal Record, 14 de Janeiro de 2012.

Cartoon de Luís Afonso [Abrir imagem] - Jornal A Bola, 14 de Janeiro de 2012.

«Um central a caminho do apogeu. [Abrir imagem]

Sob o comando de um grande treinador, tem quase tudo para vir a ser uma referência.
1. Num futebol condenado a orientar a evolução de adolescentes com futuro brilhante ou a aproveitar as últimas gotas de veteranos com passado notável, Ezequiel Garay é exceção à regra. Chegou ao Benfica com 25 anos, ao fim de cinco épocas em Espanha, onde fez mais de 120 jogos, e confirmou logo as credenciais que levaram o Real Madrid a torcer o nariz à sua inclusão no pacote que levou Fábio Coentrão para o Bernabéu. Tão importante como integrar-se na vida social de um país desconhecido, assimilar as regras do balneário e decifrar os códigos de um clube especial, começou a jogar numa equipa estranha como se dela fizesse parte desde a escola primária. É raro ver-se em Portugal um central sul-americano ser logo tão seguro e eficaz, correto na avaliação dos lances, conhecedor dos terrenos que pisa e perfeito no início da construção ofensiva. 2. O tempo enriquece os valores adultos imprescindíveis para quem habita em zonas com apertadas regras de responsabilidade e que, por isso mesmo, são inalcançáveis na adolescência - saber, maturidade, experiência, precisão, serenidade... Garay já digeriu o impacto das discrepâncias entre o que separa a intervenção tradicional de um central oriundo da Argentina dos complexos elementos do futebol europeu, que demoram a assimilar e a expressar com rigor. De entre os defesas de topo mundial que pisaram relvados nacionais, só Aloísio (veio para o FC Porto aos 27 anos, após duas épocas em Barcelona) e André Cruz (tinha 31 anos quando assinou pelo Sporting, ao cabo de 10 temporadas na Europa) não reclamaram fase de adaptação à nova realidade. 3. Garay tem ainda estrada a percorrer para atingir o apogeu que as suas qualidades justificam. Central silencioso e prudente, que recusa lirismos e extravagâncias, está a aproveitar o facto de jogar com assiduidade numa forte equipa europeia, para se consolidar como grande jogador. O choque provocado pela imperiosa reciclagem que teve de fazer já lá vai, razão pela qual deixou de sofrer com o futebol mais dinâmico, assente em menos referências de marcação e de maior versatilidade em termos táticos. Precisa ainda de melhorar tempos de desarme e contenção, bem como depurar a eficácia goleadora que Jorge Jesus lhe exige, mas domina os deslocamentos mais amplos, é seguro a fechar as diagonais defensivas e não perde marcações em zonas de risco. 4. A classe agregada à eficácia plena está para o central como o golo para o ponta-de-lança: é um processo evolutivo, cuja construção se consolida a meio caminho entre os 20 e os 30 anos. É a esse cume da expressão futebolística que chegou Ezequiel Garay. No Benfica, sob o comando de um grande treinador, dispõe de quase todos os argumentos para vir a ser uma referência mundial. Mesmo vivendo com a convicção de que teria palavra a dizer no Real Madrid de José Mourinho, deve motivar-se por estar cada vez mais perto da seleção do seu país e saber que é o melhor e mais fiável parceiro que Luisão teve desde que chegou à Luz em 2003. De resto, há mais de duas décadas que a águia não construía dupla tão próxima de outra que permanece no imaginário coletivo encarnado como uma das melhores de todos os tempos: Mozer e Ricardo Gomes.» - Rui Dias, jornal Record, 14 de Janeiro de 2012.

«É vital ter a cabeça no lugar. Na maior parte das intervenções públicas, Jorge Jesus é hoje um homem bem menos fanfarrão do que na época passada. Se após a caminhada triunfal que deu o título ao Benfica em 2009/10 o treinador teve momentos de sobranceria que não vale a pena serem recordados, esta temporada tem conseguido analisar a realidade com mais frieza, menos prosápia, enfim, com os pés assentes na terra. E a mudança tem ajudado muito a equipa. Os encarnados foram até ao momento um grupo esclarecido, que respeitou sempre os adversários, que tem percebido a importância de não facilitar com ninguém. Aliás, a única vez que inventou Jesus pagou-o bem caro e ficou de fora da Taça de Portugal, prova que assumiu muito querer vencer. A mudança de paradigma levou também o Benfica a jogar de forma diferente. A equipa da Luz é hoje mais calculista. Menos de correrias loucas a caminho da baliza contrária. Tanto, que só nos últimos jogos apareceram as goleadas. Porque Jesus as exige? Não. Porque os jogadores estão confiantes, acreditam cada vez mais serem capazes de bater o FCPorto todo-poderoso da época passada e percebem que o título é novamente possível. Na Luz parece viver-se um bom ambiente competitivo. À disposição está um belo plantel e não se embandeira em arco. Importante, mais do que se pensa, acredito, para manter o equilíbrio mental de um grupo de homens que precisa de estar inteiramente focado no objetivo da reconquista que os adeptos desejam. Prova de que Jesus esta época fez bem o trabalho de casa e que o apoio inequívoco de Vieira deu frutos é o facto de o Benfica não estar à procura de nenhum titular no mercado de inverno. Matías Rodriguez é pretendido mas para opção a Maxi e mesmo Ansaldi, desejo supremo do técnico, fica para o final da época, quando for acessível. Podem fazer-se negócios, claro, porque o dinheiro é que manda, mas na Luz não se sente a falta de reforços como no Dragão ou em Alvalade. Mário Figueiredo é o novo presidente da Liga. Porque tem um projeto revolucionário? Não, prometeu novo alargamento. É assim o futebol português.» - Bernardo Ribeiro, jornal Record, 14 de Janeiro de 2012.

«O Supermercado. O supermercado participou por via indirecta às instituições reguladoras do mercado, que um dos seus detentores havia cedido as acções que detinha da empresa que o explorava, a uma subsidiária holandesa mantendo no entanto o controlo dos direitos de voto sobre essa mesma sociedade. Estava armada a tenda à boa maneira portuguesa! Esta realidade já existe há anos e dura como a Duracell. A Holanda faz parte da União Europeia e todos sabemos que possui um regime fiscal privilegiado no recebimento dos dividendos. Mas também todos sabemos que se a Inspecção Tributária quisesse, desconsiderava esses rendimentos e tributava-os em Portugal! Fico espantado com tanta asneira e confusão que se gera à volta destas situações, que entretém o povo! A Administração Fiscal Portuguesa só não tributa se não quiser! É para isso que existe a cláusula anti-abuso, que dá para tudo e mais umas botas, que não só de Futebol, claro.

As Sociedades Desportivas Portuguesas. Agora durante um tempo, sonhemos, porque a verdade é que, conforme afirma o Professor Medina Carreira, nenhum de nós percebe nada do que se está a passar, que os detentores do capital dessas sociedades desportivas mudavam a sede para a Holanda! É verdade, que nem a sociedade desportiva, nem o clube, podem alterar a sede para a Holanda! Mas, outra entidade que seja detentora do capital, pode perfeitamente alterar a sua sede para a terra das tulipas! Mas que ganharia com isso? As sociedades desportivas dos três grandes em toda a sua existência nunca distribuíram dividendos, por isso, nem vale a pena equacionar essa situação! Seria como brincar num jogo do Star Wars! Não vou aqui explicar que as sociedades desportivas, mesmo se tiverem prejuízos, pagam IRC e de que maneira, a título de tributação autónoma - mais outro gap que por aí anda! Um destes dias, abordaremos esta questão apenas por razões pedagógicas, mas talvez algumas entidades pudessem dar mais lucros, se as coisas fossem diferentes. Vejamos!

Nacional da Madeira. O Nacional da Madeira, conforme já referimos em outros artigos, participa agora na Liga Sagres com uma sociedade anónima desportiva. Coincidência ou não, a sociedade foi constituída ao mesmo tempo que o Ministério Público Português acusou dirigentes do Nacional da prática de factos que podiam consubstanciar crime de fraude fiscal qualificada, fraude contra a segurança social e crime de branqueamento de capitais. Ficaria mal com a minha consciência se não dissesse que por vezes acusação não é sinal automático de culpabilidade efectiva. Mas este caso parece ser muito claro. Vejamo-lo em gráfico na Fig. 1.

Holanda. Por falar em Holanda, vamos relembrar aos nossos habituais leitores um artigo já longínquo que escrevemos sobre a operação efectuada pela Porto SAD e que designámos por operação João Moutinho. Vejamos novamente o quadro na Fig. 2. Ora cá está uma empresa holandesa metida ao barulho. Será por encanto? Será por magia? A Mota-Engil conta na Holanda com a ME - Brand Management. Estas empresas têm como objectivo o desenvolvimento e gestão da marca Mota Engil Central Europe, sobre a qual o grupo desenvolve actividade em vários Países da Europa Central e de Leste. A Galp Energia apostou no mercado holandês para a sede da Holding que se dedica à produção e exploração de petróleo, actividade que a Galp Energia opera fora da Europa. As empresas da pasta e papel e cimentos, Portucel, Soporcel e Semapa, contam com gestoras de participações instaladas na Holanda. A Sonae conta com participações directas na Holanda através da Soanecom e Sonae Indústria. A justificação resulta das empresas participadas operarem no estrangeiro. A gestora de auto estradas Brisa instalou na Holanda a base das operações internacionais, para a qual conta com três gestoras de participações.» - Pragal Colaço, jornal O Benfica, 13 de Janeiro de 2012.

«O Silêncio. António Oliveira disse e repetiu, para que não houvesse dúvidas, que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol é um títere que tem como função servir os interesses de uma empresa privada, a Olivedesportos. Disse que o anterior presidente também cumpria diligentemente esse trabalho e que o mesmo acontece na Liga de Clubes. Disse que ninguém é eleito para esse cargo sem o beneplácito do seu irmão e sócio maioritário da Olivedesportos. Disse-o convictamente, num canal público de televisão, disse-o sem gaguejar e repetiu-o. A personagem que o disse é antigo sócio da dita empresa. Em seguida ficou o silêncio. Um silêncio quase total por parte da comunicação social. Um silêncio total dos visados. Um silêncio absoluto do poder político. Um silêncio que procura apenas uma coisa: o esquecimento, para que se possa perpetuar a mentira e a farsa em que se foi transformando isto. Os dias passam e toda a gente finge que nada se passou. Com que cara, com que legitimidade, com que dignidade alguém pode dirigir uma instituição quando sobre ela está lançada a acusação séria de que há quem mande em quem finge mandar? A cara com que esta gente se apresenta aos clubes e seus dirigentes por todos é conhecida. Mas com que cara é que esta gente se pretende apresentar perante os adeptos? Como é que ainda há quem ouse pensar que com o seu silêncio se pode limpar a nódoa em que se transformou o dirigismo desportivo em Portugal? No silêncio de todos está a conivência com a vergonha. No silêncio de todos está bem à vista a etiqueta e o respectivo preço. Não é o Futebol português que está à venda, são os seus agentes que se venderam. É a vergonha que ficou penhorada algures por Penafiel. Lamento, mas não pode haver silêncio quando se impõe um grito de indignação justa?» - Pedro Ferreira, jornal O Benfica, 13 de Janeiro de 2012.

«Sem Vergonha. Factos são factos, e, uma vez provados, tomam-se irrefutáveis, podendo, quando muito, ser explicados. Refiro-me àquilo que li, numa excelente peça jornalística publicada pelo "Público", na edição do passado dia 6, que dá conta da forma como o corredor das equipas visitantes, no Estádio de Alvalade, foi redecorado com imagens hostis e agressivas que incitam ao ódio, ao confronto e que fazem mesmo uso de símbolos que nos remetem para a memória mais trágica do século xx, com cruzes de ferro e saudações fascistas. O texto assinado por Hugo Daniel Sousa é construído com grande objectividade e indiscutível suporte factual, o que toma inaceitável a ausência de uma explicação por parte dos dirigentes sportinguistas. Opções como esta, ou seja a de fazer da sala de visitas para quem vem de fora, um espaço de crispação e violência anunciada, nunca surgem por acaso, ainda que nos queiram fazer crer o contrário. A escolha dos símbolos e do clima que eles geram e dos sentimentos que induzem nunca pode resultar apenas da opção estética de uma equipa de decoradores e "designers". Comprovada esta situação, é bom que se recorde que isto acontece num momento em que, no Mundo do Futebol, na Europa e noutros continentes, decorrem campanhas contra o racismo, contra violência e contra qualquer forma de discriminação ou confronto que possa tomar os estádios perigosos e infrequentáveis. Imagine-se o que é uma pessoa receber visitas em casa e decorar o quarto onde pernoitam com fotografias que as intimidam. As opiniões de Ricardo Costa, presidente da Comissão Disciplinar da Liga, e do prestigiado jurista José Manuel Meirim, inseridas na peça jornalística citada, têm de ser lidas e levadas à letra, pois não deve haver passividade cúmplice perante aquilo que as fotos que ilustram o artigo eloquentemente documentam. Já agora, o que têm a dizer sobre o assunto ex-presidentes do clube como o Pedro Santana Lopes, agora a dirigir a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. É que um caso como este nada tem de misericordioso.» - José Jorge Letria, jornal O Benfica, 13 de Janeiro de 2012.

«O Portfolio. "Janice" tinha dezanove anos quando a conheci. Era mãe de dois filhos e proprietária de um sorriso inabalável que brilhava junto com os olhos. O projecto era de mães adolescentes e ela era-o duas vezes. Um dia, trouxe-me um dossier encarnado onde havia fotos, colagens, pequenas redacções e frases capitais. Sucediam-se como um manual para a vida. Tinha de tudo um pouco, mas o seu conteúdo resumia-se, sobretudo, a um conjunto de valores como a coragem, a nobreza de "ser duro" e a necessidade imperiosa de quebrar antes de torcer. Mostrava às crianças que o lessem em quem deveriam ou não confiar, reconhecendo os bons de entre os maus e os maus de entre os bons. Ensinava-as a abrir os olhos e a não se deixarem enganar, antecipando-se sempre ao que de lá viesse - "A melhor defesa é o ataque!" e outras frases curtas que lhes seriam úteis para a vida. O dossier era do pai dos dois filhos que tinha sido morto havia quase um ano por um tiro de ajuste de contas num certo bairro. Não chegou a fazer vinte anos porque a vida não lhe deu tempo, mas conseguiu ainda empreender um dossier de apresentação pessoal para os filhos. Sabia que estava marcado e que vivia no fio da navalha. Era uma questão de tempo e, à cautela, decidiu deixar-lhes um tesouro, passando-lhes o testemunho do que era e do que tinha para lhes ensinar se quisessem respirar no bairro por muito tempo. Não havia nas suas mensagens tristeza, medo ou uma lição de moral que fosse. Só a sua verdade, nua e crua: a vida vivida do lado difícil da vida pede saberes que não entendem quando espreitamos da cidade para a "não cidade". Infelizmente, por trás de muitos comportamentos desviantes juvenis há muito mais que pobreza e má educação. Vamos pensar nisso?» - Jorge Miranda, jornal O Benfica, 13 de Janeiro de 2012.

«Nínguém à nossa frente. Escrevo na noite de domingo, o Benfica acabou de brindar os seus adeptos com uma exibição... à Benfica: golos e espectáculo, nota artística para o passe de Bruno César, antes do cruzamento que deu a Rodrigo o 4.° golo do "Glorioso", nota técnica para os tiraços do "Chuta-Chuta" e do "Tacuara", nos primeiro e segundo golos, para a segurança de Artur, a solidez de Luisão, Garay e Javi García, a entrega de Maxi, de Witsel e de Nolito. Com pleno merecimento e inteira justiça, o Benfica isolou-se na classificação do Campeonato. Foi o final de um fim-de-semana em cheio. O Benfica triunfou folgadamente em Hóquei em Patins, Basquetebol, Voleibol, Futsal, lidera três destes campeonatos, está a dois pontos da liderança no outro. É um enorme orgulho pertencer a esta imensa Família Benfiquista. Num País e num momento histórico dominados pelo derrotismo, a descrença, a depressão, as vitórias do Benfica alegram milhões de portugueses. É que as vitórias do Benfica representam alegria, ao contrário dos vencedores raivosos que triunfam à custa da mentira e por conta de interesses particulares e frustrações coletivas. O Benfica ganha e o País anima-se, adquire algum ânimo para enfrentar as crises e ultrapassar as dificuldades. Em outro tipo de domínios, para além das vitórias desportivas, o Benfica afirma a sua imensa implantação em Portugal e entre os portugueses: um milhão de fãs na página oficial do Benfica na rede social Facebook dão ideia da dimensão desta sociedade que é muito mais do que um Clube. Como dizia recentemente Ricardinho, o português que é o Melhor do Mundo em Futsal, ao regressar ao Benfica: “Sabe muito bem estar aqui: é como chegar a casa.” São muitos à nossa volta. Mas, para já, ninguém à nossa frente.» - João Paulo Guerra, jornal O Benfica, 13 de Janeiro de 2012.

«Objectivamente. "A Olivedesportos é o FMI do Futebol português"! Esta foi uma das frases mais fortes da surpreendente entrevista do antigo seleccionador de Portugal, António Oliveira à RTP no início da semana e que passou ao lado de toda a comunicação social não merecendo mais que uma das páginas interiores do especulativo "Correio da Manhã"! Numa longa entrevista à RTP o antigo capitão do FC Porto e irmão de Joaquim Oliveira, confessou o domínio absoluto da Olivedesportos sobre os órgãos dirigentes do Futebol português - Federação, Liga e Arbitragem, denunciando o poder sufocante da empresa da qual foi fundador e de qual se afastou há anos, explicando claramente como funciona esse monopólio com afirmações arrepiantes fazendo o mesmo auto-critica à forma como entrou para Selecionador Nacional. Disse que foi escolhido por Madaíl por ser da Olivedesportos... Há muita gente que duvida da frontalidade de A. Oliveira dizendo que ele já devia ter falado antes. Mais vale tarde que nunca! Mas grave é a atitude daqueles que têm agora aqui uma boa oportunidade de esclarecerem muitas dúvidas acumuladas durante anos e anos. Que duvidavam daquilo que eu e alguns outros escrevíamos e dizíamos nos jornais e nas rádios e que não o fazendo passam mais uma vez pelo silêncio comprometedor como se nada se passasse, assobiando para o ar! Afinal, de que é que precisam mais para perceber o que se anda a passar no Futebol português nos últimos 30 anos? Aqui está "A CONFISSÃO"! Por fim uma palavra sobre o liderança do SLB. Era mais que esperada esta arrancada. A jogar muito melhor que os rivais directos e com a vantagem de receber a oferta de dois pontos logo na primeira jornada do ano, o Glorioso fez o que se esperava e agora é seguir este rumo até à vitória final. A jogar assim nada derrubará o Benfica!» - João Diogo, jornal O Benfica, 13 de Janeiro de 2012.

«Goleadas e liderança. 1. O ano começou bem, com duas vitórias folgadas em Guimarães e Marinha Grande, onde os benfiquistas "golearam" dentro e também fora do campo, tantos os adeptos presentes, largamente maioritários. Finalmente, atingimos o primeiro lugar, isolados. Agora, haverá que mantê-lo até ao final. Mas não contemos com facilidades... 2. Sapunaru a um jornal romeno ("Prosport"), falando do célebre caso do túnel da Luz: "Os adeptos gostaram da nossa atitude guerreira devido à rivalidade entre os dois clubes. Porém, apesar de não ter sido acusado de nada, sei que não devia ter reagido daquela forma. É um gesto que fica mal a qualquer atleta." Afinal... 3. O Sporting colocou imagens com adeptos em poses agressivas (e até a fazer saudações fascistas) no corredor de acesso aos balneários das equipas visitantes. Mas, pior que isso: reagindo à notícia do jornal Público, o clube mentiu, afirmando em comunicado que a liga de Clubes e a UEFA haviam aprovado e até elogiado essas imagens, o que ambos os organismos prontamente desmentiram. O curioso é a forma como os três jornais desportivos falaram do assunto, dando grande relevo à resposta do Sporting e "escondendo" a notícia original e os desmentidos. Subserviência completa... Já agora: o director responsável pelas instalações do Sporting é o mesmo vice-presidente (Paulo Pereira Cristóvão) que tanto se queixou no final do Benfica-Sporting no nosso Estádio... 4. Há algumas semanas era o Standard de Liege a queixar-se devido a dividas relacionadas com as transferências de Defour e Mangala. Agora foi a vez do Santos reclamar dívidas relacionadas com Alex Sandro. Entretanto, os atletas das modalidades queixavam-se (e se calhar ainda se queixam...) de ordenados em atraso. Nós já cá tivemos disso mas corremos com o responsável na primeira oportunidade. Por lá, tecem-se loas ao presidente... 5. Curiosa a entrevista de António Oliveira, ex-dono da Olivedesportos e ex-seleccionador nacional, à RTP. Há ali muita matéria para investigação...» - Arons de Carvalho, jornal O Benfica, 13 de Janeiro de 2012.

«O Gnu. De tempos a tempos, geralmente mais sobre o final do ano, as televisões fazem umas reportagens sobre o bicho. E os jornais, por simpatia, publicam-lhe os mugidos entaramelados. Por isso, de repente, vemo-nos frente a frente com o seu olhar de carneiro mal-morto, as pálpebras desencontradas, tapando meia córnea, deixando-nos da dúvida se o animal dorme ou se já se debate nas vascas da agonia. Por esse olhar semicerrado é possível traçar-lhe a obtusidade do raciocínio. Visceralmente bronco, naturalmente lorpa, o gnu baba-se. Por entre a espuma dessa baba bovina, soltam-se insinuações e mentiras canalhas. Relho, decrépito, já não tem pêlo: meia-dúzia de repas espalham-se em redor dos chavelhos. Felizes, submissos, os repórteres de pacotilha rastejam em frente ao chefe da manada, tirando fotografias, captando imagens, desfazendo-se em elogios, lambendo-lhe os cascos. A história mete nojo, mas repete-se do princípio ao fim dos tempos. O velho gnu rebola-se de gozo na lama fétida desses dejectos humanos. Para sobreviver, precisa que lhe afaguem o ego descomunal. O seu cérebro caliginoso não o deixa tomar noção da sua tão grande pequenez. Vive num mundo só dele e da sua súcia. Há quem garanta que tem a lingua bífida das cascavéis, mas não saberia dizê-lo. Os documentários que de vez em quando o retratam, mostram-no em murmúrios, em resmoneios, em rosnidos, em mugidos. A língua mantém-se dentro da boca, segurando a placa e o falso palato. Há quem se entretenha a estudar o espécime em todo o explendor da sua estupidez. Outros, ao ver imagens tão cruas da imbecilidade do gnu, agoniam-se, são acometidos por vómitos e diarreias. É assim a National Geographic: mostra-nos os seres mais repelentes da natureza sem subterfúgios. O que faz que muitos de nós duvidem que bichos como o velho gnu tenham sido sequer concebidos por Deus.» - Afonso de Melo, jornal O Benfica, 13 de Janeiro de 2012.

«Vencer o V. Setúbal e festejar no Bonfim. Como se pode avaliar do muito que já disse publicamente e escrevi, sou genericamente crítico do comportamento selvático das claques. Não gosto de ver associado ao desporto comportamentos que em nada abona quem os pratica. Esta razão redobra a minha alegria pelo elogio que agora faço. Mas no passado domingo os adeptos do Benfica em geral e a claque (No Name) em particular, deram um festival daquilo que pode e deve ser o apoio a uma equipa. 93 minutos de apoio constante, na Marinha Grande não houve um minuto de silêncio, foi absolutamente impressionante o recital de músicas e coreografias no apoio à equipa. Já vi a Curva Norte da Lazio, Old Trafford ou Celtic Park, Anfield Road ou Nou camp e os seus ambientes festivos, mas num jogo de baixa intensidade nunca tinha assistido a uma partida sem um segundo de silêncio. Foi um festival benfiquista a começar na claque e a acabar nos grandes golos de Bruno César, Cardozo e Rodrigo. Mesmo sem jogadores importantes como Aimar ou Gaitán o Benfica chegou novamente à liderança mais de 500 dias depois. O Benfica tem uma vantagem pontual que se espera não seja... pontual. A liderança do Benfica tem mais valor porque o FCPorto está a fazer óptimo campeonato, sem derrotas e com poucos pontos perdidos. O resultado do FCPorto em Alvalade parece mais fraco depois de ver o do Nacional. Este Sporting pinta a relva mas ainda não é capaz de pintar a manta futebolisticamente falando. Disfarça a areia do relvado mas não consegue tirar a areia da engrenagem. Amanhã contra o V. Setúbal não poderá haver deslizes se queremos festejar no Bonfim, contra este mesmo Setúbal o titulo nacional na última jornada. Enquanto os jogadores e treinador do Barça passeiam para receber prémios e dar entrevistas, Mourinho ganha jogos, vence eliminatórias e consolida a liderança. No fim do ano não sei quem festejará mais, mas arrisco em Mourinho.

Nota: Silvio Cervan opta por escrever as suas crónicas na ortografia antiga.»
- Sílvio Cervan, jornal A Bola, 13 de Janeiro de 2012.

«A tradição do Benfica. O blogue anti-benfica que, apesar do nome enganador é um dos veículos oficiosos patrocinados pelo clube da Luz, e que amavelmente publica umas simpáticas fotografias minhas, ficou alarmado e criticou Gomes da Silva, por este reconhecer como verdadeira a noticia que apareceu na comunicação social, acerca dos pagamentos dos salários do União de Leiria a pretexto da contratação de um jogador desconhecido, de seu nome Djaniny. Entretanto, já se conhecem mais notícias desse negócio facilitador, uma tradição que o Benfica há muito segue, com o objectivo inconfessado de amolecer a concorrência. Claro que este é o clube do fair play, dos métodos limpos, dos princípios morais, legais e éticos. (...)

Vencedores antecipados. Para todos aqueles que já davam como quase certo que o Sporting tinha a Taça de Portugal ganha, o jogo com o Nacional deve ter constituído enorme surpresa. Não fora a expulsão rápida, e a dois tempos, de um dos substitutos madeirenses, e um golo final muito discutível, e as coisas estariam muito negras para a equipa de Domingos Paciência, que, ainda assim, parte para a segunda mão com a necessidade de vencer na sua deslocação à Choupana, um estádio sempre muito difícil. Nestas coisas, não há vencedores antecipados, como se sabe. E, se o FC Porto e o Benfica foram derrotados em Coimbra e nos Barreiros, nada garante que o Sporting não encontre igual sorte. Se calhar, teremos uma final inédita...»
- Rui Moreira, jornal A Bola, 13 de Janeiro de 2012.

«Fez-se História na Liga de Clubes. Quem diria que uma lista para a Liga de Clubes encabeçada por uma pessoa credível como António Laranjo e apoiada, entre outros, por Benfica, FCPorto e Sporting seria derrotada? Ora, essa improbabilidade histórica aconteceu e é Mário Figueiredo, até há 15 dias desconhecido da opinião pública, quem vai suceder a Fernando Gomes. Estamos perante um momento relevante do futebol português, em que os clubes com menos recursos decidiram deixar de andar a reboque dos grandes e foram à procura de construir o seu próprio destino. Daqui para a frente, esta mudança de paradigma irá ter até reflexo nos quadros competitivos vigentes. Quanto a essa questão, o campeonato é tão mau com 16 clubes como com 18 (12 com play off seria, a meu ver, a fórmula certa...), daí que passar de 30 para 34 jogos, tapando buracos ao calendário, não me pareça mal. Difícil é que entre em vigor já para a próxima época porque o tempo urge e essa decisão deverá ser tomada até 31 de janeiro. Por outro lado, não faria sentido, do ponto de vista da competição, que não descesse ninguém esta época. Creio, neste caso, que o bom senso acabará por prevalecer. Mário Figueiredo (com o apoio do presidente do Marítimo, Carlos Pereira, que obteve uma vitória política estrondosa!!!) conduziu uma campanha sóbria, defendendo ideias diferentes das do adversário. Agora, terá de se atravessar nas magnas questões dos direitos televisivos e das legalidade das apostas online, uma e outra condições sine qua non para a sobrevivência dos emblemas mais modestos. Dizia ontem António Fiúsa, presidente do Gil Vicente, que tinha sido a revolta dos pequenos. E foi. A ver vamos o que se segue...» - José Manuel Delgado, jornal A Bola, 13 de Janeiro de 2012.

«Será? É penoso, nos dias de hoje, observarmos o quanto o idolatrámos e agora apenas lamentamos o destino de Super Mário. Aquele mesmo, o do voo entre os centrais, o dos cabeceamentos impossíveis, a sair de uma reunião com o presidente do Beneditense para tentar o regresso ao futebol, por via de uma direção desportiva, ou de uma carreira de treinador. Carregando uma tão proeminente carreira quanto um volume fisico desproporcional para quem pretende viver longos anos, Mário Jardel é um exemplo taxativo para quem se julga com o mundo a seus pés e tropeça em cada virar da esquina. Usando um dos slogans que o tornaram eterno (Será?) desenrolo uma sequência de mistérios que ainda não obtiveram resposta. Por que será que os jogadores do último Sportíng-FC Porto saíram pintados do relvado? Também eles receberam autorização da UEFA e da Liga portuguesa para se decorarem de verde em sinal de amor ao clube de Stromp, ou escondiam o habitual esfarelado relvado? Por que será que os jornalistas do "Público" ficaram à porta do Estádio de Alvalade? Por noticiarem o óbvio que poucos dias depois foi confirmado pelo órgão máximo do futebol europeu? Por que será, e por falar em jornalismo, que as publicações desportivas portugueses tornaram irrelevante a escandalosa verba gasta pela Federação Portuguesa de Futebol, no hotel que hospedará a Seleção no próximo Campeonato da Europa de futebol, ostentando o título de país mais esbanjador da prova? Por que será que" A Bola" de ontem, outrora bíblia do desporto português, jornal de pergaminhos e de prosas que serviram de compêndio a toda a classe, titula ontem,...parece tocar a bola já dentro da baliza"? Se parece será facto, será notícia? Por que será que Pinto da Costa privilegia a SIC para expor os seus pontos de vista, outrora um canal proscrito, indesejado entre os azuis e brancos, e atual primeira via do líder dos dragões? Por que será que o Benfica contrata jogadores na semana em que joga contra eles? Terá Djaniny traços de personalidade suficientemente fortes para resistir à tentação de não marcar à sua futura equipa? Por que será que António Oliveira tece duras críticas ao "modus vivendi", dos atuais protagonistas do futebol português e ouve-se um coro de assobios para o ar, como se de nada soubessem, ignorando o que salta à vista de qualquer míope, com óculos de fundo de copo de três? Ou será melhor não falar de copos? Será???? do Guaraná diria Mário Jardel. Um gaúcho com um coração enorme. Como aquele abraço gigantesco, inesquecível, que me atribuiu, quando ainda era treinador do Arouca, e me defrontou jogando pelo Beira-Mar. Brindemos à tua vida Super Mário, mesmo que ela agora se afigure mini, porém capaz de te trazer paz. Será?» - Jorge Gabriel, jornal Record, 13 de Janeiro de 2012.

«Hipocrisia. No futebol nacional, os corredores dão sempre muito que falar. Desta vez calhou ao Sporting. O “Público” deu-nos a conhecer as imagens que os adversários podem ver antes de entrarem no campo. Há quem fale do "Inferno da Luz" e isso não incomoda ninguém. Parece que o "Inferno de Alvalade" é apenas fotográfico. Menos mal. Vale a pena pôr a coisa em perspetiva. Primeiro a minha sensibilidade. Não sou fã, como sabe quem me lê, das claques. E a razão está bem ilustrada pelas fotos que o Sporting mostra aos seus adversários. Há ali algum excesso de testosterona. Que muitas vezes descamba em violência e racismo. Deste ponto de vista, as fotos incomodam-me. Mas menos do que algumas das claques propriamente ditas. Depois, a reação do Sporting. Impedir os jornalistas do "Público" de entrar no estádio não é? Apenas inaceitável. E ilegal. Está na altura dos clubes aprenderem a viver, como as demais organizações e pessoas, em democracia. O que pressupõe aceitarem as críticas que lhes são feitas. Sobretudo quando as acham injustas e se irritam com elas. A Constituição, que defende a liberdade de imprensa, não prevê nenhuma exceção para o desporto. Quanto à indignação, a coisa é um pouco mais complicada. Quando todos os clubes têm e apoiam as suas claques, quando quase todas as claques (com honrosas exceções, incluindo no Sporting) vivem da sua imagem guerreira que tantas vezes se confunde com o ódio, custa-me compreender esta súbita sensibilidade. Os confrontos entre claques e com as forças de segurança são aceitáveis (com o silêncio costumeiro dos clubes) mas as fotografias da coisa não? As imagens racistas e xenófobas podem existir nos estádios desde que não sejam registadas e exibidas nas parede? O que me incomoda não é a indignação. É a hipocrisia.» - Daniel Oliveira, jornal Record, 13 de Janeiro de 2012.

«Bruno de Carvalho contra líder portista. Diz que Pinto da Costa não tem “autoridade moral para falar” sobre as imagens no túnel. Bruno de Carvalho, candidato às últimas eleições do Sporting, criticou, na TSF, as afirmações de Pinto da Costa sobre as imagens no túnel de acesso ao balneário da equipa visitante no Estádio José Alvalade, sublinhando que o Iider portista “não tem autoridade moral para falar”, “Pinto da Costa devia criticar o que acontece, por exemplo, quando os adeptos do Sporting vão ao Dragão. Autocarros partidos, pessoas a serem violentadas verbalmente e não só. Tudo isso devia ser mais chocante e preocupante. Não devemos atirar pedras quando temos telhados de vidro”, disse.» - Declarações de Bruno Carvalho, citadas pelo jornal A Bola, 13 de Janeiro de 2012.

«A importância de uma Taça. Para os sportinguistas, o resultado e, especialmente, a exibição foram frustrantes. Não há muito que esconder. Apesar do discurso politicamente correto de Domingos, a verdade é que os sportinguistas sabem que este não irá ser, ainda, o ano do título. O mais recente empate com o FCPorto roubou as pequenas expectativas otimistas que existiam. Agora, a oito pontos das águias e a seis dos dragões (para não falar do empate pontual com o Braga), o Sporting, não podendo ter um discurso derrotista, compreende bem que precisa de continuar a crescer para chegar mais perto - como deseja - da discussão do primeiro lugar na Liga. Daí que a Taça tenha, inevitavelmente, de ter assumido importância fundamental para esta época. Com Benfica, FC Porto e SC Braga fora de competição, o Sporting não podia deixar de se assumir como favorito. Percebe-se, aliás, que uma eventual vitória na Taça de Portugal - o segundo título mais importante do futebol português – pudesse dar ao Sporting o conforto de uma época de razoável e mobilizador sucesso. Não se entende, por isso, a razão pela qual o discurso de Domingos não passou para os jogadores leoninos, que fizeram uma primeira parte miserável na qualidade e, acima de tudo, na atitude perante jogo e perante o adversário. Se quisermos ficar na curiosa terminologia de Domingos sobre a infância desta equipa, é preciso não deixar que os meninos cresçam mal educados. Precisam de saber que não há jogos nem adversários menores e que uma equipa crescida não permite tão amplas oscilações de personalidade.» - Vitor Serpa, jornal A Bola, 12 de Janeiro de 2012.

«Um ruído ensurdecedor. A transferência para o Benfica ficou ameaçada. Pelo Velense e pelo pai. De um lado exige-se compensação financeira, que, a existir, terá de ser paga por quem vendeu os direitos desportivos ao Benfica, do outro reclamava-se respeito por um jovem que, imagine-se, não queria sair da U. Leiria para assinar por um crónico candidato ao título. A história podia até dar uma bela novela, não fosse o enredo curto e pouco sustentado. Salvam-se os protagonistas. Não se saíram mal o jogador, que se fez à estrada, e como recompensa até levou uma prenda ao pai, e o líder da águia que continua a construir o futuro do clube e da equipa B. Uma forma silenciosa de acabar com o ruído ensurdecedor que, por vezes, teima em aparecer.» - Vanda Cipriano, jornal Record, 12 de Janeiro de 2012.

«São laranjos, senhor... A indústria do futebol não é muito diferente do país. Durante anos, fez-se de conta. No país e na indústria do futebol com a conivência das maiorias. O líder da oposição ao Governo chama agora a atenção para a relação entre aqueles que são detentores de cargos públicos e utilizam o Estado para com ele fazerem negócio. É a maior das promiscuidades, com largos prejuízos para a vitalidade da democracia e do Estado de Direito. Na indústria do futebol, as incompatibiijdades são imensas e criam uma "bolsa de dependências" que a tornam opaca, hermética e intolerante. O país debate, agora, os privilégios das Lojas Maçónicas e das suas correlações. O Futebol, naquilo que o diferencia do país, nada debate. Finge. O poder de influência é enorme (como se percebe do que resulta da ação da "Loja Oliveira") e, por isso, mesmo num regime democrático, pouco ou nada se altera, no plano das reformas estruturais. Se o único operador televisivo é acionista das três principais SAD do futebol português (Benfica, FC Porto e Sporting) e acaba por ter um papel fundamental na sua caracterização financeira, se as SAD e os clubes mais pequenos vivem asfixiados e bloqueados na sensação terrível do espartilho da "não receita", há aIgum motivo para se falar, panfletariamente, em melhorias para o futebol português, agora que o cadeirão principal da FPF foi ocupado por Femando Gomes e um grupo de "assalariados de luxo"? Hoje, há eleições para a Liga e a vitória só poderia sorrir ao "outsider" Mário Figueiredo se os deuses estivessem loucos ou os clientes da Loja tivessem sido vítimas de uma bebedeira coletiva. Nesta conjuntura, os avanços estruturais serão sempre mínimos. Porque, na verdade, mesmo nas suas dissensões de "dança latina" (de salão), os grandes do futebol português conseguem alcançar o essencial. E o que é o essencial: Congelamento da FPF como Instituição supraclubística, que fosse capaz de defender os interesses do futebol em geral. Toda a gente percebeu o comprometimento do então presidente da Liga, candidato a presidente da FPF por acumulação(!), quando aconteceu o "apagão" em Braga (no jogo com o Benfica). Toda a gente entende o silêncio do agora eleito presidente da FPF quando estoirou a notícia do "Público" sobre as fotos no túnel de Alvalade. Toda a gente compreende que o ex-administrador da SAD do FC Porto nunca terá uma palavra de crítica para os excessos dos chamados "dirigentes de referência". Não se trata apenas de falta de coragem. É quase uma questão contratual, que resulta de compromissos e arranjos pré-eleitorais. Em síntese: por melhores que sejam a preparação e as ideias qos "outsiders", o acesso à "área VIP" ser-lhes-á sempre vedada. Só entra quem tem código. A password é: "sistema". Reza a lenda que o rei teve conhecimento das ações caritativas da rainha e das despesas para o tesouro real. Um dia o rei quis surpreender a rainha e interpelou-a numa das suas caminhadas: o que levais no regaço?  São laranjos, meu senhor, são laranjos... Moral da estória: o António ganhou e viveram, todos muito felizes. Para sempre?» - Rui Santos, jornal Record, 12 de Janeiro de 2012.

«(...) A verdade é que Hulk e também Sapunaru não repetiram em Alvalade o comportamento que tiveram no túnel da Luz. Sapunaru, ainda há poucos dias, reconheceu numa entrevista a um jornal romeno que esteve mal nessa ocasião e que a sua atitude não foi digna de um desportista. Provavelmente, os dois jogadores perderam toda a apetência para o desacato no momento em que se viram a apreciar a decoração fotográfica do corredor de acesso ao balneário da equipa visitante. Terão ficado intimidados? A UEFA acha que sim. Imagine-se só que a UEFA depois de ter dado os parabéns ao Sporting pela beleza do papel de parede, veio agora dar o dito por não dito, exigindo que o Sporting retire as imagens porque «são elaramente contrárias aos valores de respeito e tolerância». Estes tipos da UEFA são uns grandes aldrabões. Aldrabões, aldrabões, aldrabões.

O futebol pode ser visto de muitas maneiras diferentes. E há quem garanta, em Alvalade, que os árbitros até quando beneficiam o Sporting é com o único intuito de o prejudicar. Como? Isso mesmo. Veja-se como Pedro Proença ao perdoar a expulsão a Polga no jogo com o FC Porto acabou por prejudicar o Sporting no jogo seguinte, o de ontem, com o Nacional a contar para a Taça. Com Polga sem castigo em campo, foi o próprio Polga quem lançou os madeirenses para o segundo golo depois de uma falha infantil que os sócios do Sporting levaram o resto do jogo a recordar, como se ouvia sempre que o brasileiro tocava na bola. Se Proença tivesse expulso Polga nada disto tinha acontecido. Ontem, Paulo Baptista perdoou a Onyewu a expulsão quando o Nacional jogava já com dez e o Sporting conseguiu o empate no cair do pano. Assim sendo, Onyewu vai estar em campo no próximo jogo. Vamos lá ver o que vai acontecer ao americano.»
- Leonor Pinhão, jornal A Bola, 12 de Janeiro de 2012.

«Poder da Olivedesportos asfixia e chantageia. António Oliveira disse ontem ao Record estar "tranquilo" e "disponível" para todos os esclarecimentos depois da polémica criada em resultado das declarações que proferiu na RTP, na noite de sábado nas quais alertou para o "poder totalitário" que a Olivedesportos tem no futebol. As afirmações do antigo seleclonador e futebolista do FC Porto e do Sporting não são propriamente novidade. Há pouco mais de um ano, Oliveira já tinha afirmado em entrevista ao Record que a "Olivedesportos é o “FMI do futebol". Repetiu-o sábado e juntou a acusação de que Fernando Gomes "só foi eleito presidente da FPF porque o São Martinho de Penafiel [Joaquim Oliveira] assim o quis". Desta forma, trouxe de volta o tema à ordem do dia. António Oliveira rejeita a polémica, limitando-se "a constatar uma situação existente no futebol português", além de que "se me perguntarem, eu respondo, não me calo". E adianta: "Há é muita gente que não quer ouvir." Assim, aquele que é o maior acionista da SAD do FC Porto insiste que Fernando Gomes "é um homem de mão da Olivedesportos, mas até há mais". No entanto, por agora, Oliveira reserva-se o direito de não os denunciar.

Estoiro. António Oliveira rejeita o envolvimento numa guerra fratricida. Para ele, "não é o meu irmão que está em causa", mas acima de tudo um "poder que asfixia e se perpetua" e que se transforma num "lóbi que chantageia e monopoliza o futebol". Por isso, o antigo selecionador considera ser "fundamental que o futebol se liberte desse poder instalado, pois caso contrário não vai a lado algum". E deixa a pergunta: ''Há algum país que tenha os direitos de todos os clubes e ainda da Liga, da Seleção e do que mais houvesse. Isto não é um lóbi poderosíssimo?" Oliveira teme o futuro do futebol português: "Neste momento, não sei como é que o vai sobreviver e só espero que isto não dê um estoiro."

O negócio. "O senhor meu irmão tem todos os méritos", refere António Oliveira a propósito da capacidade que Joaquim Oliveira teve em conquistar o peso que tem hoje no futebol. No entanto, condena a influência da organização que dirige e, por isso, entende ser necessário "desmascarar pessoas e situações". "Fomos nós que inventámos este negócio mas não se pode abusar do poder, muito menos para tentar assassinar as pessoas", sublinha Oliveira, que dá como exemplo a corrida para a presidência da Liga, da qual "gente capaz e desalinhada foi obrigada a sair de cena". Oliveira lembra que desempenhou papel fundamental na construção do império da Olivedesportos, mas faz a ressalva: "Tomei conhecimento de muitas coisas, mas não participei nelas", admitindo que estas suas intervenções públicas são quase como um exercício de "exorcismo" da sua parte e que se assumem como "oportunas e legítimas". "Faço estas denúncias a bem do futebol português", sublinha, "e trata-se da Olivedesportos como poderia ser a LXP ou a ZPL, o que quiserem". E insiste: "Eu gosto muito do meu irmão. Tanto, que até fiz uma empresa, que é a Olivedesportos, para ele trabalhar quando voltou de Angola. Não confundam as coisas. Repito: gosto muito do meu irmão”.

Há pouco mais de um ano já ele tinha dito ao Record em Grande Entrevista: “FMI do futebol tem evitado o fim”. “A má gestão, a ambição desmedida, a megalomania, a falta de visão da FPF e da Liga na organização das competições pode desembocar na desintegração de mais clubes. Só não aconteceu ainda porque o FMI do futebol, a Olivedesportos, tem impedido o desenlace fatal." Estas as declarações de António Oliveira ao Record numa extensa entrevista publicada no dia 27 de dezembro de 2010. Na primeira intervenção pública de fundo de Oliveira oito anos depois de ter saído da FPF ("só agora posso falar pois tinha compromissos [Olivedesportos] que me obrigavam a algum recato"), o antigo selecionador abordou vários assuntos. Entre eles as eleições à presidência da Federação: "Se fosse candidato era muito provável que não agradasse e fosse reprovado pelos lóbis." Em relação ao FC Porto, António Oliveira, maior acionista da SAD dos dragões, manifestou a sua admiração pelo presidente do clube: "Quero que Pinto da Costa esteja no FC Porto muitos anos para ganhar muitos títulos." Oliveira negou então, como hoje, estar no seu horizonte a liderança do clube: "Para qualquer portista, é uma invulgar distinção ser presidente do FC Porto. A ambição é grande mas o meu objetivo não passa por aí".»
- António Magalhães, jornal Record, 11 de Janeiro de 2012.

«Aproveitar enquanto é tempo. O Benfica tratou de assegurar um dos jogadores mais interessantes que existiam no chamado mercado alternativo. Jonathan Soriano nunca foi internacional por Espanha e desde 2005 que não veste a camisola de nenhuma seleção jovem do seu país. A última vez que o fez foi ao serviço dos Sub-21 - onde, de resto, teve um respeitável desempenho: 5 jogos/8 golos. No futebol português do futuro, que se tenta fazer nascer através de despachos e sentenças cegas, falta ao regulador sensibilidade para perceber que os "Sorianos" existem. E não são poucos. O que é preciso é gente que saiba onde eles estão e como lá se chega. Neste caso, como no de Nolito (outro que não passaria no crivo dos "grupos de trabalho”, a estrutura profissional do Benfica tem mérito: consegue, a custo zero, jogadores que acrescentam valor ao plantel (e ao futebol português) e ganha a corrida a clubes financeiramente mais poderosos. Luís Filipe Vieira tem hoje argumentos de peso para atrair jogadores que, noutros tempos e noutras circunstâncias, dificilmente aceitariam trocar "situações de conforto" por uma aventura em Lisboa - sobretudo talentos como Soriano e Nolito, com mercado em Espanha, Itália ou França. A base do projeto que está em marcha nasceu no verão de 2008, quando o Benfica abanou a Europa do futebol ao oferecer a Quique Flores três craques de nível mundial: Aimar, David Suazo e José Antonio Reyes. O primeiro por 6 milhões de euros, os outros dois por empréstimo (com 25% do passe, no caso de Reyes). Ter um jogador como Aimar - para além do que isso representa desportivamente - é também ter a certeza de que os olhos do Mundo estão em cima da Luz. E para quem tem a tarefa de reforçar o plantel de Jesus, metade do trabalho está feito. Se Aimar já veio, então é mais fácil que também venha uma promessa do Real Madrid (Rodrigo), um jogador do plantel principal dos merengues (Javi), um avançado de renome mundial (Saviola) ou estas joias da cantera do Barça (Nolito e Soriano). Quando Messi diz que pagaria para poder jogar ao lado de Aimar, então imaginem o que estes não dirão. Terão os "grupos de trabalho" capacidade para entender o que está em causa?» - Nuno Farinha, jornal Record, 11 de Janeiro de 2012.

«Portugueses. Há 15 dias escrevi sobre uma lei em preparação que limitará a entrada de futebolistas estrangeiros em Portugal. O treinador do Benfica, Jorge Jesus, pegou no mote, e o tema foi objeto de grande polémica: A questão é decisiva, porque um dos meios de viabilização dos clubes portugueses é comprar jovens jogadores em mercados "baratos" (como os sul-americanos), adaptá-los ao futebol europeu, pô-los na "montra" e vendê-los caro. Para já, a polémica que se gerou pode servir de alerta aos governantes para não cometerem erros que podem sair caro. Hoje vou falar sobre um tema quase oposto: a vantagem dos treinadores portugueses. Durante muito tempo, os três grandes acharam que os portugueses não tinham categoria para treinar as suas equipas, e os estrangeiros sucediam-se - de Bela Guttman a Eriksson, de Jimmy Hagan a Trapattoni, de Bobby Robson a Fernandez, de Mortimore a Camacho, de Co Adriaanse a Quique Flores. Quase só Artur Jorge e Mourinho eram considerados com "estatuto" para treinar Benfica, Porto e Sporting. Ora esta ideia morreu. Os três grandes são hoje treinados por portugueses - e bem treinados. O Benfica de Jesus está a fazer uma das suas melhores épocas de sempre, o Sporting de Domingos está a praticar um futebol como há muito não se via em Alvalade, e só o FC Porto mostra alguma quebra em relação ao ano passado - mas esse Porto também era, recorde-se, treinado por um português. E, na última época, 3 dos 4 semifinalistas da Liga Europa tinham portugueses à frente! A conclusão a tirar é que precisamos de estrangeiros para jogar e de portugueses para treinar. Difícil de perceber?» - José António Saraiva, jornal Record, 11 de Janeiro de 2012.

«Papas e bolos para enganar... Uma célebre escuta de Valentim Loureiro no processo Apito Dourado serve muitas vezes para caracterizar a sociedade do Futebol português: "É preciso algum folclore para animar isto", dizia o Major a um interlocutor mais enervado. E no que respeita a folclore, os nossos dirigentes são pródigos. Veja-se, por exemplo, o que deu a famosa "caixa de segurança" do Estádio da Luz no dérbi com o Sporting que, pouco tempo mais tarde, vem a descobrir-se que também redecorou o próprio estádio mas por dentro e não para criar "conforto" aos adeptos mas sim aos jogadores adversários. Num País com tão vasta cultura popular, há um provérbio que encaixa muitas vezes: com papas e bolos se enganam...» - João Rui Rodrigues, jornal Record, 11 de Janeiro de 2012.

«Ecos e silêncios. Ganhamos e praticamos, neste Portuga! cheio de temores e reverências, mais carregado de oportunistas do que de oportunidades, uma mania cobarde: quando alguma conversa, algumas ideias ou revelações nos desagradam e podem agitar as águas podres e paradas em que tantos sectores se deixaram mergulhar, em vez de partirmos para a discussão e para a investigação, preferimos simplesmente matar o mensageiro. Tem passado? Ataca-se por aí. Tem interesses? Faz-se disso o alvo. Foi agente no sector que agora questiona? Denuncia-se o seu caráter de "arrependido". Está aparentemente isolado e longe dos centros do poder corrente? Torna-se mais fácil mastigá-lo, digeri-lo e esquecê-lo. O resultado é quase sempre semelhante: aumenta·se a lista das vítimas e nem se passa à abordagem dos assuntos. Acontece na política, na economia, nas questões sociais. Mas, com o devido respeito pelos justos e interessados (conheço muitos, felizmente) e lamentando que se possa resvalar para uma generalização descabida, acontece muito mais no terreno do Desporto. Vem tudo isto a propósito da contundente entrevista que António Oliveira deu no sábado passado, à RTPi, num programa conduzido por Hugo Gilberto e no qual tive a sorte de estar presente. Confesso que nunca, em mais de trinta anos de profissão, tinha visto alguém disponível para distribuir os nomes pelas histórias, alguém aberto a expor e a defender os seus raciocínios (sabendo ainda por cima que se expunha), alguém que não se perdesse em recados cifrados e em episódios enigmáticos. Quem ouviu António Oliveira falar da Olivedesportos - que fundou - como o FMI dos clubes portugueses de futebol, quem o viu reconhecer, em prejuízo do orgulho e dos méritos, que só tinha sido selecionador por causa da referida empresa, quem constatou a sua convicção de que presidentes da Federação e da Liga não passam de homens de mão de um poder muito mais real e concreto, não consegue ficar indiferente. No mínimo, mesmo que desconfie do alcance ou da intensidade das suas declarações, só pode desejar que as mesmas se tomem objeto de posteriores clarificações. Também por isso é confrangedor – e muito significativo - que, na sequência dessa entrevista, tenham agido os voluntários do costume, mas que sobre ela se abatam meia dúzia de ecos aflitos e um mar de ensurdecedores silêncios que deixam no ar um desagradável odor de compromissos, de dependências e, de tráfico de influências que também mereciam ser exibidos à luz do dia. Tenho pena que se perca uma oportunidade como esta de pegar nas declarações viscerais de António Oliveira e perceber onde e como elas se cruzam com a intrinca da verdade. Mas já percebi que ainda não é desta que lá vamos.» - João Gobern, jornal Record, 11 de Janeiro de 2012.

«(...) Vi grande parte deste jogo e não gostei. Porque o Benfica jogou bem e marcou quatro grandes golos. Porque a vitória foi fácil, não houve nenhum suspense e rapidamente percebi que não ia escorregar. Ora quando isso acontece eu não posso gostar.» - Eduardo Barroso, jornal A Bola, 11 de Janeiro de 2012.

«”Sempre fui independente. António Oliveira, irmão de Joaquim Oliveira, ex-selecionador nacional e ex-presidente do Penafiel, disse em entrevista, este fim de semana, que a Olivedesportos, empresa do irmão, que detém os direitos televisivos do futebol português, define quem são os presidentes, quer da federação quer da Liga. António Laranjo clama independência e, confrontado com a provocação sobre se se considera um candidato do sistema, chega a perder o ar amigável que o caracteriza. “«Claro que não. Sou e sempre fui independente. E se tiver de negociar os direitos televisivos, se os clubes assim o entenderem, negociarei de modo igual com todos os operadores interessados”, diz de forma veemente.» - António Laranjo, citado pelo jornal A Bola, 11 de Janeiro de 2012.

«”Sem o apoio do Benfica era impossível fazer aquilo que faço”

R- Está no Benfica desde 2007. Que importância tem tido o clube na evolução da sua carreira?
TM - Sem o apoio do Benfica era impossível fazer aquilo que faço. Tenho provado que sou capaz de ganhar medalhas e, sem o Benfica não sei se isso iria acontecer. Para além de ter uma grande estrutura disponível, também há a componente financeira, que me permite ter estabilidade e possibilita que me dedique apenas ao judo. Tem sido fundamental para mim. O Benfica está virado para as modalidades e apoia muito os atletas olímpicos. Estamos todos muito agradecidos por o clube ter acreditado em nós e por não nos ter deixado de parte.

R - Como é que tem visto a situação de Vanessa Fernandes, uma atleta que, a par da Telma, é das mais tituladas em Portugal?
TM - As pessoas passam por momentos bons e por outros menos bons. Devemos respeitar a privacidade de cada um. A Vanessa tem mais ou menos a minha idade e já foi vice-campeã olímpica, campeã do Mundo e da Europa, e tem mais medalhas do que muitos atletas. Se ela precisa de tempo para recuperar, é uma decisão dela. Já deu muito ao país e devia ser respeitada por isso. Se decidir que quer voltar e se estiver em condições, ainda bem, pois o importante é que esteja bem. Se a causa do afastamento for falta de motivação deve ser respeitada na mesma. É muito fácil julgar as pessoas quando elas estão em baixo.»
- Telma Monteiro, jornal Record, 10 de Janeiro de 2012.

«(...) Diz Pinto da Costa que quem critica Vítor Pereira não percebe nada de futebol. Deve ser o meu caso - só resta saber o que seja perceber de futebol. Confesso que nunca tinha visto uma equipa, que supostamente queria ganhar um jogo difícil, entrar em campo com uma frente de ataque formada por três extremos-esquerdos. E duvido que haja algum treinador no mundo que, percebendo de futebol, prefira apostar em Cristian Rodriguez para ganhar o jogo, deixando no banco James (ver-se-á quem tem razão quando vierem buscar o James por milhões que jamais foram ou serão oferecidos pelo Cristian). E ver-se-á, caso o Hulk se for embora, como o esforçado desenho estratégico montado por Vítor Pereira desaba instantaneamente, sem demora nem apelo. Sobre isso, de não perceber nada de futebol, lembro-me sempre de uma coisa que me disse José Couceiro, quando era treinador do FC Porto e tinha de arrostar com as minhas críticas: “Para quem gosta de futebol e o segue com atenção, não é muito difícil perceber de futebol. Não é nenhuma ciência oculta.”(…)» - Miguel Sousa Tavares, jornal A Bola, 10 de Janeiro de 2012.

«Desencontro de irmãos. Há duas décadas que a Olivedesportos anda nas bocas do mundo e a natureza da sua presença no futebol português tem sido motivo de análise e opinião, em muitos quadrantes, nem sempre pacíficas. Porém, nunca ninguém tinha dito, de forma tão crua, objetiva, direta e irreversível, aquilo que António Oliveira, antigo sócio da empresa, agora afirmou na RTP Informação. Do conteúdo da intervenção do ex-selecionador nacional ressaltam áreas obscuras e zonas pantanosas que, creio, merecem atenção de quem de direito. Aliás, colocar tudo em pratos limpos será a única forma de a empresa de Joaquim Oliveira, que detém os direitos televisivos do futebol português (encontrando-se, neste momento, recorde-se, numa intrincada negociação com o seu principal ativo, o Benfica) sair deste imbróglio de cabeça erguida. Aguardemos, pois, pelas cenas dos próximos episódios, na certeza, para já, de que António Oliveira, com o que disse, foi um elefante que deixou em cacos a loja de porcelanas do irmão Joaquim. Os clubes profissionais reagiram com extrema preocupação à suspensão de atividade em Portugal, por ordem judicial, da Bwin, patrocinadora da Taça da Liga. Tal medida coloca os emblemas lusitanos em grave desvantagem face à concorrência estrangeira (a Bwin é só a patrocinadora principal do Real Madrid!), cerceando-os de uma fonte de rendimento que é permitida no resto do espaço da União Europeia.Torna-se urgente uma definição política sobre a matéria das apostas online porque, assim, como a Internet não tem fronteiras, os únicos reais prejudicados vão ser os clubes. Para alguns, atrever-me-ei a dizer, até, que esta decisão representa mais um prego no caixão. O Governo deve assumir, de vez, este dossier...» - José Manuel Delgado, jornal A Bola, 10 de Janeiro de 2012.

«De avental. Com a decadente classe política em pânico pelas revelações do tráfico de influências no seio de ridículas organizações secretas a confirmação da importância do lóbi que controla o futebol há mais de 20 anos, pela voz de um dos protagonistas, foi apenas uma coincidência. Os portugueses há muito se habituaram aos critérios de seleção, promoção e apadrinhamento, num país que inventou o provérbio secular de que mais vale cair em graça do que ser engraçado. António Oliveira não fez qualquer revelação, apesar do espanto de algumas virgens. Limitou-se a confirmar com 20 anos de atraso o que alguns denunciaram insistentemente no tempo devido em particular neste jornal, malhando a sua coragem em indignos processos judiciais com réus da defesa da verdade. Dirigentes, treinadores, jogadores e, até, jornalistas convivem há muito com a espiral de dependência que sustenta o sistema - o famoso nome próprio desta extraordinária família. Ser escolhido ou sentir a injustiça do ostracismo, estar na berra ou passar à marginalidade são as consequências evidentes do "modus operandi" a que se referiu o ex-devoto do S. Martinho de Penafiel. Sob o lema "quem não está por nós é contra nós", este poder avassalador da indústria da comunicação e do espetáculo futebolístico em nada diferiria do jogo de cadeiras de uma loja maçónica, se os aspirantes também usassem um aventalzinho bordado. Mas quando alguém procura resposta para determinados enigmas, carreiras fulgurantes, sucessos improváveis, milagres de competência, não é dificil descobrir de quem é a mão que segura a ponta da meada. Noutro contexto e uns bons milhões de euros antes da epifania de sábado à noite, tinha a mesma figura reclamado ao país uma estátua para aquele santo, pela capacidade benemerente de manter vivos vários clubes moribundos que só chegaram ao século 21 porque os direitos de televisão lhes foram generosamente pagos antecipadamente, em troca de participações e controlo societário, desafiando os preceitos da FIFA e do Fair Play. Tudo isto é conhecido há anos e historiado nos momentos oportunos, mas apenas resultou no afastamento de muita gente de bem do associativismo desportivo, a que António Oliveira agora se junta de braço ao pescoço. Desse tempo de denúncias improfícuas e batalhas quixotescas subsistiu a crença popular numa "máfia" virtual que está sempre por detrás das derrotas, mas à qual também muitos se comprazem em vangloriar os poderes quando os resultados são positivos. Colocar um irmão a selecionador nacional ou um amigo a ministro é privilégio de poder, eventualmente abusador da coisa pública e do interesse social, mas não é crime. Criminoso é tirar da boca, da própria e dos filhos, para comprar a ilusão efémera de uma vitória limpa sobre a relva. Criminoso é assistir impávido e resignado ao tráfico de benesses entre a casta dos eleitos. E concluir que não há nada a fazer: com avental à cinta ou charuto nas beiças, este país e este futebol não precisam que lhes digam quem são os donos.» - João Querido Manha, jornal Record, 10 de Janeiro de 2012.

«Benfica em alerta máximo. Realizadas catorze jornadas no Campeonato da Liga, faltando apenas uma para o termo da primeira volta, cada vez mais o Benfica se perfila como principal candidato ao título nacional: pela qualidade do plantel, uma preciosidade até aqui deficientemente valorizada, pelos elevados padrões de execução, individuais e coletivos e pelo assinalável índice de eficácia na concretização, expresso em treze golos nos últimos três jogos. No entanto, Luís Filipe Vieira, na oportuna entrevista publicada em A Bola, na primeira edição de ano novo, intrigou-me, ao confessar o seu otimismo quanto à conquista do título, aparentemente uma resposta óbvia face ao notável voo da águia, e ao alertar para dois tipos de preocupações: um, motivado pelo respeito que todos os adversários, independentemente da dimensão, devem merecer, num inequívoco apelo à concentração máxima para jogadores e treinador, outro, provocado por dificuldades não especificadas e que, acentua, será preciso superar. Incluo-me no rol de admiradores das posições que o presidente benfiquista tem tornado no combate pela limpeza do futebol português, mas não sou capaz de adivinhar o que lhe vai no pensamento. À parte as naturais dificuldades que resultam de cada jogo, mais nenhumas deviam enxergar-se em comunidade futebolística livre de impurezas, o que, infelizmente, não é o caso português, como se sabe. De aí, permitir-me associar os receios de Filipe Vieira à acutilante ressuscitação de Pinto da Costa: recados ao novo presidente da FPF, ralhete à arbitragem, homenagens, entrevistas, enfim, previsões de ventania até fim da época... Voltando às últimas exibições do Benfica, também reconheço que os opositores não foram dos mais problemáticos (Rio Ave, 12.º, UD Leiria, 14.º e Vitória SC, 7.º) e que no campo onde o Benfica anteontem marcou quatro golos, o FCPorto apontou cinco (sofrendo dois). Os resultados refletem a parte visível de complexo trabalho durante meses desenvolvido e resguardado da curiosidade pública. Quem dispõe de mais e melhores praticantes geralmente ganha. Em cenários de equilíbrio, porém, o sucesso costuma privilegiar os técnicos mais diligentes nas suas tarefas diárias. Eis o motor da diferença... No clássico de Alvalade, como se previa, o empate foi o desfecho pelas duas partes acolhido com alívio: Vítor Pereira evitou a derrota e alcançou o objetivo que o animava, espelhado na própria formação titular. Pareceu-me ter ele pecado na inversão das escolhas, terminando o jogo precisamente com o onze com que o deveria ter iniciado. Já deu para ver que Kléber, tanta discussão inútil!..., é uma apressada imitação de Falcao, mas tem o seu valor. Razão pela qual não se compreende a insistência no sacrifício de Hulk, emparedado pelos centrais contrários, nem a atribuição a Djalma e Cristian Rodriguez de excessivas e falhadas competências, em prejuízo de James, por exemplo, um diamante em lapidação lenta... Domingos Paciência tem mais motivos para sorrir do que o seu colega portista. Podia ter ganho, podia ter perdido, mas prevaleceu outra exibição agradável de uma equipa em construção, à semelhança da que se lhe observara na Luz, quando defrontou o Benfica. Em vésperas de receber o dragão, e já com a viagem a Braga no horizonte, foi despropositada, por isso, a referência do treinador do Sporting à juventude de um projeto que muito empolga associados e adeptos. Intimidou-se no verbo e, se calhar, inibiu o grupo na motivação. Em rigor, depara-se ao clube de Alvalade quadro favorável para época excelente: brilhar na Liga Europa, erguer a Taça da Portugal no Jamor ou/e vencer a Taça da Liga, tudo é possível, mas sobre a Liga, uma prova de longa duração, pautada pela regularidade e mais exigente do ponto de vista competitivo, julgo não dispor ainda o leão argumentos para se bater em pé de igualdade com benfiquistas e portistas. Neste momento, Domingos Paciência deve preocupar-se, sim, em consolidar o terceiro lugar, o último de acesso à Liga dos Campeões, e em manter acesa esta fogueira de entusiasmo, reclamando tolerância, por um lado, e produzindo mensagens de confiança, por outro. O futuro não se constrói num dia. Está no caminho certo!» - Fernando Guerra, jornal A Bola, 10 de Janeiro de 2012.

«Já vimos estes filmes. Às vezes parece que o tempo volta para trás, tantas são as coincidências que encontramos no presente com episódios do passado. O trabalho sobre a liderança isolada do Benfica no campeonato, assinado pelo jornalista Nuno Martins, na página 8 deste jornal, e que sustenta a manchete da edição de hoje, aliás inspirada numa fita de Steven Spielberg com Leonardo di Caprio e Tom Hanks, parte precisamente desse pressuposto. Coincidências, de facto, não faltam, até no pormenor de ter sido após um jogo com a U. Leiria que em 2010 o Benfica se isolou no comando para nunca mais o deixar, conquistando o título que lhe fugia há cinco anos. Não é apenas por ter pinta de artista que Jorge Jesus aparece como principal protagonista deste filme, o qual, por muitos argumentos que se possam produzir (alguns até elaborados de acordo com algumas teorias da conspiração), se resume a este simples facto: o Benfica fez o que lhe competia na Marinha Grande e aproveitou o empate registado no clássico para se isolar na frente. O resto é conversa. No entanto, apesar das semelhanças com um filme já visto, a história ainda está longe do fim. Aliás, ainda nem sequer chegou a meio. Há outros protagonistas interessados em recuperar ou conquistar o papel principal, e embora alguns já não tenham grandes chances de aspirar a mais do um lugar na segunda linha da cena final, outros só dependem de si próprios para voltarem a ser cabeças de cartaz. Enfim, ainda há suspense e de um momento para o outro a sensação de "déjà vu" pode é trazer à ribalta cenas de um passado mais recente e promover outros heróis. Pois, esse filme também já o vimos... Expectativa foi coisa que não existiu na gala da FIFA onde Messi conquistou pela terceira vez o título de melhor jogador do Mundo. Uma vitória sem surpresa, assim como a de Pep Guardiola na categoria dos treinadores. Cristiano Ronaldo e José Mourinho tiveram de contentar-se com o segundo e terceiro lugares dos respetivos pódios, o que também foi natural e igualmente justo, mas em todo o caso digno do nosso orgulho. Obrigado, pois.» - António Magalhães, jornal Record, 10 de Janeiro de 2012.

«Ser ou não ser convincente... Há situações aparentemente estapafúrdias. Como esta: no dia seguinte a ter alcançado a extraordinária marca de 53 consecutivos jogos sem derrota no campeonato nacional, o FCPorto perdeu a liderança nesta prova. Logo, o empate em Alvalade, podendo ser considerado positivo, acabou por lhe dar sabor um pouco amargo. Claro que bem mais intensamente amargo foi para o Sporting: saiu deste despique em quase irreversível marcha atrás no sonho de ser o próximo campeão. OK, outros pontos de vista são possíveis: o Sporting, que, nas vésperas deste jogo chave, optou pela estratégia (?) de pôr forte tónica em se considerar bebé, manteve normal/saudável crescimento... (imediata sucessão de outros cruciais testes, em Braga e Olhão), e o FCPorto considerará insignificante o atraso de 2 pontos, ainda nem a metade do campeonato, e tendo o Benfica de também ir a Alvalade... (mas o FC Porto terá de ir à Luz). Atenção: amiúde acontece a decisão do titulo não ser feita nos diretos despiques entre gigantes... Largo sorriso no Benfica. Óbvio: o grau de dificuldade na visita ao UD Leiria, embora acrescido pelas ausências de Aimar e Gaitán, era muitíssimo inferior à de um Sporting-FC Porto, mas a águia pode contrapor que o seu voo, alto voo na 2.ª parte, alcançou o que leão e dragão falharam: ser convincente.» - Santos Neves, jornal A Bola, 9 de Janeiro de 2012.

«Sem regignação nem depressão.  O empate em Alvalade tirou ao FC Porto a liderança bipartida da Liga, mas o conjunto portista deve encarar esse percalço sem resignação e, mais importante ainda, sem entrar em depressão. Basta ter em conta que na época passada, com Villas-Boas no comando técnico, também não conseguiram melhor do que um empate na casa do Sporting. É tempo, portanto, de os dragões levantarem a cabeça, porque é impossível atingir o sucesso se não se acreditar. O futuro está aí para os insucessos do passado serem superados e nada melhor do que fazer força das fraquezas com a convicção de que é possível retomar o trilho da liderança e partir para a revalidação do título nacional. O desânimo não pode instalar-se...» - Nuno Barbosa, jornal Record, 9 de Janeiro de 2012.

«All together now. Depois de uma noite de sábado entediante, 90 minutos perdidos a ver um triste jogo de bola entre Sporting e Porto, o União de Leiria-Benfica ofereceu-nos um jogo sempre cheio de velocidade, de emoção e de uma segunda parte em que o Glorioso cilindra o oponente. Quando a nossa entrada em 2012 é gloriosa, frente ao Guimarães do meu preferido Rui Vitória e a liderar o campeonato, uma pequena pergunta, de pormenor mas de espanto, ocupou-me a mente nos minutos seguintes à partida de ontem: quem é o Rodrigo Mora? Alguém que vamos dispensar rapidamente, assim Deus queira e Jesus aceite. Eu não gosto do Cardozo, nem pintado de ouro ou melhor marcador estrangeiro de sempre, mas não percebi porque é que saiu. Eu adoro o Rodrigo, um génio que em 3 minutos fez dois belos golos, mas não percebi porque é que saiu. Sobretudo não entendo porque é que sai do banco um jogador chamado Rodrigo Mora especialmente quando Nélson Oliveira, que vai ser o futuro do Benfica - dêem-lhe tempo - estava no leque de suplentes. Agora que já desabafei, concentremo-nos no brilhante jogo que Bruno César soube fazer. No fim, a verdade é que não dei pela falta de Aimar. E isso é um feito glorioso para os onze escolhidos por JJ para defrontar o Leiria. De Gaitán dei, porque a sua ausência deixou o Chuta-Chuta à direita e levou Nolito para a esquerda - e o espanholito estava em noite não. E a fazer "pareja" com o Emerson, não há quem se salve. A verdade é que 2012 começa e estamos na liderança do campeonato. Em fevereiro apanhamos o Zenit na Champions e tenho a certeza que a nossa Luz vai ser brilhante. Já fiz as promessas do ano novo: em maio, rumo à estátua do Marquês para a escalada da vitória e a seguir marcho para Fátima, que com as vitórias do Glorioso não se brinca. Só não somos campeões se não quisermos. All together now!» - Marta Rebelo, jornal Record, 9 de Janeiro de 2012.

«Líder poderoso e saudável. A candidatura há muito que estava lançada e o primeiro lugar do pódio vinha sendo dividido com o FC Porto há já algum tempo, mas ontem o Benfica deu a sapatada por que os adeptos suspiravam e com uma goleada inteiramente merecida isolou-se na liderança da liga. Sim, é verdade que há bastante ainda por jogar e que o FC Porto de Vítor Pereira depende apenas de si próprio para ser campeão, mas basta olhar para os últimos jogos encarnados para perceber que a águia despertou e que o amanhecer é violento como convém. São claras as mensagens que passa a equipa de Jorge Jesus e só não as entende quem não quer. 5-1 ao Rio Ave, 4-1 ao Vitória de Guimarães e 4-0 à União de Leiria. Se dúvidas restassem sobre a qualidade do grupo encarnado, a sequência de triunfos mostra que a vontade de reconquistar o título é imensa e que a Taça da Liga é também levada a sério, após o balde de água fria que foi a derrota na Madeira e consequente saída da Taça de Portugal. Com um plantel rico e competitivo, Jesus mostrou na Marinha Grande como pode competir em Portugal mesmo sem Aimar e Gaitán. Foi curioso vencer com quatro golos com o pé esquerdo, mas mais saboroso ainda voltar a acreditar em Bruno César para desequilibrar, em Cardozo para resolver e Rodrigo para crescer, quem sabe para patamares que o levarão um dia para outras paragens em mais um desejado negócio chorudo. Os homens da Luz parecem melhor fisicamente. Maxi voltou a ser a carraça que faz todo o corredor durante 90 minutos, Luisão está de volta para liderar a defesa e lá na frente há soluções para todos os gostos, de Nolito e Gaitán nas alas a Cardozo e Rodrigo no meio. Quantas equipas portuguesas poderiam dar-se ao luxo de sentar um craque como Saviola no banco? Pois, estamos conversados. O FC Porto mantém a candidatura e o Sporting de Domingos também não atira a toalha ao chão. Só que se o Benfica joga os dois próximos jogos da Liga em casa, o dos leões, por exemplo, joga-se em Braga e após a receção ao Nacional para a Taça. Hoje, o Benfica está como quer.» - Bernardo Ribeiro, jornal Record, 9 de Janeiro de 2012.

«A justeza de um nulo. Não se viram golos no clássico de Alvalade e bem se pode dizer que o resultado foi justo por aquilo que Sporting e FC Porto fizeram dentro de campo. Ambas as equipas estiveram preocupadas em não perder o jogo e isso traduziu-se numa partida fechada, que, apesar de bem disputada, não permitiu grandes oportunidades. Para os leões, este empate deita quase por terra as aspirações ao título, dada a diferença pontual que terá que recuperar, em 16 jornadas, para águias e dragões. Embora não seja impossível reduzir a distância, não estou a ver Benfica e FC Porto a perderem tantos pontos em simultâneo. No clássico de sábado, o destaque tem de ser dado aos jogadores da zona defensiva das duas equipas. Os guarda-redes Helton e Rui Patrício mostraram-se sempre seguros, enquanto que o sportinguista Onyewu (o Capitão America não deixou o Incrível Hulk fazer estragos) e o portista Rolando (Van Wolkswinkel teve dificuldades em passar por ele) pareceram estar sempre no controlo das operações. Por outro lado, o portista Álvaro Pereira fez um jogo de grande esforço e o corte in extremis na linha de baliza, a um remate de Izmailov, foi a cereja no topo do bolo de uma prestação esforçada e conseguida, inclusivamente nas incursões ofensivas. Já o leão Insúa, com uma disponibilidade fisica enorme, ajudou ainda a compensar a exibição apagada do espanhol Diego Capel. Se o Sporting foi a equipa com mais posse de bola e com mais oportunidades de golo (ainda assim poucas), já o FC Porto apresentou um meio-campo mais coeso e unido, rápido na pressão e recuperação de bolas, que lhe permitiu criar algumas transições ofensivas perigosas com regularidade. A partida terminou a zeros e nenhuma das equipas foi superior à outra. O jogo talvez tivesse sido diferente se nele estivesse um jogador de outros tempos, que por acaso até esteve nas bancadas de Alvalade: Jardel, um avançado marcante que representou os dois clubes. Com ele em campo, seria natural ver os golos a aparecer. Marcava em quase todos os jogos. Neste caso, como nenhuma equipa queria perder com Jardel em cena, o espetáculo seria outro. Embora os treinadores tenham falado em más decisões da arbitragem no final da partida, também não me parece que essa discussão faça sentido. Olhando para os últimos anos, este terá sido o clássico Sporting-FC Porto com menos casos polémicos. Apesar de estar em 3.º lugar, é de realçar o excelente trabalho que Domingos Paciência está a realizar à frente do Sporting. Recebeu uma equipa nova e incutiu-lhe uma dinâmica como há muitos anos não se via. É um dos melhores treinadores portugueses, ainda a competir em quatro frentes e que terminará a época, certamente, com títulos no bolso. Hoje, o Sporting joga olhos nos olhos com qualquer adversário e grande parte desse mérito é de Domingos. O FC Porto também se apresenta em crescendo. Esta época, por fatores que lhe são alheios, Vítor Pereira não teve tarefa fácil e sobreviveu a um verdadeiro "cabo das tormentas". Quis alterar o estado das coisas e encontrou novas soluções para a equipa. Esse processo de aprendizagem custou-lhe a Liga dos Campeões e a Taça de Portugal, mas continua atrás do principal objetivo, a Liga, onde ainda não perdeu e tinha melhor ataque e melhor defesa. A confiança de Pinto da Costa no treinador não surge por acaso.» - António Oliveira, jornal Record, 9 de Janeiro de 2012

«Homem do povo no clube do povo fala para o povo. Houve um período, talvez há dois anos, em que a minha tolerância para com o discurso de Jorge Jesus andou perto do zero. Nas palavras do treinador do Benfica havia sempre, aqui e ali, uma pontinha de arrogância e de soberba. E também nos gestos, como naquele feiíssimo, para com Manuel Machado, a abanar os dedos da mão quando o Benfica esmagava, na Luz, o Nacional. Agora, porém, algo mudou: a minha tolerância ou o discurso de Jesus. JJ continua a ser incapaz de esconder alguma vaidade, mas acaba por ser engraçado. Até as frases em espanhol e a troca de Malvinas por Maldivas me fazem, agora, sorrir. Jesus é um homem do povo e, estando do clube mais conotado com o povo, fala como o povo e para o povo.» - Rogério Azevedo, jornal A Bola, 8 de Janeiro de 2012.

«O quê? O treinador do FC Porto nem queria acreditar:
relva pintada de verde. Sporting sempre a inovar»
- Jornal
Record, 8 de Janeiro de 2012. (fotografia de Paulo Calado)

«Estudos do Governo (I). A semântica de Jesus e uma primeira análise sobre a reforma das leis desportivas. O gabinete de Miguel Relvas, responsável pela tutela do Estado no Desporto, resolveu com louvável método empreender nova legislação sobre o praticante desportivo/Seleção Nacional e a atividade dos árbitros e rever a legislação das SAD. Nomeou três grupos de trabalho e recebeu no final de 2011, os respetivos estudos. Da sua leitura saliente-se o cuidado e o rigor dos textos, das estatísticas e dos elementos atendíveis nos países próximos, virtudes aqui e ali diminuídas pela superficialidade em algumas questões, que devem ser, agora, aperfeiçoadas com recurso a outros conhecimentos. O tributo destas comissões "parcelares" acaba por submeter aos responsáveis governamentais a mudança de paradigma. Em face da amplitude da malha de intervenções legais no desporto, urge pensar na elaboração de um "Código da Atividade Desportiva", que uniformize sistematicamente, coordene entre si e redesenhe para as mais recentes transformações nos diversos ordenamentos as diversas matérias submetidas a regulação nos últimos 30 anos, para além de disciplinar os assuntos inadiáveis (como a propriedade e centralização dos direitos televisivos e as apostas desportivas). Um código que, bondosamente, albergue os oferecimentos de outra comissão a propósito do Tribunal Arbitral do Desporto e o elenco das infrações administrativas e disciplinares comuns a todas as modalidades. Acima do código-matriz estará sempre a Lei de Bases do Desporto, abaixo dele, as portarias de execução das suas prescrições. Teríamos um Direito do Desporto mais simples e mais coerente decorrente de um trabalho para prazo de dois anos, sem correrias com ponderação "à antiga", e envolvendo vários ministérios e especialistas (juristas e não juristas) de múltiplas origens. Se não for por agora - até pela crise e condicionamentos dos tempos -, alguém no futuro se encarregará de o fazer germinar. Esta semana, as palavras (na semântica muito própria) de Jorge Jesus chamaram a atenção para um desses estudos – precisamente aquele que se debruçou sobre as "medidas de proteção" dos jovens praticantes nacionais e a mediata potenciação das capacidades das seleções nacionais. A recomendação feita no estudo que motivou a indignação de Jesus é muito simples: "introduzir a exigência de critérios de qualidade aos jogadores estrangeiros contratados, devendo aferir-se a necessidade de internacionalização como critério de qualidade". Analisá-la em singelo e dela retirar tão-só o impedimento de acesso dos nossos clubes aos jogadores estrangeiros mais caros não é justo. A recomendação deve ser vista em conjunto com as outras medidas propostas (em especial os incentivos fiscais à contratação de jogadores portugueses e o estatuto de "clube formador"). Por isso, melhor seria ter sido apresentada essa proposta como um princípio futuro de qualificação necessária para uma percentagem (ainda que minoritária) de jogadores não nacionais. Pode ainda não ser este o momento estruturalmente certo para dar esse passo, mas qualquer momento é certo para tomarmos consciência dos passos que o devir não pode deixar de dar.» - Ricardo Costa, jornal Record, 8 de Janeiro de 2012.

«Quando a águia não se resigna. Ruben Amorim e Enzo Pérez protagonizam dois casos potenciadores de instabilidade, numa altura em que os encarnados querem tudo, menos confusão. No entanto, se Amorim não é um titular de caras, o argentino quer voltar ao seu país, sem ainda ter mostrado o que dele se esperava, como mostra o investimento feito na sua contratação. Os encarnados têm legitimidade para defender os seus interesses, porque em causa está um contrato assinado livremente, mas também têm o direito à não resignação e procurar alternativas. Por isso, Salvio encaixa que nem uma luva no plantel. Além das suas qualidades técnicas, conhece o clube e as ideias do técnico. Estará pronto a ser lançado sem demoras.» - Nuno Martins, jornal Record, 8 de Janeiro de 2012.

«Fraquito. From: Domingos Amaral To: Domingos. Caro Domingos: Há jogos assim, fraquitos, com muita parra e pouca uva. No de ontem, as duas equipas correram quilómetros, houve muita emoção, frenesim, ranger de dentes e muita luta, mas... noves fora nada. Por junto, quatro grandes oportunidades de golo, duas para cada lado. Helton safou bem a cabeçada de Polga, Rui Patrício defendeu a única verdadeira estocada de Hulk, e nos últimos dez minutos Izmailov empurrou a bola sem grande convicção para uma baliza que parecia deserta mas em cima da linha lá apareceu um defesa azul para evitar o golo. Por fim, quase em cima da hora, Otamendi provou que é um excelente defesa, que se posiciona muito bem em frente de qualquer baliza, oferecendo o corpo ao remate do seu colega James e evitando assim uma injusta derrota do clube da casa, o Botafogo. Sim, já deves ter ouvido que, especialmente entre sportinguistas, é assim que agora é conhecido o clube que tu treinas. Bota... fogo, dá para perceber? Espero que sim. Nós benfiquistas percebemos à primeira, e como temos sentido de humor até nos rimos. Por falar nisso, obrigado por teres tirado dois pontos ao FC Porto, teria sido melhor se lhes tivesses tirado os três, mas pronto, amanhã vamos tentar passar para a frente do campeonato. Contudo, embora não estejas fora da corrida, a verdade é que com este empate as coisas complicam-se um bocado para ti. Manténs os 6 pontos de atraso para os azuis e, se o Benfica ganhar ao Leiria, passas a ficar a 8 do meu clube. É muito ponto, contra dois clubes que por acaso já só têm um jogo entre eles... Se bem que há quem diga que o Botafogo faz milagres, e pode ser que na penúltima jornada do campeonato ainda consigas ir botar fogo ao Dragão, coisa que me parece perfeitamente ao alcance de um dos dez melhores treinadores da Europa. Mas, verdade, verdadinha, tenho pena de hoje não te poder dar os parabéns por uma vitória.» - Domingos Amaral, jornal Record, 8 de Janeiro de 2012.

«Uma discussão interessante. Muito interessante e elucidativo o recente debate na SIC Notícias, entre um jornalista e um fiscalista, sobre a questão da Jerónimo Martins, em que foi desvalorizada a ideia, provavelmente exagerada, de uma antipatriótica fuga para a Holanda e muito mais se valorizou a discussão – ainda por fazer no país e, em especial, na Assembleia da República - sobre os tremendos excessos de poder na sensível área da distribuição, que obrigam os produtores a aceitar o que lhes querem dar, promovendo, assim, lucros imorais e uma óbvia desmobilização no interesse de mais agricultores em produzirem mais e melhor.» - Vitor Serpa, jornal A Bola, 7 de Janeiro de 2012.

«De bicicleta já tinha chegado. Enzo Pérez quer falar, ao que parece, mas diz não ter autorização. A mesma que não teve para faltar ao dia de regresso aos trabalhos, a mesma que não teve para continuar na Argentina, enquanto os companheiros estão em Portugal a preparar mais um jogo da Liga, afinal, o grande objetivo das águias para esta época. É longe. Buenos Aires e Lisboa são capitais separadas por 9.600 quilómetros, uma viagem de 10 horas de avião, mas, com tantos dias de atraso, e se tem alguma coisa para dizer a seu favor, o médio até já se podia ter feito à estrada... de bicicleta. Acima de tudo, Enzo está a faltar ao respeito aos companheiros de equipa, a todos os que diariamente trabalham para manterem acesa a luta pelo título.» - Vanda Cipriano, jornal Record, 7 de Janeiro de 2012.

«A exigência. 1. Só o Sporting pode ficar hoje à noite arredado do título nacional. Uma eventual derrota frente ao FC Porto, por sinal em vésperas de uma difícil deslocação a Braga, colocaria os leões a 9 pontos da liderança, margem bastante acentuada num campeonato em que os grandes raramente cedem terreno. Este simples exercício matemático não coloca, todavia, maior pressão na equipa de Domingos Paciência em relação à de Vítor Pereira. Os patamares de exigência são, afinal, diferentes. No Sporting, a época 2011/12 é marcada por uma revolução no plantel. Com uma considerável desvantagem em relação a FC Porto e Benfica no momento da construção do grupo de trabalho, toma-se difícil pedir mais a este leão, que, apesar da tal dieta à base de papas Cerelac, já conseguiu mostrar na Luz que o crescimento é notório. Mesmo com menos a perder no imediato, o FC Porto e Vítor Pereira especialmente, não estão em posição confortável. Os exigentes adeptos portistas já viram a equipa ser eliminada da Liga dos Campeões e afastada da Taça de Portugal de forma quase humilhante, pelo que não aceitariam, por certo, a eventual fuga do Benfica no final de uma primeira volta em que os dragões primaram pela irregularidade exibicional. 2. Este é claramente um fim-de-semana para o Benfica ganhar terreno à concorrência. Resta saber se à direta, à potencial ou a ambas. Os encarnados entraram em 2012 com o mesmo ritmo que abandonaram o ano velho, o que até contrasta com aquilo que foi o início da temporada. Tanto em casa com o Rio Ave - como em Guimarães, para a Taça da Liga, houve espetáculo, eficácia e apetência pelo golo, mas também períodos de algum desnorte e, acima de tudo, de falta de coesão defensiva. O que deve estar a incomodar neste momento os responsáveis é o futuro a médio prazo e não propriamente a deslocação à Marinha Grande. Quando o calendário começar a apertar e chegar a hora das decisões não haverá Ruben Amorim, que permitia pelo menos que Maxi Pereira descansasse, nem Enzo Pérez, com quem se contava para ajudar a equipa na etapa final. 3. Muito se falou do pacote de alterações no futebol profissional que o Governo prepara para este ano, principalmente a partir do momento em que Jorge Jesus veio a terreiro defender o contrário daquilo que parecia gerar consenso. Todos os argumentos são bem vindos e merecedores de reflexão, mas, se vingar a exigência em relação ao currículo dos estrangeiros a contratar, ficaremos com a certeza de que os clubes portugueses não terão quaisquer hipóteses de fazer frente aos melhores da Europa, como recentemente o Benfica conseguiu frente ao Manchester United, e o FC Porto certamente demonstrará diante do Manchester City. No mercado internacional, nem aos jogadores de segunda linha terão direito. 4. A NBA regressou em pleno, para gáudio de quem aprecia um dos melhores espetáculos do Mundo. Pelo que os primeiros jogos deixam perceber, a máquina dos Miami Heat parece afinada e este pode mesmo ser o ano do primeiro anel de campeão para LeBron James. Um título é, afinal, o que lhe falta para dissipar as dúvidas dos mais céticos e coroá-lo - em 2012 como o melhor basquetebolista do Mundo da atualidade.» - Luís Pedro Sousa, jornal Record, 7 de Janeiro de 2012.

«Aumento será catastrófico. Diretora-executiva da Liga, Andreia Couto, recebida no MAl. Custos com policiamento preocupam.  Número de efetivos nos jogos desfasado. A diretora executiva da Liga, Andreia Couto, reuniu-se, ontem, com o ministro da Administração lnterna, Miguel Macedo, e foi informada que os serviços dos agentes de segurança nos jogos das provas profissionais aumentarão de cerca de 19 euros para 28 por agente destacado, a partir de agosto. “Fomos chamados pelo senhor ministro para nos informar que os serviços remunerados dos agentes de força de segurança pública que fazem a segurança dos jogos das competições profissionais, e não só, vão ser aumentados. Este aumento de custos, a que se junta o aumento da tributação dos bilhetes, terá efeitos catastróficos para os clubes”, disse Andreia Couto à saída do encontro, em Lisboa, adiantando que é necessário adequar a legislação à atual realidade do futebol português. “A legislação atual do policiamento desportivo não é alterada desde 1992 e a dos assistentes dos recintos desportivos desde 2002. Serão objeto de ponderação para que sejam adequados à realidade do futebol português”, frisa, dando dois exemplos do desfasamento do número de efetivos policiais nos jogos. “Houve recentemente um jogo com 4028 espetadores e 100 efetivos e outro com cerca de dois mil adeptos e 75 polícias.” “É importantissimo que os clubes e as forças de segurança conversem. Estamos disponiveis para estudar a situação, nomeadamente nas definições de jogos de alto risco e na quantidade de efetivos que não será necessária em determinadas circunstâncias. Não podemos aceitar o onerar dos clubes nesta fase de dificuldades”, salienta a presidente interina até às eleições de 12 de janeiro, mostrando-se preocupada. “As pessoas já têm dificuldades financeiras para pagar um bilhete e estes encargos acrescidos poderão provocar um maior afastamento dos estádios.”» - Hugo do Carmo, jornal A Bola, 7 de Janeiro de 2012.

«Nuno Lobo quer ser presidente. Líder do Conselho de Disciplina apresentou candidatura; Toni e Fernando Seara apoiam. O candidato à presidência da Associação de Futebol de Lisboa, Nuno Lobo, apresentou, ontem, o manifesto para as - eleições do dia 20 do corrente mês. O atual líder do Conselho de Disciplina da AF Lisboa quer liderar o movimento associativo em Portugal e contou com o apoio de Fernando Seara, edil de Sintra, e de Toni, antigo treinador do Benfica. Os encarnados e o Sporting estiveram, ontem, representados.» - Jornal A Bola, 7 de Janeiro de 2012.

«O 50.º artigo, a proposta de Lei das SAD's para SD e o Mundo.

50º Artigo
Este é exactamente o nosso 50.º artigo. Durante este tempo todo tentámos de alguma forma contribuir para o melhor conhecimento e transparência do fenómeno financeiro desportivo nacional e internacional. Abordámos e fizemos investigação sobre tudo o que considerámos importante para os nossos leitores. Tivemos muitas reacções positivas e outras negativas – é a vida! Até começámos a ser imitados por outros jornais de referência nacional, o que é um motivo de orgulho, não nosso, mas do Benfica. De muito orgulho, apesar do claro plágio! É nessa senda que iremos continuar até que a alma nos doa. Não sabemos quando ela nos vai doer ou vamos ser alvejados por umas bisnagas inflamadas! Mas até lá o nosso  muito obrigado.

O Projecto

Um grupo de trabalho criado para analisar alterações e propor novos projectos de diplomas legais sobre as SAD's e o seu regime fiscal, acabou na semana passada de o divulgar publicamente. Pretendemos aqui de uma forma sucinta explicá-lo. Para isso, vejamos na Fig.1 o que o mesmo possui de alterações com maior substância. Se com a enumeração destes princípios já teríamos uma boa centena de páginas para explicar, até porque agora tem tudo de ser sociedade desportiva - anónima (SAD) ou unipessoal por quotas (SDUQ), para participar na I e nas II Ligas - existe uma que nos queremos debruçar sobre ela. Tal respeita à participação do clube fundador no capital das sociedades. Como já se dispunha no anterior regime, a participação directa do clube fundador na sociedade desportiva (o projecto do diploma no seu art.º 23.º fala em sociedade anónima desportiva, certamente por lapso), não poderia ser inferior a 15%. O projecto reduz esse montante para 10%. A lei cinge este limite apenas no que  concerne à sociedade ter resultado da personalização jurídica de uma equipa, logo, não é aplicável aos casos em que a sociedade desportiva é criada de raiz, ou, nos casos em que resulte da transformação de  um clube desportivo. Ora, isto, não faz qualquer sentido! Não fazia e continua a não fazer. Não se percebe porque é que a participação mínima tem de ser pela forma directa e não pode ser pela forma indirecta! Não se percebe, porque é que a diminuição da obrigatoriedade de 5% irá permitir que haja maior investimento nas sociedades desportivas, conforme foi propalado por quem fez o projecto de diploma! Não se percebe, porque é que o clube fundador de forma indirecta só possa participar através de uma SGPS no capital da sociedade, não sendo agora já necessário que esse mesmo clube detenha a maioria do capital da SGPS! Aquilo a que poderíamos chamar golden share do clube, continua a existir, pelo que retira qualquer sentido a uma tentativa de obrigar os clubes a participarem nesses termos. É evidente, que se quer o clube a ter um grande domínio sobre as sociedades desportivas, qualquer que seja a modalidade a que nos estivermos a reportar. Mas se assim o legislador o deseja, não faz qualquer sentido que o restrinja e sempre o tivesse restringido, apenas aos casos de personalização jurídica das equipas e não aos outros. Ora, com o investimento árabe e asiático em grande escala, arriscamo-nos a ter clubes totalmente por eles detidos a participarem nas competições. Se é para seguir essa via, que se faça uma liga Ibérica de vez! 

O Mundo
Portugal se não conseguir levar as medidas de redução do endividamento em frente, vai falir. Se será melhor ou pior, sinceramente não sei. Para os mais estudiosos aqui fica na Fig. 2, a distribuição em %, pelos diversos Bancos, quer do crédito à economia Portuguesa concedido quer dos recursos dos clientes aplicados em instituições financeiras. Venham daí os chineses para a economia Portuguesa!»
- Pragal Colaço, jornal O Benfica, 6 de Janeiro de 2012.

«Exemplos. O ano começou com uma boa notícia para o benfiquismo: Saviola renovou o contrato com o Benfica. Independentemente da melhor ou pior forma que este argentino atravesse, a sua supina qualidade é inquestionável. O pior Saviola é melhor do que a esmagadora maioria dessa cinzenta mediania de caceteiros esforçados que se arrastam pela maioria dos nossos relvados. O melhor Saviola é arte e inteligência em campo. Com Saviola em campo, os colegas percebem que tudo se pode tornar mais fácil, que aquele espaço entre os defesas e o guarda-redes passa a ser uma probabilidade quando muitas vezes parece uma impossibilidade. Saviola e Aimar são, por mais que custe a muitos dos teóricos do nosso futebol, os únicos futebolistas no futebol português que têm uma dimensão verdadeiramente mundial. E, para exemplo de muitos colegas de profissão que têm uma dimensão meramente mediana, demonstram publicamente uma humildade que apenas os engrandece. Saber que Saviola renovou é sinónimo de que os que são verdadeiramente grandes sabem estar ao serviço dos clubes ainda maiores. Em sentido contrário, ficamos a saber que Ruben Amorim se sente incomodado no Benfica. Não conheço os motivos que levam a que um benfiquista que tudo teve para se vir a tomar um símbolo, um capitão, uma referência, aparentemente queira sair. Ainda assim, nós, adeptos, vamos sentindo e fazendo sentir na bancada que nos identificamos com aqueles que se identificam connosco e não com os que viram as costas ao Clube. Ficam os exemplos e a certeza de que há quem saiba reconhecer o bem que tem e outros que insistem em não perceber que estão bem. Ficam os exemplos dos que ficam na memória e dos que caminham para o esquecimento.» - Pedro Ferreira, jornal O Benfica, 6 de Janeiro de 2012.

«Expectativas 2012. A grave crise económica em que o País vive mergulhado deixa muitas inquietações em relação ao futuro próximo de todos nós, e o Desporto não pode excluir-se dessa realidade. Surgiram recentemente notícias de que o FC Porto já não pagava salários nas modalidades. Se com o mal dos outros podemos nós bem (mesmo lamentando os atletas em causa), não seria uma atitude responsável ignorar que o momento actual coloca problemas com os quaís nunca havíamos lidado antes. O investimento feito pelo Benfica no seu eclectismo não tem paralelo em Portugal, é algo que nos orgulha a todos, mas devemos estar preparados para a contracção que os novos tempos necessariamente exigem - e que a meu ver irá, mais tarde ou maís cedo, redesenhar todo o modelo desportivo português, sobretudo ao nível das modalidades extra-Futebol. O grande desafio que 2012 nos coloca é pois o de sobreviver à crise, à provável ausência de patrocínios, à generalizada quebra de receitas, às dificuldades acrescidas de financiamento bancário, mantendo com isso equipas competitivas, capazes de disputar e conquistar os principais títulos nacionais, e de procurar, tanto quanto possível, alguma afirmação europeia (sobretudo nas modalidades, e nas competições, onde se achem portas entreabertas para o sucesso). A aposta nos escalões de Formação está já a ser feita, sendo a alternativa mais credível a um tempo em que as contratações milionárias e os salários generosos irão forçosamente dar lugar a um modelo mais assente no aproveitamento de jovens da casa. Como todos os clubes (queiram ou não) o terão de fazer, quem o fizer primeiro levará vantagem. Quanto a títulos, todas as nossas modalidades entram em 2012 em condições de os alcançar. Vencer dois campeonatos seria bom, três seria óptimo, mais do que isso seria histórico. No plano internacional, creio que o Hóquei, até devido às tradições do País, tem algum espaço para sonhar. Não esqueçamos também que estamos perante um ano olímpico, e que temos atletas com as medalhas em mira.» - Luis Fialho, jornal O Benfica, 6 de Janeiro de 2012.

«Prémios 2011. Prémio Cadeira de Rodas 2011 Para o autor da frase: "Ele [André Vilas-Boas] não vai sair do Porto porque aqui está na cadeira dos seus sonhos". Prémio Onde Pára a Justiça? "PJ investiga luvas de Pinto da Costa", dos jornais. "O Ministério Público deduziu acusação contra cinco jogadores do FC Porto no âmbito do famoso caso do túnel da Luz", dos jornais. "A Comissão Disciplinar da Liga instaurou um processo ao incêndio que deflagrou no topo norte do Estádio da Luz no final do derby do passado sábado", dos jornais. Prémio Fair-Play Financeiro “Afinal, a contratação do brasileiro Danilo custou 17,8 milhões de euros e não 13 milhões como se afirmava no relatório do primeiro trimestre de 2011-12"», dos jornais. "O incumprimento salarial está a gerar indignação nos balneários do FCP de Hóquei em Patins, andebol e basquetebol e há atletas que tiveram de recorrer a empréstimos de colegas de plantel!", dos jornais. Prémio A Arbitragem Portuguesa é Tão Boa Como As Melhores "No final do jogo com o Real Madrid, o treinador do Ajax, Frank de Boer, abordou logo o assunto: Os golos do Lyon foram rápidos e fáceis. Não se pode sofrer sete golos em meia hora. A UEFA deveria investigar", dos jornais. Prémio Perdeste Uma Boa Ocasião de Estar Calado Para a frase de Ruben Amorim "Fico feliz por Paulo Bento pensar de outra forma" [em relação a Jorge Jesus l. Nota: Convocado para a seleção, o jogador não aqueceu nem para o duche. Prémio Levados Ao Colo nos Jornais "Jeffren levanta voo... Izmailov volta com tudo... Izmailov, Jeffrén e Matías ganham embalagem..." [Resultado do encontro: Sporting 0, Pinhalnovense 1]. Cacha Jornalística do Ano "Jorge Jesus poderia levar para o Atlético de Madrid alguns jogadores do plantel das águias", dos jornais.» - João Paulo Guerra, jornal O Benfica, 6 de Janeiro de 2012.

«Objectivamente. De cada vez que o mercado abre agitam-se freneticamente os que vêem aqui uma boa forma de fazer algum dinheiro o que, em abono da verdade, dá sempre jeito. Pelo menos em tempo de crise tão profunda como a que vivemos. Mas nem sempre se acertam nos negócios e a ansiedade criada à volta dos jogadores e equipa técnica (e até dos adeptos) acaba por ser contraprocedente. No Glorioso há a promessa do presidente de que não há vontade de mudar o que de bom se tem feito desde o início da época E ainda bem porque as compras foram bem feitas e a melhoria que trouxeram ao plantel é evidente. Desde Artur a Garay, de Witsel a Nolito, Rodrigo, etc. evitam a necessidade urgente de comprar. Na concorrência a preocupação é grande. No FCP, o presidente já veio com a conversa do costume. Não vende ninguém e não precisa de comprar. Não troca Hulk por Cristiano Ronaldo (esqueceu-se de perguntar ao Cristiano se queria...). Mas o «contra-informação», MSTavares, já veio dizer que o discurso de PC não é verdadeiro. Tem de comprar urgentemente um avançado porque Kleber não serve (tanta guerra com o Marítimo para nada...) e Walter foi um péssimo negócio. Vai ser emprestado e pagar grande parte do ordenado. Mas o que os deve preocupar é o mau ambiente criado à volta do plantel sempre que abre mercado! Álvaro Pereira, Rolando, Cristian Rodriguez, Sapunaru, Femando, João Moutinho, Guarin, Walter e Varela (uf...) reclamam saída urgente. Fazem pressão, criam mau ambiente e já não escondem os desentendimentos com os dirigentes do clube. A começar pelo presidente que, com a sua habitual prosápia vai enganando os adeptos com conversas pouco esclarecedoras! Só acredita quem quer. Porque é urgente arranjar pelo menos 25 milhões para pôr as contas em dia. Haja algum Chelsea qualquer que ofereça este número pelo Hulk a ver se tem coragem de negar o negócio!» - João Diogo, jornal O Benfica, 6 de Janeiro de 2012.

«Maioria na SAD. 1. A questão dos clubes e das "suas" SAD's voltou à ordem do dia com a entrevista concedida pelo presidente do Sporting ao Expresso, admitindo que o seu clube possa vir a ficar com minoria na SAD, isto é, que os sócios deixem de mandar no clube, que passaria a pertencer a um qualquer investidor estrangeiro. O problema é do Sporting, mas sabe sempre bem ler ou ouvir o nosso presidente Luis Filipe Vieira afirmar à Bola: "Se o clube perde a maioria da SAD fica com quê?" Não é novidade a determinação do nosso presidente em que o Benflca se mantenha maioritário na SAD. Tem consigo, estou certo, a larguíssima maioria dos sócios. Mas para que isso continue a ser possível e não haja "tentações" de a vender a investidores estrangeiros (como parece ser o caso nos nossos rivais) é preciso manter as ontas controladas. 2. Foi noticiado há dias. Logo após a vitória na Fase de Grupos da Champions, o Benfica pagou um milhão e meio de euros de prémios a jogadores e restante estrutura da equipa, conforme fora estabelecido. A notícia deveria ser normal mas, nos tempos que correm, não deixa de ser um sinal bem positivo... 3. Com agradável regularidade, equipas nossas das várias modalidades são homenageadas no intervalo dos jogos de Futebol na Luz. Infelizmente, como continuamos (pelo menos aqueles que têm os seus Red Pass no piso 0 da bancada Meo) a não conseguir perceber nada do que é dito pela instalação sonora e essa falha de há alguns anos não será resolvida tão cedo, sugiro que as informações relativas às equipas homenageadas e aos troféus conquistados passem a ser dadas através dos paineis electrónicos, para que aplaudamos os nossos campeões. 4. O presidente do FC Porto, Pinto da Costa, recebeu no Dubai um prémio pela sua carreira de dirigente. Conheço vários prémios deste tipo, dedicados a atletas, cujos regulamentos impedem que sejam atribuídos a quem tenha sido, ao longo da carreira, apanhado nas malhas do doping. É lamentável que um prémio seja entregue a um dirigente já condenado (na justiça desportiva) por tentativa de corrupção de árbitros. Para já não falar em todo um comportamento bem anti-desportivo ao longo de décadas...» - Arons de Carvalho, jornal O Benfica, 6 de Janeiro de 2012.

«O espetáculo dos golos. O equilíbrio que Jorge Jesus conseguiu dar à equipa do Benfica este ano é um dos pontos em destaque na carreira dos encarnados. O conjunto da Luz é, agora, mais prático do que nas últimas duas épocas, sobretudo naquela que acabou com a conquista do título. Não faz das goleadas um objetivo, e, apesar de ter alguns futebolistas que não sabem o que é jogar mal, passou a ter como única prioridade as vitórias. E perdeu alguma coisa com este pragmatismo? Talvez a formação da Luz não convença tanto os adeptos do clube e, certamente, não se pode falar de um estilo de jogo brilhante e continuo. Mas é, nesta altura, a única formação portuguesa que fez golos em todos os jogos. Haverá melhor espetáculo?» - Vanda Cipriano, jornla Record, 6 de Janeiro de 2012.

«Balanço para a Marinha Grande. Em Guimarães, na terça-feira, o que mais me agradou foi o respeito que Jorge Jesus mostrou pela competição. Aquela equipa inicial, recheada dos melhores jogadores foi importante por três razões: primeiro porque permitiu ganhar um jogo decisivo para o apuramento, num grupo muito forte com V. Guimarães e Marítimo. Segundo porque deu um sinal claro que a Taça da Liga é troféu para tentar ganhar, o que sendo a terceira prova mais importante do calendário nacional é bom. Por fim porque permitiu dar minutos, ritmo e competição a jogadores que estavam sem jogos há 18 dias e têm que ganhar domingo na Marinha Grande. Cardozo mostrou porque está na história do Benfica, golos e pormenores de muito nível auguram uma segunda metade da época em grande estilo. Com uma primeira parte algo perra e uma segunda de nível, o Benfica ganhou balanço e moral para as dificuldades (muitas) de domingo. Em semana de Sporting-FC Porto só uma vitória ao Leiria pode fazer deste um bom fim-de-semana para o Benfica. O presidente portista deu uma boa entrevista esta semana na SIC, não seria justo se não o reconhecesse. No entanto, há uma diferença na forma como veio tentar angariar apoio dos adeptos para o treinador: normalmente o presidente portista respondia com uma renovação de contrato às críticas dos mais exigentes sócios, desta vez ficou-se pelo elogio e pela constatação dos méritos que Vítor Pereira tem. Pinto da Costa foi líder forte em socorro de treinador fragilizado. Gostava de pegar numa ideia referida nessa entrevista e que também defendo: não compreendo como jogadores que ganham bem aceitam sair de clubes como o Benfica ou o FC Porto para irem lutar pela segunda metade da tabela classificativa noutras ligas. O jogador verdadeiramente campeão quer títulos, não quer apenas dinheiro. Embora no caso do Falcao, o FC Porto, quando o contratou, já sabia que ele só queria dinheiro... Nota: Silvio Cervan opta por escrever as suas crónicas na ortografia antiga.» - Silvio Cervan, jornal A Bola, 6 de Janeiro de 2012.

«Sim, é a 10.ª jornada, mas... Amanhã, em Alvalade, o clássico que oporá leões a dragões tem a importância de uma final. Pelo menos, para a equipa da casa. Esta afirmaçâo é, provavelmente, arrojada, uma vez que, quando Pedro Proença apitar para o fim do duelo haverá ainda em disputa, na Liga Zon-Sagres, 48 pontos. Porém, no atual contexto, uma derrota do Sporting significará um adeus anunciado não só ao título, mas também, creio, à entrada imediata na Liga dos Campeões. Pelo que foi possível ver na primeira volta, Benfica e FC Porto têm andado desesperadamente à caça ao ponto e têm sabido amealhar o que amanhã lhes será precioso. Ao invés, os leões - equipa em construção e arbitragens agrestes... - deixaram fugir, de início, a concorrência direta que dista já seis pontos. Assim sendo, ao mesmo tempo que reforça o plantel e vê de sorriso aberto o regresso ao ativo de lesionados excelentíssimos, o Sporting não pode atrasar-se mais. Ou seja, um empate com os campeões nacionais será para os leões um mal menor, enquanto uma derrota deixará a equipa verde e branca... longe de mais. Falta a terceira hipótese, a vitória. Pois é. A última vez que os dragões perderam para a Liga ainda eram treinados por Jesualdo Ferreira, jogava-se a 21.ª jornada de 2009/10, já lá vão 52 jogos e quase dois anos. E onde aconteceu esse percalço? Em Alvalade, onde os leões então treinados por Carlos Carvalhal fizeram das fraquezas, força e varreram os dragões do mapa. Amanhã, contra uma equipa do FCPorto que pede meças à do último ano de Jesualdo, um muito melhor Sporting (jogadores, organização e sobretudo ambiente social) vai ter uma palavra a dizer. E do que disser se saberá se teremos protagonista ou espetador, no que às contas do título diz respeito...» - José Manuel Delgado, jornal A Bola, 6 de Janeiro de 2011.

«Rabanadas azedas. De nada lhe vale o título de melhor guarda-redes de 2011 atribuído pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol para remissão da afronta a José Mourinho. Iker Casillas é a imagem perfeita do profissional que deveria apenas preocupar-se em defender a baliza, e menos em falar. E esta não é a primeira vez que o guarda-redes espanhol denota distanciamento do seu líder, o que, no seu papel de capitão de equipa, ainda agrava mais as suas intenções de passar as férias de Natal a descansar, estar com a família, comer e pensar noutras coisas. Para além de muito pouco zeloso com as suas obrigações milionárias, Casillas sacode a água do capote das acusações de José Mourinho, que apontou alguns jogadores por não pararem de comer e beber e chegarem ao Real Madrid um pouco... diferentes. A liberdade de expressão num grupo forte e coeso obriga a uma honestidade contida e privada. Logo, a contestação ao seu líder, em público, fora destes preceitos soa a provocação. Depois dos abraços e dos votos de felicidade a alguns jogadores do Barcelona, antes de um dos clássicos, este braço-de-ferro, ou muito me engano, ou levará Florentino Pérez a desembolsar na próxima época na contratação de um guarda-redes que dispute o lugar com o, por ora, titular do Real e da seleção espanhola. Esta polémica em torno da paragem para as Festas recoloca em equação esta medida. No Sul da Europa, onde as condições meteorológicas estão longe de atormentar relvados e afastar público das bancadas, "apenas" desperdiça uma oportunidade de privilégio de acolher mais público jovem - de férias escolares -, catapultando receitas provocadas pela euforia que as estrelas provocam junto desta faixa etária. Não admira que o primeiro treino do Porto, após as tais férias, tenha registado uma assistência de 11 mil adeptos, maioritariamente adolescentes, ávidos de um autógrafo e induzidos em consumir "merchandising" do clube. Sem esquecer a diáspora, que se desloca também em número considerável ao nosso país, e o quanto eles adoram os seus ídolos futebolísticos. Contra o argumento do número considerável de jogadores brasileiros a atuar em Portugal, contraponho com o mesmo fenómeno, noutras latitudes, onde os oriundos de Vera Cruz comem e calam. Ou seja, jogam e celebram o Natal como a profissão lhes permite. Este oficio que exercem num regime de exceção, de prerrogativas várias, não obsta a que no futuro possam partilhar a mesa de Consoada com os seus entes queridos, devorando rabanadas ao sol. A paragem do quadro competitivo é claramente prejudicial para a competição, para os adeptos - a quem ninguém questionou se a desejavam - e para o negócio. Se as receitas escasseiam, fechar os estádios durante três semanas agravam as depauperadas contas. Por muito que os clubes se mostrem exemplares ao longo do ano, nem o Menino Jesus nem o Pai Natal lhes oferecerão a tão desejada prenda. Um saco carregado de euros.» - Jorge Gabriel, jornal Record, 6 de Janeiro de 2012.

«Paz podre. Numa entrevista desta semana à SIC Notícias, Pinto da Costa fez um comovente choradinho: o aumento do IVA sobre os bilhetes de os jogos e o facto dos salários e seguros dos atletas da seleção serem pagos pelos clubes. "É sempre a malhar nos clubes. Sou contra o aumento do IVA, do qual apenas resultará uma contração da economia e, a médio prazo, por esta razão, uma redução das receitas fiscais. Mas o aumento para 23% foi travado nos espetáculos culturais.” A razão era simples: dele resultaria a falência imediata de quase todos os agentes, que já estão no osso. A exceção para a cultura resultava da impossibilidade de aplicar este aumento. Não têm por onde cortar. Basta olhar para orçamentos dos clubes para perceber que isso não acontece com o futebol. Segunda razão: considera-se, e bem, que sem cultura um país não existe. Mesmo sendo um amante do futebol, seria incapaz de fazer a mesma afirmação em relação a ele. Quanto ao segundo choradinho, parece-me que nem merece grande debate. As competições internacionais em que a Seleção participa valorizam um ativo. E são os clubes, e não a FPF, que irão receber os dividendos dessa valorização. Querem dividir os ganhos ou apenas os custos? Depois do número do Calimero, gostei de ver Pinto da Costa a pedir paz e união entre os clubes profissionais. Sim, é verdade que todos ficariam a ganhar se o clubismo não infetasse as relações institucionais. Mas para isso teria sido necessário que o FCP tivesse percebido que o seu sucesso só seria sustentável se não se fizesse às custas da credibilidade do futebol nacional. Quando Pinto da Costa deixar de ser visto como um modelo para dirigentes, talvez seja possível que o chico-espertismo seja derrotado pelo rigor. Aí sim, poderá haver união. Sem a paz podre que deseja.» - Daniel Oliveira, jornal Record, 6 de Janeiro de 2012.

«Nova ortografia de português, resultante de dito acordo. Estou no lote dos (muitíssimos) em total desacordo. E aqui o expresso, embora com institucional obrigação de cumprir, nas páginas de A Bola, aberrante lei (Vítor Serpa disse tudo no editorial 'O (des)acordo ortográfico'). Em Alvalade, neste sábado, estarão cerca de 50 mil espetadores. Puxa, coitadinhas das bancadas, como aguentarão ser tão espetadas?!» - Santos Neves, jornal A Bola, 5 de Janeiro de 2012.

«Jesus e o folclore. Salvo honrosas exceções, os políticos aparecem no futebol com "sentido de oportunidade muito similar àquele que Cardozo evidenciou em Guimarães. Há quem chame oportunismo a essa pontuação política e por isso, são legítimas as preocupações de Jorge Jesus quando dá a entender que - nas transições rápidas para o futebol - é preciso ter muito cuidado com quem já afundou o país. Concordantes neste ponto, e com a autoridade de quem lutou durante anos a fio pela consagração do "jogador português", considero muito positivo o contributo que uma Comissão criada pelo Governo está a dar na tentativa da proteção do "jogador português", cada vez mais confrontado com a inevitabilidade de emigrar, não apenas por questão financeiras "tout court", mas também por questões de afirmação desportiva. Esta polémica em redor do "jogador português" face ao "jogador estrangeiro" tem barbas. Muitos se esquecem que antes da produção de efeitos resultantes da aplicação do acordão Bosman já esta discussão tinha lugar em Portugal, fustigado pela entrada desregulada de jogadores brasileiros, de primeira, segunda, terceira e quarta categorias. A desconsideração europeia que nutrem pelo nosso país, em razão das nossas fragilidades, só pode ser a razão pela qual ainda não foi suscitado qualquer reparo a sério ao estatuto de privilégio que Portugal goza em relação ao Brasil e que se reflete,visivelmente, no futebol. E uma concorrência desleal, que não faz nenhum sentido nos dias de hoje. Não ter jogadores portugueses nas equipas principais, como acontece no Benfica e no FC Porto, e em muitos outros emblemas cá da paróquia, não é uma inevitabilidade. É uma opção muito clara. O problema é outro. Já se viu que o "jogador português", integrado em regimes de trabalho exigentes, joga e rende. Ninguém tem dúvidas, hoje, da sua qualidade. Se se pensar nos motivos através dos quais os clubes portugueses contraíram passivos na ordem das centenas de milhões de euros, nalguns casos com resultados desportivos, talvez se possa concluir que houve dinheiro muito mal gasto em contrataçôes. O "jogador português", se for bem pago em Portugal - e é possível já se viu, pagar muito bons contratos no futebol português, a futebolistas e a treinadores - não quer jogar no estrangeiro. A menos, que sejam oportunidades de topo. É, pois, uma questão de mentalidade. E é, também, um problema de atitude. Foram muitos anos de facilitismo, contrários às boas dinâmicas de trabalho e profissionalismo. E são muitos anos de corporativismo, a partir do qual o futebol tem muita dificuldade em refletir sobre os seus problemas (colocando-se à mercê de uma certa demagogia política, que ladra mas não morde). Finalmente, a questão mais controversa é dificil: Portugal é um paraíso para os comissionistas. E enquanto for um paraíso para os comissionistas e para parceiros privilegiados, cujas operações financeiras não são fiscalizadas, temo muito que as portas continuem fechadas para os jogadores portugueses. O resto é folclore.» - Rui Santos, jornal Record, 5 de Janeiro de 2012.

Cartoon de Ricardo Galvão [Abrir] - Jornal A Bola, 5 de Janeiro de 2012.

«Fosse eu do Vitória de Guimarães, e amor pela cidade não me falta, e também seria bem capaz de defender veementemente a causa da expulsão do benfiquista Javi García, neste último jogo entre os dois emblemas, a contar para a Taça da Liga, mesmo tendo de admitir que a queda de N'Diaye demorou um bocadinho de tempo a mais do que devia em função do momento da reclamada agressão. A expulsão de Javi García, à partida, seria uma boa coisa para o Vitória de Guimarães, a perder por 0-1 e com muito, muito tempo ainda para jogar. Se eu fosse do Vitória de Guimarães teria pensado assim, com certeza, e com toda a legitimidade própria de um adepto que se preze. Há sempre exageros no raciocinar dos adeptos. E não só dos adeptos. Os comentadores da SIC que transmitiram o jogo não tiveram a menor dúvida que de que Javi devia ter sido expulso e não são do Vitória de Guimarães, presumivelmente. Os comentadores da SIC também não tiveram dúvida nenhuma em que Maxi Pereira tinha carregado Toscano dentro da área do Benfica e só mudaram de opinião ao intervalo. Na verdade, houve falta, sim senhores, mas foi fora da área, o que é uma coisa completamente diferente. E corrigiram a sua opinião os comentadores da SIC, estação que abriu o ano com uma grande entrevista a Pinto da Costa. E a entrevista foi ontem mesmo para o ar, 24 horas depois do Vitória de Guimarães-Benfica, 24 horas depois dos comentadores da SIC, à 16.ª repetição, terem finalmente concordado que não era lance para grande penalidade visto que a falta, que existiu, foi cometida fora da área. Depois houve aquela grande penalidade que ficou por assinalar contra o Vitória, aos 58 minutos quando N'Daye derrubou Nolito dentro da área dos donos da casa. Se eu fosse do Vitória de Guimarães teria reagido como os comentadores da SIC. Pronto, foi penalty, mas não se fala mais nisso.» - Leonor Pinhão, jornal A Bola, 5 de Janeiro de 2012.

«“A maior parte das pessoas que o criticam não têm o mínimo conhecimento de futebol para criticar o Vítor Pereira ou seja quem for. São críticas ridículas.”

“[Alguns adeptos] que não têm conhecimento do seu trabalho funcionam só pelos resultados - quando são bons o treinador é bom, quando são maus o treinador é mau. Estas críticas, que acho perfeitamente legítimas, não alteram em nada as minhas decisões” – Pinto da Costa, entrevista À SIC.

Eu critico. Sou dos adeptos, afinal, sem legitimidade para criticar. É o que se percebe das declarações de Pinto da Costa, presidente do FCPorto, em entrevista à SIC. E escusam de ter grande esperança de que as suas críticas levem a algum lado - não influenciam nem presidente nem treinador... Vítor Pereira, há meio ano na cadeira de sonho de Villas Boas, já passou por muito e já teve mais de meio mundo a cair-lhe em cima. Pinto da Costa, e bem (afinal, estamos a falar de um treinador que ainda não perdeu qualquer jogo na Liga e que vai à frente do campeonato), fez-se de surdo e seguiu como se nada se passasse. Foram ridículas algumas das críticas? Foram, claro. Cheguei a ouvir (não a ler, pelo menos não me lembro de ver isso nalgum jornal) que Vítor Pereira deveria ter mais cuidado a vestir-se, porque aquela coisa de fato, camisa e gravata azul era de um mau gosto tremendo... Enfim, houve críticas ridículas, claro, embora muitas delas com base nos resultados. Se tiverem sido adeptos a fazê-las, tudo bem, caso contrário, que atrevimento! Por exemplo, os resultados do FC Porto com o Apoel foram ridículos, tenham sido ou não (e foram!) culpa de Vítor Pereira. Pinto da Costa está no direito de ignorar quem diz mal do seu treinador, e parece ter acertado, porque a equipa está realmente a melhorar. Mas é uma política perigosa - quem não sabe ouvir acaba muitas vezes a falar sozinho...» - Hugo Vasconcelos, jornal A Bola, 5 de Janeiro de 2012.

«Pontapé-de-saída ortográfico (lI). Pelo Acordo, a história dos hífenes é, no mínimo, confusa. Ao que julgo, o nome desta coluna terá de mudar de grafia, deixando cair os afectuosos hífenes: pontapé de saída. O fim de semana, sem os ditos sinais, transforma em união de facto o casamento entre sábado e domingo. Na linguagem futebolística, e lendo o douto Acordo, ainda estou para perceber se os hífenes caem ou subsistem no avançado-centro, ponta-de-lança, guarda-redes, médio-ala, lateral-direito, defesa-central, médio-centro, fato-de-treino, etc. Quanto ao fora-de-jogo, a eliminação dos tracínhos pôr-me-á em igualdade com os jogadores. É que, em certas circunstâncias, tanto eles a jogar, como eu a ver o jogo estamos fora de jogo. Imagino a confusão entre os espetadores que vão ao estádio e os espetadores onde, à volta do estádio, se assam os coiratos. Felizmente o adepto vai continuar a sê-lo por força de um p bem sonoro. Mas já o jogador do Eléctrico de Ponte de Sor vai mais leve para o campo sem o c nas costas. Ainda não falei do velhinho acento circunflexo reduzido pelo AO a uma insignificância. Definitivamente confirma-se a sua dispensa quando eu abotoo a bota, coroo quem nos dá titulos, enjoo com os truques de certos Jogadores, roo as unhas em certos jogos, moo o Juízo depois de uma derrota, ou abençoo a sorte que por vezes é preciso ter. Felizmente a vida não para para (entenda- se: pára para) carpir os desaires do meu clube e nem me pelo pelo pelo (entenda-se nem me pélo pelo pêlo) dos rivais. Volto às consoantes mudas: ‘Otávios, Otávias e Otavinos de todo o Portugal, uni-vos contra a supressão do c'. Ah! la-me esquecendo. Esta crónica foi escrita em Janeiro e não janeiro como nos querem obrigar.» - Bagão Félix, jornal A Bola, 5 de Janeiro de 2012.

«O regresso de miniférias... Pertinente, e já velha, dúvida: a meio da temporada, miniférias de futebolistas, significando duas semanas sem competição, fazem bem ou fazem mal às equipas? Resposta incerta, pois, época após época, verifica-se que dá para tudo... sempre há equipas que recuperam fôlego e outras que quebram ímpeto. O que se ganha em repouso e tonificação psicológica (sobretudo para quem estava pior no momento da paragem) pode ser perdido em falhas de ritmo competitivo (houve anos em que o FC Porto foi exemplo de topo quanto a fortes derrapagens em Janeiro). Agora, vimos flagrante ausência de sequer razoável ritmo no Sporting da primeira parte em Vila do Conde. Idem, aspas, para o Benfica em Guimarães. Em ambos, demasiados jogadores entorpecidos, movimentos muito presos, necessitando de tempo/aquecimento para se irem soltando. Porque o objetivo indiscutivelmente dominante está no campeonato, foi-lhes benéfico este regresso de miniférias ser feito por via da Taça da Liga e com despiques não a eliminar e dos quais está afastado o desgaste extra de prolongamento. Apetece dizer que Sporting e Benfica precisaram mesmo da Taça da Liga para lubrificação da sua pedalada a escassos dias de regressarem à grande corrida pelo título nacional: Benfica em Leiria e... Sporting-FC Porto. Já no próximo sábado, veremos se o FCPorto fez bem, ou mal, em ter antecipado para antes do Natal o jogo da Taça da Liga em Paços de Ferreira. O regresso portista à competição faz-se diretamente pelo grande confronto de Alvalade. Mais tempo, e absoluta concentração, a prepará-lo...Versus potencial risco de quebra no ritmo competitivo.» - Santos Neves, jornal A Bola, 4 de Janeiro de 2012.

«Em Portugal há dificuldade de angariar receitas, pelo que não sei até que ponto podíamos jogar naqueles períodos em que as famílias estão mais presentes, como é o caso do Natal. É certo que a paragem tira competitividade, mas foi muito importante para nós porque começámos a época muito mais cedo, devido às eliminatórias da Champions League, e estes dias permitiram-nos recuperar alguns elementos, nomeadamente o Maxi. De qualquer modo, sinto que é preciso defender o nosso futebol. Isso passa por aumentar os clubes do campeonato e avançar com as equipas B, aqui talvez sem possibilidade de utilizar estrangeiros. A UEFA sabe que a nossa opinião é determinante na estruturação do futebol, mas deixo aqui uma pergunta. Em Portugal ouvem os treinadores?» - Jorge Jesus na Conferência de Imprensa após o Vitória de Guimarães - Benfica, citado pelo jornal Record em 4 de Janeiro de 2012.

«Real politik. Ficou célebre o comentário do professor universitário sobre a tese do aluno. Esclareceu o docente que a tese continha ideias boas e ideias originais - pena que as boas não fossem originais e que as originais não fossem boas... E deste episódio lapidar que me recordo sempre que assisto ao triste espectáculo das fúrias legislativas, de febres que atacam homens de bem que se transformam rapidamente em pistoleiros normativos, capazes de disparar em todas as direções. Estudam pouco e sabem menos, conseguindo aquele extraordinário tempero português que é colocar académicos e teóricos de um lado e agentes e técnicos do outro, como se não fossem todos indispensáveis. Depois, quando é preciso um álibi final, nomeia-se um grupo de trabalho que se limita a repetir os desejos do poder ou que tem o seu trabalho condenado ao lixo. Infelizmente, esta epidemia ameaça chegar ao mundo do futebol. Soubemo-lo através de Jorge Jesus, que veio trazer a público um estudo ou uma proposta ou uma ideia ou lá o que é, com o objetivo de valorizar o jogador português. Tenho como bom o conceito de que o campeonato nacional só é competitivo, respeitado e suscetível de atenção externa por causa das mais-valias interacionais que por aí andam e às quais se juntam os talentos portugueses, multas vezes ávidos de emigrar, não para clubes de primeira linha mas para ordenados com que dificilmente podem sonhar (em média) por cá. Haverá certamente formas de regulamentar a utilização dos homens da casa. Mas querer restringir a contratação de estrangeiros aos atletas internacionais parece apenas um assomo de arrogância, demonstrativo de que as palavras austeridade e contenção aínda nos não são familiares e capaz de confundir a nossa capacidade de contratação com a dos ingleses, o que é um desvario. Jorge Jesus teve o cuidado de dizer que, por cá, somos também formadores de jogadores estrangeiros. Os exemplos a favor deste argumento são muitos. Mas basta pensar em Hulk, que só chega a internacional brasileiro graças ao crescimento e à exposição no FCPorto. Luisão e David Luiz são contabilidade positiva para o Benfica. Van Wolfswinkel precisou do Sporting para aparecer nas cogitações dos responsáveis holandeses para o Euro que aí vem. Mais: alguém duvida que gente como Belluschi, Javi Garcia, Nolito, Insua, Rinaudo traz mais perfume e mais combatividade ao futebol nacional? Acredito muito mais no bom senso - e, já agora, na negativa ao alarmismo que faz do jogador português uma espécie em extinção, algo que é desmentido pelo bom comportamento das selecções – do que na regulamentação por iluminados. Espero que o tempo do "orgulhosamente sós" tenha passado de vez. E desejo que outras vozes se juntem à de Jorge Jesus, antes que se mate a galinha dos ovos de ouro.» - João Gobern, jornal Record, 4 de Janeiro de 2012.

«Pontapé-de-saída ortográfico I. Felizmente o corrector ortográfico do meu PC não muda automaticamente corrector para corretor. É que nesta coluna escrevo sobre variados assuntos, mas jamais sobre um corretor de seguros ou da Bolsa. Felizmente também esta minha coluna não é uma acta, porque pelo Acordo Ortográfico (AO) seria uma ata que nem ata nem desata. Felizmente que não sou egípcio porque deixaria de entender este gentil associado a um Egipto decepado do p e transformado em Egito. Felizmente - e embora adore botânica - que nestas minhas crónicas não cato um único cato, pois esta espécie vegetal tem agora a opção de se divorciar de um segundo e intermédio c. O Director deste jornal, além de ser Vítor (há muito já em plena conformidade com o AO), vai agora dirigi-lo como diretor amputado do C, o que espero não diminua a qualidade desta "biblia" desportiva (com perdão para o uso abusivo de bíblia, eu que sou baptizado ainda com um p e nada tenho de antirreligioso, como agora querem que escrevamos). Assino por baixo o seu último editorial de 2011,"O (des)acordo ortográfico". Esta submissão forçada às maiorias populacionais (e interesses mercantis) fere a natural compreensão e evolução de uma língua viva, que, aliás, vive da diversidade e não da "unidade". Não é assim com o inglês britânico e o escrito nos Estados Unidos, ou com diferentes expressões orais e de grafia do francês ou do castelhano? Usando uma palavra já ao sabor do AO, continuo a pensar que tudo isto é um contrassenso(!)... Fico grato ao jornal A Bola e ao seu director pela liberdade (de resistência) que me proporciona como seu colunista. Pela minha parte, e enquanto puder, farei uso dessa abertura e opção. Volto ao assunto amanhã.» - Bagão Félix, jornal A Bola, 4 de Janeiro de 2011.

«Demagogia à portuguesa. Jorge Jesus voltou ontem a atirar-se à classe política, e se da primelra vez tinha razão, ontem teve ainda mais. O futebol português tem estrangeiros a mais mas a solução para proteger o jogador português não passa por uma discriminação num mercado aberto e liberal como é o futebolístico. Nos últimos anos, Benfica, FC Porto e Sporting foram a montra para alguns negócios milionários como David Luiz, Fábio Coentrão, Lucho, Lisandro, Nani, etc., etc. O que interessa é trabalhar melhor a formação e não diminuir o nível das equipas portuguesas que se batem heroicamente na Europa. Tudo o resto são discursos demagogos de quem quer pôr o futebol português no mesmo lugar do país, ou seja, na cauda da Europa.» - João Rui Rodrigues, jornal Record, 3 de Janeiro de 2012.

«Os protetores. Uma manobra clássica dos ciclos políticos é a incursão legislativa nos meandros do futebol profissional, confundido com desporto apesar de há um século a canibalizar recursos e paixões dos portugueses pela coisa desportiva. Desde meados dos anos 80, embora sem nunca justificar um ministério, o frenesi partidário produziu contraditórias Leis de Base, interferiu no livre associativismo e, certamente pelas piores razões, nunca atinou com um rumo estável que permitisse o crescimento concertado da atividade, nem um paradigma de educação pelo desporto, ao contrário dos parceiros europeus. Ainda agora terminou, com as sofridas eleições da FPF, o enquadramento à última lei orientadora, com impacto negativo em praticamente todas as outras federações que a ela só se sujeitaram pela dependência extrema das migalhas do OE, e já os novos governantes saem a terreiro com, não um, não dois, mas três estudos de mudanças estruturais, escorados na ambição partidária de realizar "obra". Pela mediatização e pelo interesse público as recomendações dos "grupos de trabalho" assestaram pontaria a temas fervilhantes e tão conclusivos como o sexo dos anjos. A profissionalização dos árbitros (de futebol, mas por que não dos outros?) é a senha de entrada no clube restrito dos que sempre dão mais um nó nos emaranhados regulamentares para assegurarem que tudo fica como acham que deve estar, sob controlo deles. Regimes fiscais e de segurança social de exceção, totonegócio, sociedades anónimas para disfarçar as falências, por um lado, condicionamento dos arquétipos competitivos e do estatuto dos atletas, por outro, praticamente todos os modelos foram alvo de investidas de políticos espertos, incluindo no domínio da segurança e da indústria do espetáculo. Não raro, o rótulo de legislação "mais avançada" da Europa surgia no rodapé propagandistico das inovações, o que torna tudo mais dificil de entender quando, nos balanços, acabam por chegar sempre à conclusão de que as coisas ficam piores do que estavam. E neste ponto que nos encontramos, no dealbar de mais uma transição rápida, agora pelo flanco da direita liberal através da alienação das sociedades desportivas, populista pela profissionalização dos árbitros e com laivos de nacionalismo contra o "excesso de estrangeiros". Para o quadro ser completo só faltaram um grupo de trabalho pela introdução das "novas" tecnologias da bola e outro pelo reconhecimento e legalização das apostas online. Assustador é que, desta vez, surgem associados ao poder político os novos dirigentes do futebol, entusiasmados com a vontade de aumentar os campeonatos com mais emblemas falidos, porque acham que há muitos fins-de-semana sem futebol, e gulosos pela visão quimérica de inesgotáveis dinheiros da televisão. Sempre com um protecionismo benigno em pano de fundo, que teria, como derradeiro objetivo, a felicidade coletiva em torno de uma atividade transparente, equilibrada e justa, mas também promessa de uma seleção nacional melhor do que a melhor da história. Política sem vergonha.» - João Querido Manha, jornal Record, 3 de Dezembro de 2012.

«Futebol marcante... O futebol voltou a liderar de forma clara e inequívoca as audiências televisivas em 2011. Os dez programas mais vistos foram jogos de futebol, 4 na RTP e 6 na SIC. A seleção nacional é a grande responsável pelos resultados alcançados para a RTP1. Merece destaque a mais jovem competição profissional, Taça da Liga - Bwin Cup, pois consegue alcançar a 3.ª posição com um Benfica-Sporting no início de Março com perto de 2,2 milhões de telespetadores. Uma vez mais fica demonstrada a importância do futebol para a televisão e também das televisões para o futebol. Sendo uma das principais fontes de receita para o negócio do futebol, as televisões vão ter permanentemente de inovar e evoluir nas transmissões assim como o futebol vai ter necessariamente de continuar a valorização e credibilização daquele que considero o melhor espetáculo do mundo. O futebol também anima a economia de forma direta e indireta. O estarmos bem colocados no ranking da UEFA e FIFA faz de Portugal um país com muito maior visibilidade. Outras ligas de países mais ricos e mais poderosos cobiçam permanentemente os nossos jogadores. Ainda agora, no Dubai, foram destacados três portugueses, Cristiano Ronaldo, Jorge Nuno Pinto da Costa e Jorge Mendes, mais um exemplo da pujança do futebol português, quer a nível de clubes bem como a nível de seleções. Para 2012 vai ser muito importante o trabalho de Paulo Bento que deu em A Bola uma excelente entrevista no dia 31 de dezembro ao suceder a José Mourinho como o Homem do Ano. Paulo Bento poderá contribuir decisivamente para minorar a depressão e tristeza coletiva neste país fantástico que necessita de esperança e confiança.» - Hermínio Loureiro, jornal A Bola, 3 de Janeiro de 2012.

«Prisão sem cartão. Sinto-me naturalmente feliz por ser de A Bola desde Outubro de 1954, isto é, há já mais de 57 anos. E uma das mais fortes razões da minha felicidade reside no facto de, quer ainda como colaborador (de 1954 a 1962), quer já como redactor (de 1962 a 1996), quer mesmo agora como colunista (desde que me aposentei, em Dezembro de 1996), sempre ter sentido existir nesta histórica casa profundo respeito pelas responsabilidades contraídas e, ao mesmo tempo, um conceito de liberdade também levado até ao limite do possível. Voltei a ver ambas as coisas confirmadas, sábado passado, no Editorial do Director, Vítor Serpa, sobre «O (des)acordo ortográfico» da língua portuguesa. Brilhante. E, para quem não o leu, passo a transcrever a sua parte final, que deixa bem clara decisão correctíssima. Apesar da divergência, profunda e irremediável, A Bola adere, agora, ao acordo, porque a língua portuguesa começou, este ano, a ser ensinada segundo a nova ortografia. No entanto, damos liberdade a todos os nossos colunistas para - se assim o entenderem - continuarem a escrever segundo a ortografia antiga, o que será devidamente assinalado». Obviamente, agradeço e sigo a saudável liberdade que, mais uma vez, A BOLA me concede. E digo que acho muito estranho, se não mesmo inaceitável, o ocorrido na Holanda com o guarda-redes do AZ Alkmaar (Esteban Alvarado) expulso em jogo com o Ajax por agredir um espectador que invadiu o campo e para ele correu de forma agressiva, até ser derrubado, detido e, agora, punido em tribunal com quatro meses de prisão efetiva e mais dois meses de pena suspensa. Castigo exemplar para o energúmeno. Muito bem. Assim devia ser sempre, acontecesse onde acontecesse. Só que a Federação holandesa decidiu anular o cartão vermelho exibido pelo árbitro ao jogador, argumentando que ele apenas agira para se defender. E não é verdade. A TV mostrou, claramente, que o guarda-redes não se limitou a defender-se (o que seria legítimo), derrubou o invasor do campo e, como ele já caído, pontapeou-o várias vezes. Portanto, agressão pura, que as Leis do Jogo mandam punir com expulsão imediata (como foi o caso), seja quem for o agredido. Mas até houve, elogio governamental para o treinador do AZ Alkmaar (que mandou a sua equipa abandonar o campo logo que se deu a expulsão) e o árbitro viu-se desautorizado, apesar de dizer (com verdade) que o guarda-redes não se limitara a defender-se. Enfim, manda quem pode... PS – A Bola fez justiça a Paulo Bento, considerando-o «Homem do Ano». E a sua bela entrevista, feita por Carlos Rias e José Manuel Freitas, confirmou grande formação de homem. Nota: Cruz dos Santos opta por escrever as suas crónicas na ortografia antiga.» - Cruz dos Santos, jornal A Bola, 3 de Janeiro de 2012.

«Fase de esperança. A época festiva que envolve o Natal e a chegada de um novo ano é uma das minhas preferidas. Nesta altura, os encontros familiares, apesar de frequentes ao longo do ano, têm sempre um sabor especial. O frio do inverno e a magia das luzes ajudam a renovar esperanças, a esquecer os maus momentos e a abrir as portas a novos sonhos e ambições. Este é um sentimento que se estende igualmente ao futebol em que os adeptos renovam as suas crenças, acreditando na chegada de um ciclo de grandiosas vitórias dos seus clubes nos tempos vindouros. É certo que vivemos num período de maior contenção, mas com mais ou menos luzes, com brilhos e desenhos diferentes, nada apaga a história de um menino (Jesus) que trouxe uma mensagem de esperança ao Mundo. Esse ensinamento é transportar para todos os momentos da nossa vida quer se esteja a falar de uma ida ao circo, de um simples passear pela Baixa da cidade ou até das compras de Natal, hoje mais simbólicas do que em outras alturas. O comum adepto da bola também enche o seu peito de expectativas. Uma questão de orgulho para uns, um sinal de crença para outros. A chegada de novos craques, por exemplo, é uma das questões que mais lhes paira pela cabeça. Pelos lados da Luz, a contratação de um lateral-esquerdo é uma matéria prioritária, enquanto que os vizinhos de Alvalade se focam mais numa solução de qualidade para o centro da defesa. Por sua vez, na Invicta todos aguardam pelo desejado avançado, um digno sucessor de Falcão. Mas é também nesta altura que se percebe que essas são preocupações menores. Para além da azáfama do nosso quotidiano há pequenas coisas que nos fazem revigorar no interior e que devem ser apreciadas com o devido valor. Sabe bem descansar junto da lareira a ler um livro, ver um filme que estreia na televisão ou ir ao cinema com os mais novos para assistir a uma animação. Até um telefonema ou uma mensagem de um amigo pode ter uma importância especial e característica. A época de festas tem muito mais coisas para as quais só nesta altura temos tempo de as considerar. São os presépios espalhados por todas as lojas, igrejas e habitações. São as cores que brilham nas árvores de Natal, sejam elas verdes, vermelhas ou azuis. São os apelos à solidariedade, porque nem toda a gente pode, pela condição económica em que se encontra,vivenciar estes tempos de forma tão relaxada, despreocupada ou feliz. Voltando ao futebol nacional, é inevitável e imperativo que o materialismo lhe deixe de estar associado. Os clubes portugueses não têm capacidade financeira para se meterem em aventuras despesistas. Os exageros podem tomar-se feridas difíceis de estancar. A formação de jovens talentos, sobretudo nacionais, terá de ser o caminho seguido por grandes e pequenos. E a felicidade dos adeptos também! E pode ser conseguida por esta via. É só ver o exemplo de uma equipa chamada Barcelona. Um campeão do Mundo que tem um plantel composto, em mais de 60%, por jogadores do seu país. Agora que entramos em 2012, o meu maior desejo é que possamos enaltecer a nossa atenção para coisas que por vezes parecem insignificantes, mas que nos fazem mais felizes. E tal como um adepto, acreditar que o dia de amanhã será sempre melhor.» - António Oliveira, jornal Record, 2 de Janeiro de 2012.

«Futebol não está acima de alguém, e é bom que assim seja! E parcialmente verídico: das maiores dificuldades ressalta estímulo/exigência para grande oportunidade de corrigir erros e dar pulo em frente. Apesar do negrume no horizonte, haja esperança de que essa capacidade para transformar dificílimo período em oportunidades de êxito venha a aplicar-se a Portugal, agora sim, financeira e economicamente de tanga. Urgente, puro SOS: redes cobrir valores de consciência social aberrantemente perdidos - e não limitá-los a mínimos, roçando o fazer de conta .. O Futebol profissional tem sido, décadas a fio, estado quase à parte... Mas igual, ou pior, na inconsciência de acumulação de dívidas. Chegou o ano de os nossos clubes assumirem – realidade abruptamente desnudada a isso vai obrigá-los - já não haver forma de manter a ficção de pairarem acima da crise. Não só, mas também, e muito: não terão oásis no deserto de crédito bancário... Luís Filipe Vieira foi o primeiro presidente de clube a lançar veemente alerta, nos últimos tempos, sobre o tornado financeiro que acelera até inadiável o rigor de contas. Hoje, em grande entrevista a A Bola, para além de analisar o Benfica, põe preto no branco: “O futebol não está acima de alguém, e é bom que assim seja!”» - Santos Neves, jornal A Bola, 2 de Janeiro de 2012.

«Critérios errados. O Governo prepara um pacote de alterações para o futebol profissional em 2012. Dos estudos encomendados a três grupos de trabalho, ressalta a necessidade de criar mecanismos de proteção à Seleção, ou melhor, mecanismos que protejam o acesso dos jogadores nacionais a esse patamar. Em parte, porque o ministro Miguel Relvas detetou, erradamente, a existência de "plantéis com mais de 60 por cento de estrangeiros", quando esse número nos clubes da Liga está, em média, abaixo dos 20 por cento. Os "outros 60", como o ministro devia saber, são comunitários ou oriundos do Brasil e dos PALOP, países com os quais o Estado celebrou protocolo especiais. O que se conhece da proposta deve motivar preocupação aos clubes. Desde logo porque fala na "introdução de critérios de qualidade na entrada de praticantes estrangeiros". Não são, nunca foram, os jogadores estrangeiros a colocar em causa a valia da Seleção. Basta comparar os resultados obtidos antes e depois da "lei Bosman". A invasão de estrangeiros na Liga foi (é) uma necessidade face à emigração dos nossos melhores. Não seguramos os craques com leis nem com promessas vãs. Eles só ficariam por cá a troco do muito dinheiro que os clubes não têm. A Liga, sem os seus principais atores nacionais, até conseguiu crescer, tal como as maiores equipas. O FC Porto, nos últimos anos, venceu a Champions e a Liga Europa, prova na qual Sporting e Sp. Braga foram finalistas. Os clubes portugueses especializaram-se na descoberta de valores jovens e baratos nos mercados secundários. É com eles que têm feito grandes equipas e negócios fantásticos (David Luiz, Di Maria ou Falcão são os exemplos mais recentes). Os chamados "critérios de qualidade" colocam esta atividade em risco se valorizarem o fator "internacionalizaçães N”: Di Maria nunca as teve antes de jogar por cá. Nem James Rodríguez. Falta-lhes qualidade?» - José Ribeiro, jornal Record, 2 de Janeiro de 2012.

«Melhorar o jogo de cabeça. O 1,93 m de Oscar Cardozo nunca foi proporcional ao jogo de cabeça do paraguaio. Numa perspetiva meramente técnica, não é pelo ar que, na maioria das vezes, o Tacuara faz a diferença no Benfica. Na vertente psicológica, desde 2007 que o camisola 7 encarnado comete erros de gestão de carreira como estar constantemente a pedir aumentos salariais ou que o deixem sair para campeonatos onde o dinheiro paga tudo, inclusive a desvalorização total. Na entrevista que pode ler hoje em Record, nota-se que o discurso do paraguaio mudou e que deixou de falar no singular para lembrar o coletivo. Perder a titularidade absoluta na Luz e na seleção melhorou o jogo de cabeça de Cardozo.» - João Rui Rodrigues, jornal Record, 2 de Janeiro de 2012.








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